A população diz que, a cada evento, aciona tanto a Polícia Militar quanto a Guarda Civil Municipal, mas as festas continuam (Reprodução/ Redes sociais) Moradores do bairro Tancredo Neves, em São Vicente, no litoral de São Paulo, relatam que têm sofrido com o barulho e a desordem causados por eventos promovidos por um estabelecimento comercial da região. Segundo eles, shows com DJs, música ao vivo e carros equipados com “paredões de som” tomam as ruas aos finais de semana, atravessando a madrugada e prejudicando o descanso da população. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Em mensagens enviadas à redação de A Tribuna, moradores afirmam que a situação se agravou nos últimos domingos, quando o local passou a promover grandes eventos, que chegam a ocupar as vias por completo. O som, dizem eles, só é desligado na manhã de segunda-feira, por volta de 6h. Ainda de acordo com os relatos, as ruas ficam lotadas de pessoas e veículos, com consumo de bebidas alcoólicas e uso de drogas. “Eles mesmos fecham a rua, colocam palco, som alto, e dizem que têm autorização da Prefeitura para fazer isso todos os domingos. Quando questionamos, eles esfregam um papel dizendo que está tudo legalizado”, afirma uma moradora. Os moradores dizem que, a cada evento, acionam tanto a Polícia Militar (PM) quanto a Guarda Civil Municipal (GCM), mas não recebem apoio efetivo. Segundo eles, a PM afirma que a responsabilidade é da GCM, enquanto a Guarda alega que só pode agir por meio de uma força-tarefa coordenada pela Prefeitura. “É um jogo de empurra. Ninguém faz nada. E nós, moradores, que sofremos”, diz. A população afirma que fiscais chegam a visitar o local no início da noite, mas que os responsáveis pelo evento “se preparam” para a inspeção. “Eles sabem quando os fiscais vêm. Às sete, oito da noite está tudo calmo. Eles tiram fotos e vão embora. Só depois de meia-noite que começa a bagunça para valer”, relata uma moradora. Medo de represálias Os moradores dizem ter medo de represálias e pedem que a Prefeitura e as autoridades responsáveis fiscalizem as condições de funcionamento do local, bem como a legalidade das autorizações para ocupação das ruas e realização dos eventos. “Eles não respeitam os trabalhadores, não respeitam os idosos. Quem tem que se levantar cedo para trabalhar na segunda-feira não consegue descansar. Isso aqui virou um caos e ninguém toma providência”. Posicionamentos A Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) afirmou que a Polícia Militar (PM) mantém o combate à poluição sonora como uma das prioridades de sua atuação preventiva, especialmente nos casos de aglomerações com som em volume elevado, que comprometem a tranquilidade e o bem-estar da população. Segundo a pasta, as ações são desencadeadas a partir de denúncias anônimas e ligações para o telefone 190, que orientam o planejamento do policiamento e possibilitam a pronta resposta das equipes em campo. A orientação ao cidadão é que, diante de situações de barulho excessivo, acione imediatamente o 190, informando o local e as características da ocorrência. Por fim, a SSP disse que as informações colaboram diretamente para a eficácia do atendimento e para o enfrentamento desse tipo de infração. Por meio de nota, a Prefeitura de São Vicente informou que a Guarda Civil Municipal (GCM) realiza patrulhamentos constantes nos bairros da cidade, a fim de coibir práticas irregulares e garantir o bem-estar da população. O local em questão (estabelecimento) foi fiscalizado na última semana e notificado sobre a necessidade do respeito à Lei Municipal nº 2361-A, que visa coibir a perturbação do sossego. O comércio segue sob monitoramento da Administração Municipal, que realizará uma nova vistoria no local, e caso constate irregularidades, irá tomar as medidas necessárias. A Prefeitura ressaltou que esse trabalho requer apoio do Governo do Estado, responsável pela segurança pública. Caso o munícipe flagre alguma irregularidade, deve acionar a GCM pelo telefone 153.