Leandro foi condenado pela morte de Raquel (Reprodução) Depois de o pintor Leandro Rosa Vieira ser condenado por matar uma garota de programa em um hotel de Santos, a família da vítima ficou satisfeita com a condenação de 18 anos de prisão inicialmente em regime fechado na última quarta-feira (23), diz a irmã da vítima para A Tribuna. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O crime aconteceu em Santos, litoral de São Paulo, quando a vítima Raquel da Costa Santos, de 41 anos, foi encontrada morta em um quarto de hotel. Quando foi preso, Leandro confessou ter aplicado um ‘mata-leão’ na garota de programa após ela tentar agredi-lo com uma máquina de cartão e cobrar um valor ‘maior que o combinado’. A sentença foi proferida após júri popular realizado na última quarta-feira (23), no Fórum de Santos. A irmã da vítima, Ana Paula da Costa Santos, disse que nada traz Raquel de volta, mas ficou satisfeita com a condenação do pintor e agora aguarda pela Justiça Divina. “Sei que não vão trazer ela de volta, mas toda a família ficou satisfeita, porque houve Justiça. Quantas famílias perdem seus entes queridos e o assassino sai pela porta da frente, e às vezes não é nem preso. Agradeço o trabalho da polícia e da imprensa também. A Justiça da terra foi feita, agora é só de Deus”, comentou Ana Paula. Pintor foi à júri popular Ao todo, sete pessoas formaram o grupo de jurados, que ouviu os testemunhos de policiais civis e militares, além do filho e namorado da vítima. O corpo de jurados acolheu as acusações, e Leandro foi condenado por homicídio doloso – quando há intenção de matar – com três qualificadoras: feminicídio, motivo fútil e meio que dificultou a defesa da vítima (asfixia). Como aconteceu o crime? Raquel da Costa Santos, de 41 anos, foi encontrada morta no quarto do Hotel Brasul, que fica na Rua Bittencourt, no bairro Vila Nova, em Santos, na tarde de 21 de maio do ano passado. Conforme apurado por A Tribuna, ela entrou no local acompanhada de um homem. Antes do crime, os dois teriam ido se hospedar em um outro hotel, chamado Paraty, que fica na Avenida Senador Feijó, no Centro de Santos, mas o homem desistiu e decidiu ir até o Hotel Brasul, em frente à Câmara Municipal de Santos. Na época, a Secretaria Estadual da Segurança Pública (SSP-SP) disse que os policiais militares foram acionados para atender a ocorrência. No local, foram informados de que o filho da mulher não conseguiu contato com a mãe e solicitou que um funcionário do hotel abrisse a porta do quarto com uma chave reserva. A mulher foi encontrada sem vida pelo funcionário, que informou que ela entrou na companhia de um homem. Foi solicitada perícia para o local. Ainda de acordo com testemunhas, a vítima era de Itanhaém e veio a Santos para fazer o programa. A defesa solicitou a aplicação de medidas cautelares em vez da prisão, alegando que Leandro é réu primário, tem residência e trabalho fixos. A Justiça, porém, entendeu que as duas últimas afirmações não foram comprovadas, além de considerar a gravidade do crime de feminicídio. Assassinato por valor de programa Em 5 de junho, o pintor foi preso na casa de parentes no Morro São Bento, em Santos. O delegado da 3ª Delegacia do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) de Santos, Thiago Bonametti, contou que o suspeito alegou ter enforcado a mulher sem a intenção de matá-la, após ter uma discussão sobre o valor do programa. Segundo Bonametti, a polícia conseguiu identificar o homem após dois dias de investigação. Porém, as autoridades demoraram para achá-lo, já que fugiu depois de ver os vídeos que o mostravam com a mulher circulando na internet. Durante uma semana, o homem se escondeu em um sítio e também em endereços de Guarujá e de Santos. Segundo o depoimento do acusado, que foi encontrado na Avenida Santo Antônio do Valongo, ele teria matado a garota de programa depois de discutir com ela, já que a mulher queria que pagasse mais pelo serviço. Indagado, o homem confessou parcialmente o crime e disse que, após manter relações sexuais e discutir com a vítima, tentou "se defender enforcando a mulher até ela desmaiar". Ainda segundo o homem, ele havia consumido drogas sozinho, enquanto a mulher não fez uso de entorpecentes. No depoimento, o homem acrescentou que buscou um lugar mais reservado para o programa. Por isso, os dois foram primeiro a um hotel que fica na Avenida Senador Feijó. Após desistir de ficar lá, o homem decidiu ir com a garota de programa até o hotel da Rua Bittencourt, onde o corpo dela foi achado. Apesar das investigações preliminares mostrarem que a vítima não tinha nenhuma marca de violência aparente, o caso foi registrado como morte suspeita. “De início, ela não tinha marcas de violência. Possuía edemas superficiais na cervical e na barriga”, contou o delegado. A partir daí, segundo Bonametti, foi feita uma investigação, em que a polícia conseguiu identificar o homem, pois no quarto onde aconteceu o crime, havia digitais dele. Além disso, com as imagens do sistema de segurança do local, os agentes perceberam que as tatuagens batiam com as do investigado.