Homem foi encontrado morto às margens de um córrego na Avenida Beira Mar, no bairro Boqueirão Norte (Reprodução/ Polícia Civil) A Polícia Civil indiciou o garoto de programa Enzio Lucas Coutinho Pássaro, de 23 anos, por homicídio com dolo eventual — quando se assume o risco de matar — após a morte de um homem, ocorrida na noite de 26 de maio, em Ilha Comprida, no litoral de São Paulo. Segundo o inquérito policial, ao qual A Tribuna teve acesso, os dois se encontraram para um programa sexual. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com o documento, o homem foi encontrado morto às margens de um córrego na Avenida Beira Mar, no bairro Boqueirão Norte. Imagens de câmeras de segurança mostram que ele e Enzio permaneceram juntos no local, sob uma passarela de acesso à praia, entre 22h32 e 0h. Em depoimento, Enzio afirmou ter empurrado o homem para dentro do córrego, alegando que a intenção era ajudá-lo a se restabelecer. Porém, segundo a Polícia Civil, o homem estava visivelmente debilitado, em razão de agressões e do uso de cocaína, o que tornava o ato extremamente arriscado. O inquérito aponta ainda que vídeos encontrados no celular de Enzio, acessados com autorização judicial, mostram o garoto de programa agredindo a vítima e cobrando o restante do valor do encontro sexual. A Polícia concluiu que, embora parte das agressões tenha sido inicialmente consentida, elas agravaram o estado físico da vítima. O namorado da vítima contou à polícia que o parceiro tinha histórico de práticas de risco envolvendo fetiches com violência física e que já havia manifestado o desejo de experimentar situações extremas. Segundo ele, os dois se mudaram da capital paulista para Ilha Comprida justamente na tentativa de afastá-lo desse tipo de comportamento. O inquérito aponta ainda que vídeos encontrados no celular de Enzio, acessados com autorização judicial, mostram o garoto de programa agredindo a vítima e cobrando o restante do valor do encontro sexual (Reprodução/ Polícia Civil) O laudo necroscópico ainda não foi anexado oficialmente ao inquérito, mas, segundo relato informal do médico legista, a causa da morte foi afogamento por aspiração de líquido. O homem foi retirado da água por Enzio já sem vida. Para a Polícia Civil, a conduta de Enzio foi além do consentimento e da previsibilidade. Ele registrou os momentos finais da vítima, que já não reagia, e não tomou providências eficazes para impedir sua morte. Ainda que tenha buscado ajuda depois, a polícia avaliou que houve “desídia consciente” com a vida do homem. O inquérito foi concluído com o indiciamento de Enzio por homicídio simples, com dolo eventual, previsto no artigo 121 do Código Penal. A Polícia também destacou que o consentimento da vítima para atos que coloquem sua vida em risco não tem validade jurídica, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ).