Falso médico pediu dados dos pacientes ao auxiliar de enfermagem, que acabou enviando-os, acreditando ser profissional de saúde do Hospital Beneficência Portuguesa de Santos (Arquivo pessoal) O auxiliar de enfermagem Sidnei Alves Monteiro, de 47 anos, foi demitido do Hospital Beneficência Portuguesa de Santos após paciente denunciar golpe do falso médico na unidade de saúde. O profissional alega que caiu no golpe e, por isso, forneceu documentos e dados de pacientes para o golpista que o procurou se identificando como médico do hospital. Em decorrência disso, o funcionário foi desligado. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O caso ocorreu no último dia 12. Conforme apurado por A Tribuna, uma das pacientes denunciou ao hospital o golpe após ver foto do prontuário enviada pelo golpista, com o nome do auxiliar de enfermagem na imagem. O golpe aconteceu enquanto Sidnei trabalhava. Ele recebeu ligação de um homem que se apresentou como médico do hospital e que pediu as numerações dos prontuários dos pacientes. Por acreditar tratar-se de uma demanda assistencial e confiar na autoridade de quem dizia ser médico, o auxiliar de enfermagem forneceu apenas os números de prontuário dos pacientes — dados acessíveis em sua função e que, em circunstâncias normais, são utilizados para fins clínicos. Foi constatado posteriormente que o suposto médico era, na verdade, um criminoso, que utilizou essas informações para tentar aplicar fraudes financeiras em pacientes e familiares. “Apesar de ter sido enganado, sem jamais compartilhar fotos, exames ou outros dados sensíveis, fui chamado pela administração e pela coordenação de enfermagem e acabei demitido por justa causa, sem que houvesse investigação adequada ou apuração das responsabilidades”, afirma o auxiliar de enfermagem. Depois do ocorrido, Sidnei registrou boletim de ocorrência de estelionato na Polícia Civil. Hospital Em nota, o Hospital Beneficência Portuguesa informou que, no caso em questão, está tomando todas as providências cabíveis. A instituição de saúde explicou que o técnico de enfermagem e instrumentador cirúrgico Sidnei Alves Monteiro, "lotado no centro cirúrgico, foi desligado da instituição por descumprimento das normas internas", especialmente no que se refere à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e às diretrizes institucionais de segurança da informação e do paciente. "Foi constatado que, além de expor dados pessoais do paciente, fotografou a tela do computador da instituição com a ficha do enfermo", completou a unidade de saúde. O hospital acrescentou que o ex-funcionário que atendeu inicialmente a chamada do falso médico em um dos ramais da Beneficência Portuguesa passou em seguida a usar seu próprio celular para manter contato com o suposto médico. "Mais ainda, passou informações sobre um adoentado em setor distinto do qual atuava. Ou seja, extrapolou de suas atribuições funcionais em prejuízo do paciente e em desacordo com as normas éticas e técnicas do hospital. É do conhecimento de todos os colaboradores da instituição que qualquer informação sobre pacientes só é fornecida com sua devida autorização formal e pelo médico responsável". A instituição de saúde esclareceu que foram realizados todos os procedimentos legais para apuração dos fatos, observado, inclusive, o pleno direito do ex-funcionário de prestar esclarecimentos sem nenhuma acusação, apenas a título de elucidação com relação à denúncia apresentada pelo paciente.