Morgado, que sorteou o Jeep Compass, demitiu a funcionária e retomou o carro de volta, foi preso pela PF por porte ilegal durante a Operação Narco Vela. Ele foi solto nesta sexta-feira (2), após um pedido de habeas corpus feito por sua esposa, que é advogada (Reprodução/ Instagram e Divulgação/ PF) O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) concedeu liberdade provisória ao empresário Rodrigo Morgado, preso na terça (29) por porte ilegal de arma de fogo durante a Operação Narco Vela, da Polícia Federal (PF), deflagrada contra o tráfico internacional de drogas. Ele foi solto na tarde desta sexta-feira (2). Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! O empresário, de 29 anos, é sócio da Quadri Contabilidade, que sorteou um Jeep Compass em festa de confranternização, demitiu a funcionária que ganhou o carro e tomou o veículo de volta. O habeas corpus que soltou Morgado foi pedido pela esposa dele, que é advogada. Rodrigo Morgado foi detido em um hotel em São Paulo, durante a Operação Narco Vela. Endereços relacionados ao empresário, tanto na Capital quanto no litoral de São Paulo, eram alvo de busca e apreensão. Ao longo das buscas, a PF encontrou uma pistola, um carregador e 11 munições no interior de uma Lamborghini pertencente ao empresário. Por isso, ele foi preso em flagrante pelo crime de porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. A Tribuna teve acesso à decisão, proferida pelo juiz Lauro Mens de Mello, que substitui a prisão por medidas cautelares. Para o magistrado, ainda que Morgado seja investigado no contexto da operação, ele está sendo processado exclusivamente pelo porte de arma de fogo, o que “não revela a necessidade de custódia cautelar de imediato”, escreveu. “O paciente é primário, possui bom comportamento social e é devidamente registrado como CAC (Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador), o que, em princípio, legitima o porte de armas em algumas condições. Não há, portanto, elementos suficientes que demonstrem que a sua liberdade representaria um risco à ordem pública ou à instrução processual”, relatou o juiz na decisão. A prisão havia sido decretada pelo juiz Antonio Balthazar de Matos, que considerou o caso grave não apenas pela arma apreendida, mas também pela suposta ligação do empresário com a operação da PF. Em sua decisão, Mens de Mello ponderou que, ainda que haja gravidade na investigação que justifique a prisão de Morgado, cabe ao juiz natural do caso decretá-la. Ainda de acordo com Mello, a concessão de liberdade provisória “não comprometerá o curso do processo, pois a aplicação de medidas cautelares alternativas, que preservem a ordem pública e assegurem a conveniência da instrução, pode ser suficiente para assegurar o cumprimento da lei”. Dessa forma, o magistrado concedeu a liberdade provisória a Morgado. Contudo, ele deverá seguir medidas cautelares. Caso as descumpra, poderá voltar à prisão. Confira quais são as medidas: Proibição de portar armas de fogo até o fim do processo; Obrigação de se apresentar periodicamente à Justiça quando intimado; Deve comparecer quinzenalmente à Justiça para informar e justificar suas atividades; Deve fornecer novo endereço em caso de mudança; Deve solicitar autorização judicial para viagens por período superior a uma semana. Defesa Procurada, a adovgada Clara Ramos de Souza Morgado, esposa de Rodrigo e que atua em sua defesa, esclareceu em nota que a arma estava no carro do empresário, estacionado em um hotel onde se hospedava temporariamente em função de o seu filho, de cinco meses, estar internado na UTI do Hospital Albert Einstein. "Em razão da urgência, esqueceu-se de retirá-la", afirmou a advogada. Ainda segundo a defesa, Rodrigo permanece à disposição das autoridades e "confia plenamente na elucidação dos fatos". A respeito do sorteio do Jeep Compass, a defesa informou que o caso foi resolvido amigavelmente, com acordo formalizado entre as partes envolvidas. Operação A Operação Narco Vela, da Polícia Federal, visa desarticular uma organização criminosa envolvida com o tráfico internacional de drogas por meio de embarcações como veleiros e barcos. O esquema levava drogas do Brasil até a Europa e a África, principalmente via Ilhas Canárias e Cabo Verde. As investigações começaram após a apreensão de três toneladas de cocaína em um veleiro na costa africana, em fevereiro de 2023. O velejador preso era um brasileiro experiente em travessias oceânicas, cooptado pelo tráfico. Segundo o delegado federal Osvaldo Scalezi Júnior, o transporte era feito por veleiros que recebiam a droga em alto-mar e levavam até o destino final. A organização criminosa operava no Brasil em quatro núcleos, sendo o principal na Baixada Santista, responsável pelo armazenamento e envio das drogas em lanchas rápidas. Outro núcleo atuava em Limeira (SP), cuidando da contratação das embarcações e do contato com produtores de cocaína na Bolívia, Peru e Colômbia. A operação cumpriu 31 mandados de prisão temporária e 62 de busca e apreensão em cinco estados, além de quatro mandados de prisão preventiva contra foragidos no exterior (EUA, Itália e Paraguai). Até agora, 23 pessoas foram presas. A Justiça Federal determinou o bloqueio de bens até o valor de R\$ 1,32 bilhão. Foram apreendidos carros de luxo, entre eles uma Ferrari avaliada em R\$ 4,2 milhões, localizada na Riviera de São Lourenço, em Bertioga, também pertencente a Rodrigo Morgado. Os investigados responderão por tráfico internacional de drogas, associação para o tráfico e organização criminosa. Sorteio do Jeep A auxiliar de contabilidade Larissa Amaral da Silva, de 25 anos, ganhou um Jeep Compass no sorteio promovido pela empresa onde trabalhava no bairro Gonzaga, em Santos. Ela teve que arcar com R\$ 10 mil em manutenção, pois o carro apresentava defeitos. Posteriormente, foi demitida e a Quadri Contabilidade tomou o veículo de volta. Diante da situação, Larissa disse que, junto com seus advogados, pretendia entrar com uma ação trabalhista contra a empresa, que afirmou ter retomado o veículo porque a ex-funcionária teria descumprido as regras do sorteio. Larissa fez um desabafo em suas redes sociais. Na publicação, ela relatou que passava por uma situação muito grave com a empresa onde trabalhou e que buscava por justiça e proteção. O carro é um modelo 2017 e, segundo os advogados, é sinistrado e está avaliado em cerca de R\$ 88 mil na tabela Fipe. No entanto, a defesa afirmou que o dono da empresa o anunciava como um prêmio de R\$ 100 mil. A Quadri Contabilidade, por meio de nota, em resposta às recentes divulgações e questionamentos sobre o caso, salientou que, "ao manifestar seu interesse em participar do sorteio promovido, Larissa aderiu integralmente aos termos e condições estabelecidos no regulamento pertinente". Por fim, a empresa lamentou profundamente a postura adotada pela ex-funcionária e os transtornos causados a seu proprietário e familiares, reafirmando seu "compromisso inabalável com a transparência e a legalidade em todas as suas operações. A empresa deposita sua confiança na prevalência da verdade".