Falso médico afirmou à grávida que não seria possível saber a data de nascimento do bebê no litoral de São Paulo (Imagem ilustrativa/ Freepik e Reprodução/ Redes sociais) Uma grávida de oito meses relatou ter passado por um atendimento precário com Wellington Augusto Mazini Silva, o falso médico preso em unidade de saúde de Cananéia, no litoral de São Paulo. Em entrevista para A Tribuna, a gestante afirmou que deixou a unidade de saúde “sem saber nada sobre o bebê” e com um laudo que, segundo descreve, “não trazia nenhuma informação importante”. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O caso veio à tona após a prisão de Wellington, investigado por atender pacientes se passando por médico em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) do município do litoral de São Paulo. Como medida emergencial, mais de 100 pacientes que passaram por exames de ultrassonografia tiveram os atendimentos reagendados para esta terça-feira (13). “Esperei pelo laudo e, quando peguei em mãos, percebi que não tinha a Data Provável do Parto (DPP). Voltei à sala e questionei o porquê. Ele respondeu que ‘não tinha como adivinhar quando o bebê vai nascer’”, conta a gestante, que pediu para não ter a identidade divulgada, por questão de segurança. Segundo ela, a consulta durou poucos minutos, foi conduzida de forma superficial e deixou de cumprir etapas básicas da rotina obstétrica. “Ele não informou as medidas do bebê e, quando perguntei sobre o sexo da criança, disse que não podia garantir nada”, lembra. A paciente acrescenta que, durante o exame, nenhuma imagem do feto foi exibida. Para ela, o comportamento do suposto profissional demonstrava insegurança e desconhecimento técnico. “Ele evitava responder perguntas simples, coisas que médicos normalmente sabem de cabeça ou calculam facilmente”, diz. “Ele pediu minha carteirinha, anotou a data que viu e pronto. Saí indignada, com um laudo que nem sei se era verdadeiro e sem qualquer informação sobre o meu bebê”, completa. Mais de 100 exames reagendados Em nota, a Prefeitura de Cananéia informou que, desde as 8 horas desta terça-feira (13), os pacientes que deixaram de realizar exames de ultrassonografia na semana passada estão sendo atendidos, incluindo a gestante ouvida pela reportagem. “A Prefeitura segue localizando e reagendando, para os próximos dias, todos os pacientes que estavam previamente agendados, garantindo que nenhum usuário seja prejudicado”, informou a Administração Municipal. A Prefeitura acrescentou que o médico que assumiu os atendimentos compareceu acompanhado de uma auxiliar e atuou durante toda a manhã de forma integrada com os servidores do Departamento Municipal de Saúde. Relembre o caso A Polícia Civil investiga se Wellington Augusto Mazini Silva, de 28 anos, preso na quarta-feira passada (7), teria sido enviado pelo médico oficialmente contratado para atuar na UBS de Cananéia. O profissional, que possui CRM válido, não teve a identidade divulgada e deverá ser ouvido pela polícia. Conforme apurado por A Tribuna, Wellington é estudante de Medicina, mora em São Paulo e afirmou, no dia da prisão, que receberia R\$ 2 mil pelos atendimentos realizados. Ele foi flagrado executando exames de ultrassonografia e assinando documentos médicos dentro da UBS Marcondes Andrade Pereira, no Centro de Cananéia. A fraude foi descoberta durante um exame, quando o falso médico afirmou ter localizado a vesícula de uma paciente, que não possui o órgão. Diante da inconsistência, a mulher comunicou o fato ao diretor do Departamento de Saúde e Saneamento do município, Wendel de Oliveira Lacerda, que acionou a Polícia Militar (PM). Prisão Durante a abordagem, os policiais constataram que Wellington utilizava o CRM de um médico, sócio de uma clínica em São Paulo. Ele teve a prisão em flagrante mantida, com apreensão de equipamentos utilizados nos exames e de um veículo. O caso foi registrado como exercício ilegal da Medicina, falsidade ideológica e perigo para a vida ou saúde de outrem. Após passar por exame de corpo de delito, Wellington foi encaminhado ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Registro, onde permanece preso após a conversão da prisão em flagrante em preventiva. Medidas da Prefeitura Segundo a Prefeitura de Cananéia, o falso médico atuou apenas por um dia, utilizando equipamentos próprios. Os pacientes atendidos na terça-feira (6) por ele estão sendo reconvocados para repetir os exames a partir desta terça (13). A Administração Municipal informou ainda a abertura de uma sindicância, em conjunto com a empresa gestora da UBS, para “apurar responsabilidades, identificar falhas e fortalecer mecanismos de controle, prevenção e governança”. A defesa de Wellington não foi localizada até a publicação desta reportagem. O espaço permanece aberto para manifestações.