O eletricista ameaçava as mulheres, as forçava a entrar dentro do carro e em outro local, cometia o estupro (Reprodução/Polícia Civil) Um eletricista e procurado da Justiça de 44 anos foi preso no Polo Industrial de Cubatão, no estacionamento da empresa em que trabalha, na tarde de terça-feira (1º), por estuprar e roubar duas mulheres em Cubatão no intervalo de 14 horas. Nos crimes, ele ameaçava as vítimas com uma arma (possivelmente de airsoft) e as obrigava a entrar em um carro Chevrolet Prisma. Depois, as levava a outro local e cometia a violência sexual. (Veja no vídeo mais abaixo) Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A Tribuna teve acesso aos boletins de ocorrência e às imagens de câmeras de monitoramento que mostram o momento em que o eletricista coloca uma das vítimas dentro do carro. O primeiro crime ocorreu na Rua Albertina Couto, no bairro Jardim Nossa Senhora de Fátima, em Cubatão, por volta das 22h55 da última quinta-feira (26). No vídeo, é possível ver a vítima andando rapidamente pela rua quando o eletricista, dirigindo o Prisma, se aproxima, desce do carro apontando uma arma e obriga a mulher a entrar no automóvel. Em seguida, vai embora com ela. -Eletricista preso estupro (1.468279) Segundo o boletim de ocorrência, a Polícia Militar (PM) foi acionada via Centro de Operações da PM (Copom) para comparecer ao Pronto-Socorro (PS) Central e prestar apoio a uma vítima de agressão. No local, os agentes constataram que a mulher havia sofrido agressão sexual. A vítima, de 33 anos, relatou que, ao sair da autoescola, foi abordada enquanto caminhava até a rodoviária por um veículo preto. O motorista apontou uma arma e ordenou que ela entrasse. Durante o trajeto, amarrou seus braços com enforca-gato e a ameaçou, alegando que ela era esposa de um policial, por ter o mesmo sobrenome do marido. Ela negou, dizendo ser casada há 15 anos e sem parentes policiais. Em determinado momento, o eletricista a obrigou a tirar a roupa e iniciou o estupro. Após o ato, deixou a vítima no PS Central e roubou seu celular. O marido, avisado por um amigo, foi até a unidade de saúde. A mulher informou que o local da abordagem tinha câmeras de segurança e permaneceu no PS para exames. Em nova versão do BO, acrescentou que o autor engatilhava a arma durante o estupro e usou leite condensado durante o ato. A vítima foi encaminhada ao Instituto Médico Legal (IML) para exames. O outro crime O segundo crime aconteceu na Rua Almirante Barroso, em frente a uma escola no bairro Jardim Vila Couto, por volta das 13h40 da sexta-feira (27). Em imagens obtidas por A Tribuna, é possível ver o carro do eletricista aparecendo nas imediações da unidade de ensino. Segundo o boletim de ocorrência, uma policial militar compareceu à delegacia por volta das 17h05 após ser acionada por uma mulher que alegava ter sido estuprada. A vítima, de 36 anos, relatou que foi abordada em frente à Unidade Municipal (UME) Professor José da Costa por um homem pardo, magro, com cerca de 1,67m, armado com uma pistola. O eletricista a forçou a entrar no Prisma, mandou que se deitasse no banco traseiro com o rosto voltado para o encosto e ameaçou matá-la caso olhasse para ele. Durante o crime, o homem afirmou saber que ela era esposa de um policial com dívida no crime organizado e que ela “pagaria” por ele. Segundo a vítima, ele usava fones de ouvido e, em uma ligação, perguntava se deveria libertá-la ou matá-la, mencionando ainda a necessidade de “se livrar do carro preto usado no delito de ontem”. A mulher permaneceu cerca de uma hora no carro, em uma área de mata. Após ser abandonada e o homem ir embora, a vítima caminhou até encontrar dois homens num carro prata, que a socorreram e informaram que ela estava na região do Quilombo, em Santos. Os homens levaram a mulher até a casa dela. A vítima tomou banho, cancelou o cartão de crédito e foi ao Batalhão da PM com o filho. Ela foi ouvida, encaminhada ao IML e ao PS Central para atendimento médico, exames e acompanhamento psicológico. O homem, que cometeu o estupro, conseguiu roubar seu celular, o cartão de crédito e o RG. Coletiva de imprensa Em coletiva no Palácio da Polícia de Santos na tarde desta quinta-feira (3), a delegada da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Cubatão, Mayla Ferreira, e o delegado seccional de Santos, Rubens Barazal , detalharam a investigação. Mayla contou que, após colher os depoimentos das vítimas, iniciou a investigação com equipes da DDM, Deinter-6 e do 7º Distrito Policial (DP), que percorreram os locais dos crimes e coletaram imagens de câmeras de monitoramento. “Com os relatos detalhados das vítimas, iniciamos as diligências de campo. Eu, minha equipe e uma força-tarefa da Polícia Civil de Santos conseguimos diversas imagens que, analisadas em conjunto, permitiram identificar a placa e o modelo do veículo. Descobrimos que era registrado no nome da esposa do suspeito, o que nos levou até ele”, disse a delegada. Mayla afirmou que a polícia fez levantamento das câmeras da casa do eletricista, de modo que foi possível confirmar que os horários que ele saiu com o veículo eram compatíveis com os horários dos estupros. "Nesse momento, a gente viu que a primeira versão informal que ele estava dando de que não estava com o veículo não era verdadeira. Também ouvimos a esposa dele na delegacia e, no dia seguinte, nós chamamos as vítimas para fazerem o reconhecimento. Elas, com absoluta convicção, afirmaram que se tratava do autor do crime”. Segundo a policial, o eletricista foi localizado no estacionamento de uma empresa no Polo Industrial de Cubatão. Enquanto parte da equipe fazia campana, outra cumpria mandados de busca e apreensão. O homem foi abordado e preso assim que saía do trabalho. O homem usava um Chevrolet Prisma para cometer os crimes. Ele foi preso no estacionamento da empresa que trabalha no Polo Industrial em Cubatão (Reprodução/Polícia Civil) A delegada complementou que o eletricista tem passagens pela polícia, por violência doméstica da ex-mulher e medida protetiva no ano de 2023. Além disso, há boletim de ocorrência registrado em seu desfavor de porte ilegal de arma de fogo. Mayla contou que a Polícia acredita que possam ter outras vítimas e que, de forma informal, o homem negou os crimes. “Nós não descartamos essa possibilidade de haver novas vítimas, porque ele tinha um discurso muito intimidatório. Quando ele liberou as vítimas, ele as ameaçou dizendo que sabia onde elas moravam e que, se caso elas denunciassem, ele voltaria para matá-las. Então, é possível, sim, que tenha alguma vítima que tenha sofrido essa violência sexual e eventualmente, por medo, não tenha procurado a polícia e registrado o boletim de ocorrência”. Agora, a Polícia Civil vai colher todas as provas e documentos do processo e representar pela prisão preventiva do eletricista. Por medo Barazal complementou que o homem, que mora em Guarujá, conseguia amedrontar e forçar as vítimas, pois alegava que elas eram esposas de policiais ou que tinha ordens do crime organizado para matá-las. “Ele passava a intimidar essas vítimas de forma que elas se sentiam subjugadas. Pedia para que não olhassem em seu rosto e acabava cometendo o ato sexual forçoso”, destacou. O delegado comentou ainda que considera o autor um predador ‘sexual’ e também não descartou que ele possa ter feito outras vítimas. Barazal contou também que, no dia dos crimes, o homem passou na casa da ex-companheira para pegar a suposta arma usada nas duas ações. O delegado também destacou o trabalho de todas as delegacias e policiais envolvidos na operação para capturar o procurado da Justiça. A Tribuna tentou localizar a defesa do eletricista, porém não obteve sucesso. O espaço segue aberto para sua manifestação.