Assassinato de Ruy Ferraz Fontes completa um mês nesta terça. Vítima foi delegado-geral de polícia de São Paulo e atualmente exercia o cargo de secretário de Administração de Praia Grande (Divulgação/Prefeitura de Praia Grande) A execução do ex-delegado geral de polícia de São Paulo e secretário de Administração de Praia Grande, Ruy Ferraz Fontes, de 64 anos, completa um mês nesta terça-feira (15). A Tribuna detalha tudo o que já se sabe do caso até agora (confira abaixo). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou para A Tribuna nesta quarta-feira (15), que a Polícia Civil, por meio do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), segue em diligências para a completa elucidação dos fatos. Até o momento, cinco suspeitos foram presos e permanecem detidos temporariamente. Outros dois seguem foragidos, enquanto um terceiro morreu em confronto com policiais civis na Região Metropolitana de Curitiba (PR). Ainda de acordo com a secretaria, entre as ações realizadas, foram colhidos depoimentos de investigados e testemunhas, realizadas perícias em imóveis ligados aos suspeitos na Baixada Santista e cumpridos diversos mandados de busca e apreensão, que resultaram na apreensão de celulares, armas de fogo e outros dispositivos eletrônicos, todos encaminhados para perícia. O assassinato Ruy Ferraz Fontes foi fuzilado com 12 tiros em 15 de setembro após encerrar o expediente na Prefeitura de Praia Grande, onde era secretário de Administração. Ele foi perseguido, teve o carro prensado por um ônibus e, na sequência, capotou o veículo. Nessa hora, os bandidos desembarcaram do carro portando fuzis e efetuaram diversos disparos contra ele. O veículo foi alvejado com 29 tiros. Imagens de câmeras de monitoramento flagraram o assassinato. As investigações apontam que o crime foi minuciosamente planejado e executado de forma ostensiva. Ruy Ferraz Fontes foi assassinado na noite do dia 15, na Avenida Dr. Roberto de Almeida Vinhas, em Praia Grande. Imagens de câmeras de monitoramento flagraram a ação (Matheus Croce/TV Tribuna e Reprodução/TV Tribuna) PCC envolvido A execução do ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo teve participação do Primeiro Comando da Capital, o PCC. A avaliação foi do secretário da Segurança Pública do Estado, Guilherme Derrite. Nesse período, durante uma entrevista coletiva, Derrite confirmou a participação do crime organizado no caso. Ele também revelou a identidade de dois suspeitos já com prisão temporária decretada: Flávio Henrique Ferreira de Souza, de 24 anos, e Felipe Avelino da Silva, conhecido como “Mascherano”, que pertencem ao PCC. “Que há participação do crime organizado, para nós, não resta dúvida, por conta principalmente do Mascherano, que pertence à organização criminosa PCC”, afirmou Derrite na época. Segundo relatórios de inteligência, Felipe Avelino exerce a função de “disciplina” no ABC paulista, posição considerada de relevância dentro da facção. Ele foi preso no último dia 6, uma segunda-feira. Presos Até o momento, estão presos cinco suspeitos no caso que investiga o assassinato de Ruy Ferraz Fontes: Felipe Avelino da Silva, conhecido como "Mascherano"; Willian Silva Marques, proprietário da casa usada como base pelos criminosos; Rafael Marcell Dias Simões, o Jaguar; Dahesly Oliveira Pires e Luiz Henrique Santos Batista, conhecido como Fofão. Felipe Avelino da Silva, conhecido como Mascherano, foi preso no dia 6 de outubro em Cotia, na Grande São Paulo. Ele foi um dos primeiros identificados pela participação na execução do ex-delegado Ruy Ferraz Fontes. (Reprodução e Divulgação/Prefeitura de Praia Grande) Ainda estão foragidos e com prisão decretada Flávio Henrique Ferreira de Souza e Luiz Antônio Rodrigues de Miranda, apontado como o responsável por organizar o transporte do fuzil e dirigir o carro usado no assassinato. Umberto Alberto Gomes, oitavo suspeito identificado pela participação na execução, foi morto no dia 30 de setembro após trocar tiros com policiais civis no Estado do Paraná. Segundo a Secretaria de Segurança, ele foi apontado como sendo o possível atirador na noite da execução. Casas usadas por criminosos A Polícia Civil descobriu duas casas que teriam sidos usadas pelos criminosos antes do crime, sendo uma em Praia Grande e outra em Mongaguá. No dia 19 de setembro, agentes da Polícia Civil e da Corregedoria da Polícia Militar (PM) de São Paulo fizeram perícia em uma casa de onde teria saído um dos fuzis usados na execução de Ruy Ferraz Fontes. No local, os investigadores encontraram cerca de 41 vestígios genéticos. Na casa, foram encontrados 41 materiais genéticos (Marco Antônio/TV Tribuna e Reprodução) O imóvel está localizado na Rua Campos do Jordão, no bairro Jardim Imperador, em Praia Grande, próximo à divisa com Mongaguá, na Baixada Santista, e a aproximadamente oito quilômetros da Prefeitura de Praia Grande. A polícia chegou até a residência por meio do depoimento de Dahesly Oliveira Pires, presa na madrugada do dia 18. Segundo as investigações, ela teria saído de Diadema (SP) para buscar um dos fuzis na casa, a mando de Luiz Antônio, um dos três suspeitos que seguem foragidos. O imóvel possui fachada fechada, piscina e churrasqueira, e teria sido usado pelos criminosos durante alguns dias antes do atentado, segundo apuração da TV Tribuna. Uma segunda casa, que teria sido usada pelo grupo criminoso responsável pela execução Ruy Ferraz Fontes, foi descoberta pela polícia. Ela fica em Mongaguá, cidade vizinha de Praia Grande, onde o crime ocorreu. Conforme apuração da TV Globo, durante as investigações, os policiais conseguiram identificar o imóvel e, no local, eles coletaram diversas impressões digitais, que serão analisadas e comparadas às encontradas em outra casa identificada em Praia Grande. Servidores são investigados Cinco servidores públicos da Prefeitura de Praia Grande entraram na mira da Polícia Civil durante as investigações sobre a morte do ex-delegado-geral Ruy Ferraz Fontes. Entre os alvos da operação está Sandro Rogerio Pardini, que era subsecretário de Gestão e Tecnologia. Conforme noticiado por A Tribuna, em nota, os advogados de Sandro Pardini — Patrícia Britto, Octávio Rolim e Beatriz Mancio — informaram que ele foi ouvido apenas como testemunha e reforçaram que não há indícios que o vinculem ao homicídio. A defesa ressaltou que o processo corre em segredo de Justiça e destacou a carreira do cliente no serviço público, iniciada em 2002. Já a Prefeitura de Praia Grande disse que tem colaborado integralmente com a Polícia Civil, fornecendo imagens, documentos e demais informações solicitadas. Celulares apreendidos A Polícia Civil apreendeu celulares, eletrônicos e outros itens de interesse durante uma operação realizada no dia 29 de setembro em endereço relacionados a investigação da execução de Ruy Ferraz Fontes. A SSP-SP informou, na época, que os policiais civis do DHPP, com apoio da Polícia Civil de Santos e Praia Grande, cumpriram nove mandados de busca e apreensão em endereços em Santos, Praia Grande e São Vicente. Os alvos dos mandados foram pessoas que têm contatos com funcionários públicos de Praia Grande. O objetivo da ação era coletar evidências sobre eventuais irregularidades em contratos com a prefeitura, onde Ruy era secretário da Pasta de Administração. Chefe do PCC morto Nego Mimo, um dos chefes do PCC, foi morto pela PM no dia 23 de setembro, na Vila Curuçá, Zona Leste de São Paulo. Ele era membro da célula da organização criminosa chamada Bonde dos 14, que ficou conhecida por planejar atentados contra autoridades públicas. Em 2019, Nego Mimo participou de planos para matar Ruy Ferraz Fontes. Investigações da Polícia Civil apontam que Nego Mimo exercia a função de “disciplina” do PCC na Zona Leste da capital (Divulgação e Polícia Civil) Nego Mimo se chamava Cleberson Paulo dos Santos e também era conhecido pelos apelidos Nego Limo e Mimo. De acordo com a PM, ele tentou fugir e atirou contra os policiais, que revidaram. Baleado, não resistiu aos ferimentos. Cleberson estava foragido desde 2022, quando deixou de retornar de uma saída temporária no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Valparaíso. Condenado por homicídio, ainda tinha mais de dez anos de pena a cumprir. Investigações da Polícia Civil apontam que ele exercia a função de “disciplina” do PCC na Zona Leste da Capital, supervisionando integrantes da facção que estavam em liberdade. O histórico criminal dele incluía crimes como homicídio, roubo, associação criminosa, tráfico de drogas, corrupção de menores e falsificação de documentos. Não há, até o momento, indícios de que ele esteja ligado com o assassinato ocorrido em Praia Grande. Quem era Ruy Ferraz Fontes Ruy Ferraz Fontes era ex-delegado-geral de São Paulo e ficou conhecido por sua atuação contra o PCC. Em 2006, ele foi o responsável por indiciar toda a cúpula da faclçao, inclusive Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, antes de os bandidos serem isolados na penitenciária 2 de Presidente Venceslau. Delegado por mais de 40 anos, Ruy Ferraz Fontes iniciou a carreira como delegado de Polícia Titular da Delegacia de Polícia do Município de Taguaí (Deinter 7) e, ao longo dos anos, foi delegado de Polícia Assistente da Equipe da Divisão de Homicídios do DHPP. Foi também delegado de Polícia Titular da 1ª Delegacia de Polícia da Divisão de Investigações Sobre Entorpecentes do Departamento Estadual de Repressão ao Narcotráfico (Denarc); delegado de Polícia Titular da 5ª Delegacia de Polícia de Investigações Sobre Furtos e Roubos a Bancos do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e comandou outras delegacias e divisões na Capital. Também esteve à frente da Delegacia Geral de Polícia do Estado de São Paulo e foi Diretor do Departamento de Polícia Judiciária da Capital (DECAP). Ruy assumiu a Secretaria de Administração de Praia Grande em janeiro de 2023, permanecendo na gestão que se iniciou em 2025. Já escapou de assassinato Ruy, como era conhecido, já havia escapado em outra oportunidade de um plano para assassiná-lo. Ele trabalhava então no 69.º Distrito Policial, na Cohab Teotônio Vilela. Era 2010. O delegado havia acabado de deixar a delegacia de Roubo a Bancos, do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), quando o plano de bandidos ligados ao PCC foi descoberto. Fontes dirigiu ainda o departamento de Narcóticos, onde foi responsável pela primeira grande investigação que traçou as ações de Gilberto Aparecido do Santos, o Fuminho, narcotraficante do PCC que foi detido em 2020 em Moçambique e extraditado para o Brasil. Em 2019, ele comandava a Delegacia-Geral quando Marcola e a cúpula do PCC foi transferida para presídios federais. Uma das suspeitas da polícia é que a ação tenha sido obra da Sintonia Restrita, o grupo de pistoleiros do PCC responsável no passado por planos para sequestrar o ex-juiz Sérgio Moro e o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), ligado ao Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP).