À esquerda, o círculo mostra o corpo de Denise já no solo; à direita, a auxiliar de mecânica, de 40 anos (Arquivo pessoal/ Simone Freire) Uma funcionária de um terminal do Porto de Santos, no litoral de São Paulo, morreu após cair de uma esteira na noite desta segunda-feira (12), no armazém 16 do cais. A vítima é a auxiliar de mecânica Denise dos Santos Teixeira, de 40 anos, que trabalhava havia cerca de 45 dias na empresa Corredor Logística e Infraestrutura (CLI). O caso foi registrado na Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Santos como morte suspeita. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com o boletim de ocorrência obtido por A Tribuna, guardas portuários foram acionados para atender à ocorrência no terminal e, ao chegarem ao local, apuraram que um funcionário encontrou Denise caída ao solo, já sem vida. A suspeita inicial é de que ela tenha caído de aproximadamente 20 metros após o piso da esteira por onde caminhava ter cedido. Ainda segundo o registro, a vítima utilizava os equipamentos de proteção individual (EPIs) obrigatórios. Um médico compareceu e confirmou o óbito. A polícia requisitou exames periciais e informou que o terminal possui sistema de monitoramento. Em entrevista à equipe de reportagem de A Tribuna, a irmã da funcionária, Simone Freire, de 42 anos, assessora de eventos, afirmou que Denise trabalhava como auxiliar de mecânica no terminal e realizava uma inspeção no período noturno quando ocorreu o acidente. Segundo ela, colegas sentiram falta de Denise por volta das 20h e iniciaram buscas até encontrarem o corpo sob uma correia transportadora. “Ela pisou em uma grade da passarela, o piso cedeu e ela caiu. Não houve tempo de se segurar”, relata Simone. A irmã também questiona as condições da estrutura. “Se você vê o estado da peça, não é possível que ninguém tenha passado por ali antes e reparado que precisava trocar. Um funcionário me disse que aquela peça estava assim há muito tempo”, afirma. A imagem obtida pela reportagem mostra o estado em que a peça se encontrava (veja abaixo). À esquerda, a peça em que Denise supostamente teria pisado; à direita, a auxiliar de mecânica, de 40 anos (Arquivo pessoal/ Simone Freire) Simone também criticou a demora no atendimento após o acidente. Segundo ela, a família foi avisada por volta das 22h, mas a perícia só chegou ao local horas depois. “O corpo da minha irmã ficou lá por cerca de 15 horas. Eu precisei ir ao terminal de madrugada para cobrar a perícia. Fiquei lá até entregarem minha irmã ao carro do Instituto Médico Legal (IML)”, diz. A assessora de eventos acrescenta que houve confusão sobre quem deveria acionar o serviço funerário. “Passei a noite inteira atrás do IML. Só depois que fui às redes sociais é que o atendimento aconteceu”, conta. Simone afirma que permaneceu até a manhã desta terça-feira (12) aguardando que o corpo da irmã fosse retirado do local, totalizando mais de 15 horas de espera pela remoção. A irmã diz que Denise criava sozinha três filhos e havia acabado de receber o primeiro salário no novo emprego. “Ela sempre sonhou em trabalhar no Porto. Fez um curso de seis meses para ter essa oportunidade e estava muito feliz”, afirma. Segundo ela, este é o segundo filho que os pais estão tendo que enterrar. O velório de Denise acontece nesta terça-feira (12), a partir das 22h, no cemitério de Vicente de Carvalho, em Guarujá. Ainda de acordo com a irmã, o local estará aberto e não será restrito apenas a familiares. O velório de Denise acontece nesta terça (13), a partir das 22h, no Cemitério de Vicente de Carvalho (Reprodução) A Tribuna entrou em contato com a Corredor Logística e Infraestrutura (CLI), que, em nota, lamentou o falecimento da colaboradora e informou que está prestando apoio à família. “As circunstâncias do ocorrido estão sendo apuradas”, afirma a empresa. A Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) disse, em nota, que Denise fazia o uso de equipamentos de proteção individual (EPIs) e reforçou as informações já apuradas. Procurada, a Autoridade Portuária de Santos (APS) não se manifestou sobre o caso. Confira na íntegra o posicionamento da CLI: "A CLI lamenta profundamente o falecimento de sua colaboradora Denise dos Santos Teixeira, ocorrido na noite de 12 de janeiro, em uma de suas instalações. A empresa se solidariza com familiares, amigos e colegas neste momento de dor. Na ocasião, a colaboradora realizava uma atividade rotineira de inspeção mecânica, prevista nos procedimentos operacionais do terminal. Trata-se de uma prática regular, conduzida por profissionais treinados e devidamente equipados, conforme as normas de segurança aplicáveis. Ao perceberem a ausência da colaboradora no ponto de encontro previsto para a equipe, colegas iniciaram imediatamente as buscas na área. Às 21h36, ela foi encontrada caída por um mecânico do time, que acionou prontamente a brigada de emergência. Os primeiros atendimentos foram realizados de imediato, com acionamento do Samu, que permaneceu no local por mais de 45 minutos realizando manobras de reanimação. O óbito foi constatado às 22h11, pela equipe médica. A família foi comunicada e acolhida no próprio terminal, com acompanhamento das equipes de Recursos Humanos e Saúde, que seguem prestando toda a assistência necessária. Conforme os protocolos legais, a área foi isolada, as operações suspensas e as autoridades competentes acionadas. A remoção do corpo ocorreu na manhã seguinte, após a liberação pericial e de acordo com a disponibilidade do Instituto Médico Legal (IML), responsável exclusivo por esse procedimento. A CLI esclarece que as causas do acidente ainda estão sendo apuradas. Para garantir uma análise técnica isenta e criteriosa, a empresa contratou uma consultoria externa especializada em segurança, que conduz a investigação de forma independente. Até a conclusão desse trabalho, qualquer afirmação sobre causas ou responsabilidades seria precipitada. A empresa reforça que permanece à disposição das autoridades e que seguirá colaborando integralmente com as apurações, ao mesmo tempo em que mantém seu compromisso com a segurança, o respeito às pessoas e a transparência responsável".