Assédios aconteceram no açougue da unidade do Tenda Atacado que fica no bairro Quietude, em Praia Grande, segundo a vítima (Reprodução) Uma funcionária de 43 anos alega ter sido vítima de assédio sexual repetidas vezes de um colega de trabalho no açougue do Tenda Atacado, no bairro Quietude, em Praia Grande, no litoral de São Paulo. Atualmente, ela está afastada do serviço e faz tratamento médico para se recuperar do trauma. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo o boletim de ocorrência, os episódios ocorreram nos últimos seis meses, na unidade do atacadista localizada na Rua Savério Fitipaldi. A mulher relatou que o funcionário fazia comentários com conotação sexual dentro do ambiente de trabalho. De acordo com o registro, a mulher trabalha no açougue há cerca de um ano e um mês e já conhecia o acusado de vista, por terem atuado anteriormente em um açougue no bairro Caieiras. Ela contou que, há seis meses, percebeu uma mudança de comportamento do colega, que passou a ser “mais atrevido”. “Quando eu me abaixava para puxar água do chão, ele falava: ‘Ô, lá em casa’, ‘Não faz assim que você me mata’, ‘Sou louco para dar um beijo na sua boca’, ‘Com você eu até me casaria’”, relatou. A mulher disse que tentou repreender o colega de trabalho: “Eu dava uma dura e dizia que era casada, mas ele não se importava. Dizia que meu marido estava em São Paulo e não ficaria sabendo de nada”. O último episódio, segundo a vítima, ocorreu pouco antes de ela procurar a chefia para relatar a situação. “A chefe disse que seria bom ter sabido antes, porque agora não poderia fazer mais nada”. Ainda segundo a mulher, a supervisora mencionou que uma cliente já havia reclamado ao mercado por ouvir conversas inadequadas dos funcionários do açougue sobre mulheres. Após isso, foi realizada uma reunião com todos os empregados, na qual houve uma advertência geral. RH no caso O marido da funcionária também entrou em contato com o mercado, no dia 18 de julho, mas não obteve resposta. Ela afirmou ter sido chamada no RH, onde foi informada que, por falta de provas, o caso seria encerrado. A vítima não possui testemunhas. A mulher contou ainda que, durante uma comemoração, o colega chegou a beijá-la no rosto sem consentimento. No dia do registro do boletim, em 22 de julho, a funcionária disse não ter conseguido trabalhar. Ela foi até o Pronto-Socorro (PS) da Quietude pedir ajuda, viu a base da Guarda Civil Municipal (GCM) e pediu socorro. Segundo a mulher, duas guardas a acompanharam até a delegacia para registrar o caso. 'Guardava tudo com medo e vergonha' A mulher, que teve a identidade preservada, contou que tentou ignorar as investidas do colega de trabalho no início, mas o comportamento se repetia diariamente. “No começo, achei que era brincadeira, mas vi que a coisa era séria. Pedi várias vezes para ele parar. Fui ficando ansiosa, estressada, depressiva. Guardava tudo, com medo e vergonha”. O marido acabou denunciando o caso ao grupo de ética da empresa, o que motivou uma reunião interna. Segundo ela, a gerente-geral a questionou por o marido ter feito a denúncia, dizendo que “ele não deveria ter se envolvido”. A mulher disse que ficou ainda mais abalada ao descobrir que a empresa havia concluído o relatório interno sem reconhecer o assédio. Após o episódio, ela entrou em férias e, posteriormente, foi afastada por recomendação médica. “Hoje, faço acompanhamento psiquiátrico. Tive crises de pânico no trabalho, cheguei a correr assustada ao ver ele no corredor. Achei que ele fosse me matar”, disse. SSP A Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) informou que o caso foi registrado como injúria pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Praia Grande. De acordo com a pasta, a autoridade policial ouviu a vítima e a orientou sobre o prazo legal para apresentar representação criminal, necessária por se tratar de crime de ação penal condicionada. A DDM informou que, conforme surjam novas evidências, a natureza do delito pode ser alterada no curso das investigações. Posicionamento Em nota, o Tenda Atacado disse que o caso "foi tratado pelo canal de denúncias da empresa e as providências cabíveis foram tomadas. A empresa não tolera qualquer forma de discriminação ou assédio no ambiente de trabalho".