Delegado e sua equipe de investigações quebraram parte do muro da residência com um martelo e pé de cabra, para encontrar o objeto utilizado no crime (Divulgação/ Polícia Civil) O feminicídio de Jane de Araújo Lima, de 46 anos, em Praia Grande, no litoral de São Paulo, teve um detalhe que chamou a atenção dos investigadores: a faca usada pelo companheiro dela, Atílio Ferreira da Silva, de 49, se quebrou ao meio e foi escondida. (veja vídeo mais abaixo) Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo a Polícia Civil, após o crime, Atílio escondeu as duas partes da arma em um terreno ao lado da casa onde vivia com Jane. “Na terça-feira (9), localizamos as duas partes da faca, exatamente como ele descreveu no interrogatório. Ela se partiu em duas, com a lâmina separada do cabo, em razão da força dos golpes”, afirmou o delegado Luiz Ricardo de Lara Dias Júnior, titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Praia Grande. Em um vídeo obtido por A Tribuna, mostra o delegado e sua equipe de investigações quebrando parte do muro da residência com um martelo e pé de cabra, para encontrar o objeto utilizado no crime. Faca utilizada no crime foi encontrada partida em dois pedaços (Divulgação/ Polícia Civil) Crime dentro de casa De acordo com o delegado, Jane foi morta no dia 27 de agosto após uma discussão dentro da residência do casal. A perícia encontrou manchas de sangue em um dos cômodos, mesmo após uma tentativa de limpeza. Na confissão, o suspeito disse que a briga começou após uso de bebida alcoólica e cocaína. Ele contou que Jane teria se apoderado de uma faca e o atingido no peito, mas que conseguiu desarmá-la e desferiu os golpes fatais. O corte, segundo a polícia, já estava cicatrizado. “Ele permaneceu com o corpo na sala até o dia seguinte. Depois colocou a vítima dentro de uma mala, que ainda ficou na casa até a noite de terça-feira (2), quando foi abandonada em um terreno baldio a poucas quadras dali”, explicou Lara Dias. -video facebook (1.478858) Desova e ocultação O corpo de Jane foi encontrado por crianças na noite de 4 de setembro, dentro da mala. O delegado ressaltou que Atílio levou o objeto sozinho até o local. “Não houve a participação de outra pessoa. Ele carregou a mala com a intenção de se desfazer do corpo e depois criar uma narrativa para enganar a polícia”, disse. Dias após o crime, Atílio chegou a vender móveis do casal e disse a conhecidos que Jane havia se mudado para o Maranhão ou Piauí. Contradições e confissão O suspeito se apresentou espontaneamente ao 3º Distrito Policial de Praia Grande na terça-feira (9), sem saber que havia contra ele um mandado de prisão temporária. Inicialmente negou o crime, mas entrou em contradição e confessou ao ser confrontado com as provas. “Ele colaborou e demonstrou arrependimento. Chorou bastante ao reconstituir a dinâmica do crime no imóvel. A confissão foi filmada para não deixar dúvidas sobre sua espontaneidade”, disse o delegado. Apesar disso, Lara Dias foi enfático: “Não podemos nos esquecer de que se trata de um homicídio doloso, um feminicídio, com vontade livre e consciente”. Histórico de violência Jane e Atílio viviam juntos havia cerca de sete anos e tinham um relacionamento marcado por brigas. Segundo o delegado, já havia registros de violência doméstica no Maranhão e também em São Paulo, onde o suspeito chegou a ser alvo de medidas protetivas em relação a uma ex-companheira. Jane deixa três filhas, todas moradoras do Maranhão. Investigação segue A Polícia Civil aguarda laudos necroscópicos e tanatológicos para confirmar a dinâmica do crime e o tempo exato da morte. Atílio segue preso temporariamente por 30 dias e aguarda audiência de custódia.