O Jeep Compass sorteado a funcionária em Santos e a Lamborghini Urus encontrada em São Paulo (Reprodução e Divulgação/ PF) Proprietário da Quadri Contabilidade - empresa que sorteou Jeep Compass a funcionária, demitiu a colaboradora e pegou o carro de volta em Santos -, o empresário Rodrigo Morgado foi preso em flagrante na manhã desta terça-feira (29) por porte ilegal de arma. A prisão aconteceu no âmbito da Operação Narco Vela, deflagrada pela Polícia Federal (PF) contra o tráfico internacional de drogas. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! A empresa de Morgado recentemente foi acusada de sortear um Jeep Compass para seus funcionários e, em seguida, tomar o veículo de volta da auxiliar de contabilidade Larissa Amaral da Silva, que foi a ganhadora do sorteio em confraternização de fim de ano da companhia. Segundo a PF, o armamento foi encontrado dentro de uma Lamborghini Urus roxa, carro de Morgado que custa entre R\$ 3 milhões e R\$ 4 milhões, em São Paulo, cidade onde o empresário foi preso. Outro carro de luxo de Morgado, uma Ferrari 296 GTB, avaliada em R\$ 4,2 milhões, foi apreendida na Riviera de São Lourença, em Bertioga, litoral paulista. A defesa do empresário foi procurada por A Tribuna. Em nota, o escritório de advocacia disse que não vai se pronunciar até a disponibilização completa dos autos para análise. A operação A Operação Narco Vela busca desarticular uma organização criminosa envolvida no tráfico internacional de drogas que utiliza embarcações como barcos e veleiros para atravessar o oceano transportando entorpecentes com destino à Europa e à África. Segundo o delegado federal Osvaldo Scalezi Júnior, as investigações começaram após a apreensão de um veleiro carregado com três toneladas de cocaína na costa da África, que aconteceu em fevereiro de 2023. Na ocasião, um velejador brasileiro foi detido pela guarda costeira americana. “Era um velejador que tinha uma grande experiência com travessias transoceânicas que foi cooptado pelo tráfico”, explicou o delegado em coletiva de imprensa. As drogas eram levadas por essas embarcações menores saídas do Brasil para navios de grande porte. Em alto-mar, velejadores buscavam os entorpecentes e os transportavam para a costa africana, na região das Ilhas Canárias ou de Cabo Verde. Embarcações e carros de luxo estão entre os objetos apreendidos pela Operação Narco Vela. Justiça Federal também determinou o bloqueio e a apreensão de bens que somam até R\$ 1,32 bilhão (Divulgação/Polícia Federal) Quando o velejador foi detido, o DEA (Drug Enforcement Agency, agência antidrogas dos Estados Unidos) notificou as autoridades brasileiras, e essa comunicação deu início às investigações. Outros carregamentos também foram interceptados em águas internacionais pela Guarda Civil Espanhola e pela Marinha Francesa. Através do trabalho investigativo, a PF levantou que, no Brasil, a organização criminosa atuava em quatro núcleos, sendo que o maior deles era o da Baixada Santista, que tinha como responsabilidade o armazenamento e o transporte das drogas em lanchas rápidas. “Por vezes, um velejador sozinho levava grandes quantidades de drogas em embarcações com péssimas condições para fazer a travessia. Esses navegadores eram cooptados pelo tráfico com a promessa de ganho alto de valores”, explicou o delegado. Ainda de acordo com o delegado, outro núcleo ficava na cidade de Limeira, no interior de São Paulo. Essa célula da organização fazia a contratação das embarcações maiores que realizavam a travessia transoceânica e mantinha contato com os produtores das drogas nos países da Bolívia, Peru e Colômbia. Até a manhã desta terça-feira, 23 pessoas haviam sido presas. Mais de 300 policiais federais e 50 policiais militares de São Paulo cumprem 31 mandados de prisão temporária, 62 de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Pará, Santa Catarina e Maranhão. Na Baixada Santista, as ordens judiciais estão sendo cumpridas nas cidades de Santos, Guarujá, Bertioga e Praia Grande. Além disso, quatro mandados de prisão preventiva também foram expedidos contra procurados brasileiros no exterior, mais especificamente nos Estados Unidos, Itália e Paraguai. A Justiça Federal determinou o bloqueio e a apreensão de bens que somam até R\$ 1,32 bilhão. Entre os itens apreendidos estão carros de luxo, entre eles a Ferrari 296 GTB, avaliada em R\$ 4,2 milhões, que foi localizada na Riviera de São Lourenço, em Bertioga. Segundo a PF, os investigados devem responder pelos crimes de tráfico internacional de drogas, associação para o tráfico e participação em organização criminosa.