Ruy Ferraz Fontes foi executado com 12 tiros de fuzil na Avenida Dr. Roberto de Almeida Vinhas, em Praia Grande, no dia 15 de setembro (Reprodução/ Polícia Civil e Matheus Croce/ TV Tribuna) A Polícia Civil descobriu que o ex-delegado e secretário de Administração de Praia Grande, Ruy Ferraz Fontes, executado com tiros em Praia Grande, no litoral de São Paulo, mantinha no notebook um rascunho de denúncia que pretendia enviar ao Ministério Público. O documento tratava de possíveis irregularidades em licitações da Prefeitura, onde ele atuava como secretário de Administração. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Ruy foi executado após deixar o trabalho, no dia 15 de setembro. Ele caiu em uma emboscada na rua. Dois meses depois, a investigação inicial terminou com 12 indiciados, embora cinco deles tenham sido soltos durante o processo. O relatório final, obtido pelo g1 Santos e Região, indica que o arquivo encontrado no computador de Ruy Ferraz Fontes citava suspeitas de fraudes envolvendo servidores e empresários. Esse achado levou os policiais a ampliar as investigações para entender se o assassinato podia ter relação com o trabalho de Ruy na Prefeitura de Praia Grande. Novas investigações Após identificar o material no notebook, o Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) solicitou medidas contra alguns funcionários municipais. A ideia era verificar se o que Ruy investigava internamente poderia ter influência em sua morte. Com esse desdobramento, surgiu um inquérito separado, criado especialmente para apurar possíveis fraudes em contratos públicos e lavagem de dinheiro. A investigação ficou sob responsabilidade da Divisão Especializada de Investigações Criminais (DEIC) de Santos. Em outubro, cinco servidores foram alvo de buscas e apreensões. Mesmo assim, o Ministério Público de São Paulo descartou qualquer ligação entre o assassinato e a função que Ruy exercia na Administração Municipal de Praia Grande. Posicionamento Em nota, a Prefeitura de Praia Grande destaca que o Ministério Público de São Paulo (MPSP) confirmou que o ex-delegado-geral Ruy Ferraz Fontes foi assassinado a mando do alto escalão do Primeiro Comando da Capital (PCC) como vingança. O anúncio ocorreu no último dia 21 de novembro. Na oportunidade, o MPSP descartou a hipótese de uma relação da morte dele com a sua gestão como secretário de Administração municipal e denunciou oito pessoas pela morte do ex-delegado-geral, conforme citado pela Administração Municipal. "As denúncias foram baseadas no resultado da primeira fase das investigações do caso realizadas pela Força-Tarefa criada pela Secretaria de Estado da Segurança". O município reforça ainda que "confia na investigação efetuada pelos órgãos de segurança. A Administração Municipal explica ainda que colaborou com todas as solicitações ao longo do período de apuração dos fatos". A Prefeitura finaliza dizendo que não emitirá comunicado "relacionado a suposições ou especulações", com o intuito de "evitar que algo possa atrapalhar a sequência das investigações". Vingança como motivação Para o Ministério Público, o ataque foi uma retaliação. Segundo os promotores, integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) teriam planejado a execução como vingança por conta da atuação de Ruy contra o crime organizado ao longo de sua carreira como delegado. A investigação indica que o planejamento do PCC começou meses antes, em março de 2025. Nesse período, os suspeitos teriam furtado veículos, adquirido armas e separado imóveis que seriam usados para esconder pessoas, carros e equipamentos. Denunciados O Ministério Público denunciou oito suspeitos, apontando o papel de cada um no crime. Felipe Avelino da Silva, conhecido como Mascherano, teria furtado o Jeep Renegade usado na ação, escondido o veículo e colocado placas falsas. Impressões digitais dele foram identificadas no carro. Flávio Henrique Ferreira de Souza também estaria envolvido no furto do Jeep Renegade, com digitais encontradas no automóvel. Ele está foragido. Outro foragido é Luiz Antonio Rodrigues de Miranda. Ele teria participado do planejamento, usado imóveis para apoio do grupo e ajudado a esconder armas depois do assassinato. Dahesly Oliveira Pires é suspeita de transportar e guardar um fuzil, carregadores e munições no dia seguinte ao crime, para evitar que fossem localizados pela polícia. Willian Silva Marques teria cedido sua casa em Praia Grande para servir como esconderijo e depósito de armas. Testemunhas afirmam que ele sabia que o imóvel seria usado pelo PCC. Paulo Henrique Caetano de Sales teria atuado na logística e frequentado imóveis que serviam como base. Ele está preso. Também teria participado Cristiano Alves da Silva, que, segundo a acusação, atuou tanto na execução quanto no suporte ao grupo. Ele está detido. O principal nome apontado pelo MP é Marcos Augusto Rodrigues Cardoso, conhecido como Fiel ou Penélope. Ele teria recrutado integrantes, organizado as etapas e definido funções. Considerado liderança do PCC no Grajaú, teria orientado executores e tratado até de possíveis rotas de fuga. Desdobramentos Com novas frentes abertas, as apurações seguem avançando para esclarecer todos os detalhes do caso. A Polícia Civil agora trabalha em diferentes linhas que envolvem tanto a dinâmica da execução quanto os possíveis interesses do grupo criminoso na morte do ex-delegado.