Ruy Ferraz Fontes foi executado com mais de 20 tiros de fuzil na noite desta segunda-feira (15) em Praia Grande (Divulgação Polícia Civil/ Reprodução) A morte do secretário de Administração de Praia Grande e ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes, executado com mais de 20 tiros de fuzil na noite desta segunda-feira (15), levanta fortes indícios de que o crime tenha sido ordenado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC). Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Integrantes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) afirmam que a emboscada tem todas as características de uma execução típica de máfia, com planejamento prévio, armamento pesado e fuga organizada. Fontes, que por décadas combateu o crime organizado em São Paulo, já havia sido jurado de morte pela facção em 2019, após a transferência do líder Marcola para um presídio federal. Repercussão e nota de pesar A Associação dos Delegados de Polícia do Brasil (Adepol) classificou a morte como uma “tragédia sem precedentes”, ressaltando que Fontes foi um dos maiores símbolos de coragem no enfrentamento às facções criminosas. A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) também lamentou, destacando a carreira de mais de 40 anos do delegado, que esteve à frente de cargos de destaque como o comando do DHPP, Denarc, Deic e, posteriormente, da própria Polícia Civil, entre 2019 e 2022. O secretário da Segurança Pública, Guilherme Derrite, afirmou que uma força-tarefa foi criada, com prioridade determinada pelo governador Tarcísio de Freitas, para identificar e prender os responsáveis. O procurador-geral de Justiça ofereceu apoio do Gaeco às investigações. Histórico de enfrentamento ao crime organizado Fontes ganhou notoriedade em 2006, quando indiciou toda a cúpula do PCC, incluindo Marcola. Em 2019, já como delegado-geral, foi alvo de uma “missão” de execução ordenada pela facção, que acabou frustrada pela prisão de seus integrantes. Graduado em Direito pela Faculdade de São Bernardo do Campo e pós-graduado em Direito Civil, também fez especializações no Brasil, no Canadá e na França. Atuou como professor universitário e na Academia da Polícia Civil. Atualmente, estava aposentado da corporação e atuava como secretário de Administração de Praia Grande, onde foi morto. Ataque filmado por câmeras O atentado ocorreu por volta das 18h, na Avenida Dr. Roberto de Almeida Vinhas, no Bairro Nova Mirim, em Praia Grande. Imagens de monitoramento mostram o veículo do ex-delegado em alta velocidade quando foi fechado por um ônibus intermunicipal e capotou. Na sequência, uma SUV preta parou ao lado. Três homens encapuzados desceram com fuzis e dispararam dezenas de tiros contra o ex-delegado, que morreu no local. O delegado-geral de São Paulo, Arthur Dian, informou que os criminosos atiraram mais de 20 vezes, atingindo braços, pernas e abdômen da vítima. Pedestres baleados Durante o ataque, dois pedestres — um homem e uma mulher — também foram atingidos pelos disparos. Eles foram socorridos pelo Samu e levados inicialmente à UPA Quietude, sendo depois transferidos ao Hospital Municipal Irmã Dulce. De acordo com a Prefeitura de Praia Grande, ambos não correm risco de morte. Veículos localizados A Polícia Militar encontrou pouco depois um dos veículos utilizados pelos criminosos incendiado. Outro carro, carregado com armas e munições, também foi apreendido. A cena foi preservada para perícia, e as investigações seguem sob sigilo com o DHPP e o Deic. Velório e sepultamento O corpo de Ruy Ferraz Fontes será velado nesta terça-feira (16), na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), a partir das 10h. A saída está marcada para 15h, com sepultamento às 16h, no Cemitério da Paz, Morumbi, localizado na Rua Dr. Luiz Migliano, 644 – Jardim Vazani, São Paulo. Ele deixa familiares e amigos próximos, mas não tinha filhos.