Morgado é apontado como 'contador do PCC'; empresário de Santos diz que começou a carreira como entregador em um escritório de contabilidade e chegou aonde está com empenho e força de vontade (Reprodução/ Redes sociais) A defesa do empresário e contador de Santos Rodrigo de Paula Morgado, que sorteou Jeep Compass na cidade a funcionária que demitiu e que foi preso na terça-feira (14) durante a Operação Narco Bet da Polícia Federal (PF), pediu à Justiça que ele cumpra prisão domiciliar em razão da situação de saúde dos filhos. O pedido foi apresentado durante audiência de custódia, conforme informou o advogado Felipe Pires de Campos, que representa o acusado. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo a nota, dois filhos de Morgado têm problemas de saúde, sendo o mais novo, de 10 meses de idade, portador de condição grave, com recente internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). “Foi formulado pedido de prisão domiciliar, considerando a situação familiar delicada, uma vez que dois de seus filhos apresentam problemas de saúde, sendo o mais novo, de apenas 10 meses de idade, portador de condição grave, tendo inclusive sido internado em UTI recentemente”, informou o advogado. Paralelamente, a defesa já impetrou habeas corpus no Tribunal Regional Federal, buscando a revogação da prisão preventiva, solicitação que foi recusada. “Rodrigo Morgado nega categoricamente todas as acusações que lhe foram imputadas. Ressalta-se que ele possui milhares de documentos fiscais, contábeis e outros registros que comprovam o exercício regular e lícito de suas atividades profissionais, sem qualquer vínculo com o tráfico internacional de drogas. A defesa permanece confiante de que, com o avanço das investigações e a análise técnica do processo, a verdade será restabelecida e a inocência de Rodrigo Morgado reconhecida”, conclui a nota assinada por Felipe Pires de Campos. Acusações Rodrigo Morgado é investigado pela Polícia Federal por supostamente atuar como operador financeiro em um esquema internacional de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico de drogas da facção Primeiro Comando da Capital (PCC). A decisão da Justiça Federal que determinou sua prisão preventiva cita elementos do inquérito indicando que o contador organizou transações milionárias destinadas ao setor de apostas eletrônicas, utilizando empresas de fachada para ocultar a origem do dinheiro. De acordo com as apurações, Morgado controlava e executava operações financeiras para o PCC, movimentando valores por meio de criptoativos, apostas on-line e transferências para o exterior, com apoio de empresas registradas em nome de terceiros. Entre as movimentações identificadas constam repasses de cerca de R\$ 19 milhões a uma empresa ligada ao influenciador Bruno Alexssander Souza Silva, conhecido como Buzeira, também preso na operação. Outros R\$ 6,5 milhões teriam sido destinados à compra de uma mansão registrada em nome de uma empresa do mesmo círculo de investigados. Os investigadores também apuram a emissão de uma nota fiscal de R\$ 50 milhões por uma empresa brasileira em favor de uma companhia estrangeira de apostas, a SUPERBET88 INTERNATIONAL N.V., além da possível participação de Morgado na aquisição de um veleiro utilizado para transportar três toneladas de cocaína entre a África e a Europa. Desdobramentos A Operação Narco Bet é um desdobramento da Narco Vela, deflagrada em abril pela Polícia Federal para investigar o envio de oito toneladas de cocaína ao exterior. Morgado chegou a ser detido na Narco Vela, por posse de arma. Nesta nova fase, as autoridades cumpriram 11 mandados de prisão e 19 de busca e apreensão em quatro estados, além do bloqueio de bens e valores que ultrapassam R\$ 630 milhões. A investigação conta com o apoio da Polícia Criminal Federal da Alemanha (Bundeskriminalamt – BKA) e apuram lavagem de dinheiro, associação criminosa e possíveis ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC).