Em quase dois anos, Polícia Civil prende mais de 3 mil pessoas na região

Entre elas está o 'serial killer da peruca', considerado um dos mais procurados do Estado

Por: Eduardo Velozo Fuccia & Da Redação &  -  02/12/18  -  10:12
Serial killer foi preso na quinta-feira e era considerado um dos mais procurados no Estado de SP
Serial killer foi preso na quinta-feira e era considerado um dos mais procurados no Estado de SP   Foto: Vanessa Rodrigues/AT

Os holofotes da mídia se acenderam na última quinta-feira (29) para a captura, em Santos, do dentista Flávio do Nascimento Graça, apontado como o 'serial killer da peruca'. Porém, mais 3.784 pessoas foram presas na região, pela Polícia Civil, de janeiro de 2017 até o novembro deste ano, apenas nas operações que a instituição realiza mensalmente nas 24 cidades da Baixada Santista, do Litoral Sul e do Vale do Ribeira.


Na hipótese de serem contabilizadas as prisões efetuadas pela Polícia Militar e pela própria Polícia Civil, fora das operações mensais, esse número é ainda maior e passa de 5 mil, conforme salienta e estima o delegado Manoel Gatto Neto, diretor do Departamento de Polícia Judiciária do Interior-6 (Deinter-6).


Acusado de eliminar três irmãos ligados à Clínica Americana e tentar matar a tiros uma funcionária da rede de consultórios odontológicos, Flávio não era um anônimo perante os meios policiais e a sociedade. Ele integrava a relação dos “mais procurados” da Polícia Civil de São Paulo, tendo a sua fotografia e o seu nome estampados no site da instituição.


Flávio aparecia na lista dos mais procurados da Polícia Civil no Estado
Flávio aparecia na lista dos mais procurados da Polícia Civil no Estado   Foto: Reprodução

No entanto, o chefe da Polícia Civil na região observa que ela direciona o seu trabalho para capturar todos os procurados, indistintamente. “É o nosso dever localizar e prender todos os ‘flávios’. Um criminoso solto gera desassossego social. Por isso, retirar um procurado das ruas representa dar uma resposta aos delitos que ele praticou e, muitas vezes, impedir o cometimento de outros”.


No cenário estadual, o Deinter-6, que possui as delegacias seccionais de Santos, Itanhaém, Registro e Jacupiranga, tem posição de destaque nas operações mensais da Polícia Civil. Das 3.784 prisões efetuadas nos últimos 23 meses, 895 decorreram de flagrantes e 2.889 do cumprimento de mandados de prisão criminais.


Nesses números não estão incluídos os presos em decorrência de mandados de prisão civis (799), os adolescentes infratores apreendidos (879) e as detenções de autores de infrações de menor potencial ofensivo (5.776), liberados após a elaboração de termos circunstanciados (TCs).


“As operações são planejadas para os objetivos serem alcançados sem incidentes. Elas têm caráter repressivo, mas refletem na prevenção, reduzindo a incidência criminal. As maiores quedas são verificadas nos delitos contra o patrimônio, como furtos e roubos. Os resultados expressivos não decorrem apenas da quantidade de prisões, mas de apreensões de drogas e de armas de fogo (128 em 2017 e 79 neste ano, até novembro)”, explica Gatto.


Em relação aos entorpecentes retirados de circulação, o diretor do Deinter-6 não se limita aos números das operações. O delegado Gatto divulga dados do Centro Regional de Informática e Monitoração de Estatística Policial (Crimep), que engloba todas as drogas apreendidas por policiais civis na região, entre 2017 e setembro deste ano. Entre maconha, cocaína e crack, elas totalizam 32,9 toneladas.


De 2017 até agora, foram apreendidas 32,9 toneladas de droga pela Polícia Civil
De 2017 até agora, foram apreendidas 32,9 toneladas de droga pela Polícia Civil   Foto: Arte: Mônica Sobral/AT

Fatores


A redução dos principais indicadores de criminalidade desde 2014, na faixa compreendida entre os municípios de Bertioga e Barra do Turvo, na divisa com o Paraná, é creditada pelo diretor do Deinter-6 a três fatores principais: as operações mensais da Polícia Civil, as ações conjuntas da instituição com a Polícia Militar e o trabalho de prefeitos da região em prol da segurança pública.


“Quando uma cidade aumenta o efetivo, equipa e qualifica com treinamentos e cursos a sua guarda municipal, as polícias Civil e Militar têm o seu trabalho revestido de maior êxito. Na região, o principal exemplo vem de Praia Grande, que possui o maior e mais moderno sistema de monitoramento por câmeras. Além disso, a boa zeladoria da cidade favorece a redução dos índices de violência”, destaca Manoel Gatto.


Dados do Crimep mostram que a incidência dos homicídios, latrocínios e furtos em geral vem diminuindo anualmente, de 2014 até outubro deste ano (confira o quadro). Em relação aos assassinatos, o número desses delitos despencou de 209 para 127. Os roubos seguidos de morte e os furtos caíram, respectivamente, de 28 para 13 e de 31.194 para 21.849 no período. Também foi verificada a queda dos furtos de veículos e a dos roubos em geral e de veículos.


Números de ocorrências tiveram quedas ao longo dos anos
Números de ocorrências tiveram quedas ao longo dos anos   Foto: Arte: Mônica Sobral/AT

Sensação de insegurança


Apesar dos indicadores favoráveis do Crimep, Gatto reconhece que paira sobre a população uma sensação de insegurança, mas tem uma explicação para esse sentimento. “A tecnologia atual possibilita que a notícia de um crime seja disseminada simultaneamente à prática da ocorrência. Mas não se verifica, na maioria das vezes, a mesma velocidade quando um caso é esclarecido”.


O delegado também cita as notícias falsas para aumentar a sensação de insegurança da população. “Nas redes sociais proliferam as fake news. Por exemplo, houve o caso de um passageiro de ônibus atingido por uma flechada no Nordeste, mas a notícia circulou por aqui como se tivesse sido na Baixada Santista. O roubo de um carro na Linha Amarela, no Rio de Janeiro, também foi divulgado como se fosse na via de mesmo no nome que fica em São Vicente”.


Logo A Tribuna