Enzio afirmou ter empurrado o homem para dentro do córrego, alegando que a intenção era ajudá-lo a se restabelecer (Reprodução) Imagens de câmeras de monitoramento obtidas por A Tribuna mostram que o garoto de programa Enzio Lucas Coutinho Pássaro, de 23 anos, demorou cerca de uma hora e meia para acionar socorro para o cliente que foi encontrado morto em um córrego, em Ilha Comprida, no litoral de São Paulo. O jovem foi indiciado por homicídio com dolo eventual - quando se assume o risco de matar. (Veja vídeo mais abaixo) Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! O caso ocorreu na noite de 26 de maio. De acordo com o inquérito, Enzio confessou ter agredido a vítima e a empurrado para dentro da água — segundo ele, com a intenção de “ajudá-la a se recuperar” dos efeitos de entorpecentes. A versão, no entanto, é confrontada pelas investigações. A Polícia Civil concluiu que a vítima estava visivelmente enfraquecida, em razão de uso de cocaína e agressões físicas, e que o empurrão agravou uma situação já crítica. As imagens analisadas também mostram que, mesmo após o homem não apresentar reações, Enzio permaneceu no local por cerca de 90 minutos sem procurar socorro. -Veja o vídeo (1.465552) Em entrevista à TV Tribuna, a delegada responsável pelo caso, Josy Caetano de Almeida, afirmou que o comportamento de Enzio após o episódio chamou atenção pela aparente calma. "A gente relatou como homicídio simples, sem nenhum tipo de qualificadora, visto que aquelas lesões tinham sido acordadas, inclusive financeiramente", disse a delegada. "Mas, depois, a gente entendeu que houve um homicídio na modalidade dolo eventual, no sentido de que esse garoto de programa, nesse programa sexual, acabou se excedendo e ocorrendo a morte", afirmou. Segundo o inquérito, vídeos encontrados no celular de Enzio mostram parte das agressões e cobranças feitas à vítima durante o programa sexual. Embora o encontro envolvesse práticas previamente acordadas, a polícia entendeu que o acusado ultrapassou os limites do consentimento e agiu com "desídia" diante do risco à vida do cliente. A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) confirmou que o caso foi investigado pela Delegacia de Ilha Comprida e relatado à Justiça no dia 5 de junho, com o formal indiciamento do autor do crime, de 23 anos, preso em flagrante.