Falso médico alegou que agiu a mando do verdadeiro profissional de saúde, que é seu sócio, e que ganharia 'ajuda de custo' (Reprodução/ Redes sociais) O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) negou liminar da defesa pedindo para revogar a prisão preventiva do empresário Wellington Augusto Mazini Silva, de 28 anos, capturado em flagrante após atender pacientes se passando por médico em uma unidade básica de saúde em Cananéia, no litoral de São Paulo. Ele alega que foi autorizado pelo verdadeiro profissional e que receberia R\$ 1,5 mil como 'ajuda de custo'. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! No pedido de habeas corpus obtido por A Tribuna, a corregedoria concluiu que a manutenção da custódia era necessária para “garantir a ordem pública” e evitar novas ocorrências. Com isso, Wellington permanece preso no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Registro, no Vale do Ribeira, interior de São Paulo. O empresário, por meio da defesa, afirmou que cursa o quinto ano de Medicina e agiu a mando do verdadeiro profissional contratado, de quem Wellington é sócio em uma clínica em São Paulo e afirma ser seu estagiário há quatro anos. Conforme o boletim de ocorrência da prisão, Wellington estava usando o CRM do médico contratado durante os atendimentos. A defesa alega que o verdadeiro profissional de saúde consentiu o uso de seu nome e assinatura nos laudos. Ainda segundo o relato, a substituição ocorreu nos dias 6 e 7 de janeiro, e Wellington receberia cerca de R\$ 1.500 a título de “ajuda de custo” pelos atendimentos. Durante esse tempo, o estudante teria realizado mais de 100 exames de ultrassonografia, área em que fazia especialização há oito meses. A Tribuna apurou que, durante as consultas, ele afirmou ter localizado a vesícula de uma paciente, que havia removido o órgão. Além disso, disse não ser possível saber o sexo e a data de nascimento do bebê de uma grávida de 8 meses. O empresário foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pelos crimes de estelionato, perigo para a vida, exercício ilegal da medicina e falsidade material, cujas penas, somadas, podem chegar a 13 anos de prisão. O verdadeiro médico será ouvido pela Polícia Civil em Santos, onde mora. Prática reiterada Na decisão, a corregedoria afirma ainda que havia indícios de “possível prática reiterada da conduta”. Além de ter sido flagrado utilizando o CRM de outro médico, Wellington tinha consigo carimbo de um terceiro profissional e receituários de clínicas distintas. Para o magistrado, os elementos sugerem que a atuação pode não ter sido pontual. Conforme apurado por A Tribuna, o empresário já havia sido citado em um requerimento de instauração de inquérito policial por associação criminosa, estelionato, falsidade ideológica e material, além de apropriação indébita. Segundo a denúncia-crime, feita há quatro meses, por um empresário o qual se apresentou como vítima do falso médico, ele teria realizado pelo menos dez exames de ultrassonografia em Santo Amaro, na Grande São Paulo. Na época, a Justiça extinguiu o processo por entender que não cabe ao juiz requisitar abertura de inquérito. No entanto, o caso continua sendo investigado pelo 11º Distrito Policial (DP) de São Paulo. Posicionamentos Procurado pela reportagem, o Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) informou que abriu sindicância para apurar o caso. A defesa de Wellington também foi procurada, mas não respondeu até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para manifestações. Relembre o caso Wellington Augusto Mazini Silva, de 28 anos, foi preso no último dia 7, após ser flagrado executando exames de ultrassonografia e assinando documentos médicos dentro da UBS Marcondes Andrade Pereira, no Centro de Cananéia. A fraude foi descoberta durante um exame, quando o falso médico afirmou ter localizado a vesícula de uma paciente, que não possui o órgão. Diante da inconsistência, a mulher comunicou o fato ao diretor do Departamento de Saúde e Saneamento do município, Wendel de Oliveira Lacerda, que acionou a Polícia Militar (PM). Exames reagendados e sindicância instaurada No último dia 13, mais de 100 pacientes que passaram por exames de ultrassonografia realizados pelo estudante tiveram os atendimentos reagendados. A Prefeitura acrescentou que o médico que assumiu os atendimentos compareceu acompanhado de uma auxiliar e atuou durante toda a manhã de forma integrada com os servidores do Departamento Municipal de Saúde. Ainda segundo a Administração Municipal, foi aberta uma sindicância para “apurar responsabilidades, identificar falhas e fortalecer mecanismos de controle”.