Até agora, cinco vítimas já foram identificadas oficialmente, mas a polícia acredita que o número pode ser maior (Reprodução) Dois homens, de 34 e 37 anos, foram presos pela Polícia Civil acusados de comandar uma rede criminosa que aplicava golpes, extorsão e estelionato em Guarujá, no litoral de São Paulo. Eles atraíam vítimas por aplicativos de relacionamento voltados ao público LGBTQIA+ e alugavam imóveis com documentos falsos para lucrar com sublocações sem pagar os proprietários. O caso foi confirmado pelo delegado titular da Delegacia Sede de Guarujá, Glaucus Vinícius Silva, em entrevista para A Tribuna. (Veja vídeo mais abaixo) Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! As prisões ocorreram nesta terça-feira (1º), em uma pousada alugada pela dupla. Segundo Silva, eles já eram investigados há mais de seis meses por uma série de crimes inicialmente tratados como fatos isolados, envolvendo tanto estelionato imobiliário quanto roubos e ameaças a gays. A polícia descobriu que os dois atuavam em conjunto. Golpes em aplicativos e ameaças com fotos íntimas De acordo com o delegado, um dos capturados agia sozinho para abordar vítimas em um aplicativo de relacionamentos voltado ao público gay. “Ele fingia interesse em um romance, mas, desde as conversas, já induzia a vítima a mandar fotos íntimas e outras informações comprometedoras”, explica. No encontro presencial, ele usava uma arma falsa (simulacro) para intimidar, roubar pertences e, em alguns casos, algemar as vítimas. A vítima foi algemada e obrigada a fugir para um posto policial, onde os agentes tiveram que cortar a algema com um alicate profissional (Reprodução) “Teve um caso, em maio, em que a vítima foi algemada e obrigada a fugir para um posto policial, onde os agentes tiveram que cortar a algema com um alicate profissional”, conta Silva. Depois do encontro, o homem continuava extorquindo a vítima com ameaças de divulgar as fotos íntimas, expondo-as publicamente e até mencionando onde a pessoa morava ou trabalhava. Fraudes imobiliárias O outro investigado era responsável pela chamada “engenharia” dos golpes em imóveis. Usando identidades falsas e até seguros-fiança forjados, ele alugava casas e pousadas de grande porte para explorar financeiramente com locações de curta temporada ou por quartos. Porém, pagava apenas a primeira ou segunda parcela do aluguel, e abandonava o imóvel quando os proprietários começavam a cobrar ou ingressavam na Justiça. Segundo o delegado, os dois usavam essas casas alugadas para receber as vítimas dos encontros marcados por aplicativo. Em alguns casos, eles também revendiam bens das vítimas por meio de perfis falsos em redes sociais. Investigação e prisão O delegado afirma que os investigadores notaram uma coincidência entre endereços alvos de queixas de estelionato e endereços para onde as vítimas de roubo diziam ter sido levadas. “Foi aí que as peças se encaixaram. Descobrimos que eles tinham uma empresa aberta em nome próprio para receber pagamentos dessas sublocações e vendiam produtos roubados nas redes sociais”. As mensagens enviadas, segundo o delegado, tinham o objetivo de amedrontar a vítima para obter senhas e não denunciar o crime. A dupla foi detida por mandado de prisão temporária, acusada de roubo, extorsão e estelionato. Até agora, cinco vítimas já foram identificadas, mas a polícia acredita que o número pode ser maior. Para o delegado, a prisão aconteceu no momento certo: “Eles estavam ficando cada vez mais ousados e agressivos. Se não fossem presos agora, a situação poderia terminar em tragédia. Eles não demonstram nenhuma empatia pelas vítimas”. A Polícia Civil segue investigando para identificar mais vítimas, inclusive em outras cidades do Estado. O delegado também deixa um alerta para a população: “As pessoas precisam ter cuidado com redes sociais, com a exposição de dados e com encontros marcados por aplicativos. É perigoso”.