Estivadores ganhariam R$ 60 mil para colocar cocaína em navio no Porto de Santos

Três homens foram presos em flagrante por tráfico internacional de droga pela Polícia Federal

Três estivadores presos em flagrante por tráfico internacional de drogas e associação para tráfico pela Polícia Federal (PF) ganhariam R$ 60 mil, caso conseguissem introduzir 12,9 quilos de cocaína em um navio atracado no Porto de Santos.

As investigações prosseguem para identificar outros envolvidos na ação criminosa. O supervisor de um terminal portuário teve dois celulares (um funcional e outro pessoal) apreendidos. Os arquivos dos aparelhos serão checados.

Dividida em 12 tijolos, a droga seria escondida em contêineres embarcados no navio MSC Abidjan. Atracado em um terminal na Alemoa, o cargueiro zarpará de Santos com destinos a portos europeus.

Na madrugada de quarta-feira, agentes da PF se dirigiram ao terminal. Segundo os policiais federais, eles receberam denúncia anônima de que estivadores colocariam cocaína dentro do MSC Abidjan.

Após certo período de observação, a equipe da PF prendeu os estivadores Walter Assunção Gonçalves Alves Vieira, de 42 anos, Carlos André Nogueira Barbosa, de 41, e Gerson Carvalho da Conceição, de 58.

De acordo com os policiais, os acusados despertaram suspeitas porque vestiam blusas, apesar de não estar frio, e apresentam volume estranho sob as roupas. Ao revistarem o trio, os agentes constataram que ele trazia tabletes de cocaína na região abdominal.

Walter, Carlos e André portavam, respectivamente, quatro, dois e seis tijolos de cocaína. Cintas elásticas prendiam o entorpecente aos corpos dos estivadores. Para cada tablete embarcado, os acusados ganhariam R$ 5 mil.

De acordo com Walter e Gerson, eles receberam os tijolos de cocaína na Avenida Afonso Pena, próximo ao Canal 4, de um homem que alegaram desconhecer. Os estivadores também revelaram quanto ganhariam pelo serviço.

Walter acrescentou que o lugar a ser ocultada a droga seria revelado depois por meio de mensagem pelo WhatsApp. Informações dão conta de que a cocaína seria escondida perto dos motores de contêineres refrigerados.

Preventivas

Os autuados foram encaminhados à Penitenciária I de São Vicente. Na quinta-feira, dia seguinte ao da prisão, a Justiça Federal decretou a prisão preventiva do trio, a pedido do Ministério Público Federal (MPF).
Segundo o procurador da República Antonio José Donizetti Molina Daloia, muitos estivadores e caminhoneiros são cooptados por organizações criminosas para inserir drogas em navios com destino à Europa.

Ainda conforme o representante do MPF, verifica-se que vários desses trabalhadores, após serem recrutados pelos traficantes, passam a integrar esses grupos criminosos e desenvolvem ações permanentes e estáveis, com habitualidade, na ponta da organização.

Na decisão que decretou as preventivas dos estivadores, o juiz federal Roberto Lemos dos Santos Filho observou o risco de os acusados voltarem a cometer crimes idênticos, porque exercem atividade relacionada de forma direta com o comércio exterior.

A PF recolheu os celulares do trio preso. O objetivo é apurar as mensagens enviadas e recebidas por eles para identificar outros envolvidos no esquema criminoso. Mais dois aparelhos foram apreendidos com um supervisor do terminal portuário.

Ouvido na Delegacia da PF em Santos na presença de advogado, o supervisor, que também é advogado, mas não exerce a profissão, negou vínculo com a cocaína apreendida. Ele também refutou troca de mensagens pessoais com os estivadores presos.

Segundo o funcionário do terminal, ele realiza a escala dos trabalhadores que realizarão as suas atividades a bordo dos navios. Ele explicou ser comum a troca de estivadores, após a divulgação da escala, para propiciar produtividade e evitar preocupação.

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