Postos foram autuados e tiveram as bombas lacradas por irregularidades em Praia Grande (Leandro Guedes/ TV Tribuna) Dois postos de combustíveis de Praia Grande, no litoral de São Paulo, alvos da Operação Octanagem, realizada no último dia 21, continuam com as bombas lacradas. A ação investiga estabelecimentos ligados ao empresário Mohamad Hussein Mourad, conhecido como Primo, principal alvo da Operação Carbono Oculto e acusado de lavar dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Cinco postos da Baixada Santista foram alvo da Operação Octanagem. A Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão em três postos de combustíveis de Praia Grande e dois de Santos. Também houve cumprimento de medida em um posto de Araraquara, no interior de São Paulo. Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), em Praia Grande, o Auto Posto Quasar Ltda., na Avenida Presidente Kennedy, teve interdição parcial de bicos e tanques de gasolina comum fora de especificação, com 90% de etanol. Já o Auto Posto Platinum Ltda., na Avenida Dr. Roberto de Almeida Vinhas, teve um bico de etanol hidratado comum interditado por “bomba baixa” — fornecimento de menos combustível do que o indicado. Em ambos os casos, ainda não houve pedido de desinterdição. De acordo com a ANP, os estabelecimentos autuados estão sujeitos a multas entre R\$ 5 mil e R\$ 5 milhões, além de possíveis sanções como suspensão e revogação da autorização de funcionamento. As penalidades são aplicadas após processo administrativo, com direito à ampla defesa e ao contraditório. A interdição, por sua vez, é uma medida cautelar para proteger o consumidor, evitando a venda de combustíveis adulterados ou fora das especificações. Após a correção das irregularidades e inspeção da ANP, o posto pode ser liberado para voltar a funcionar, sem prejuízo de eventuais penalidades. Denúncias sobre irregularidades no mercado de combustíveis podem ser encaminhadas à ANP pelo telefone 0800-970-0267 (ligação gratuita) ou pelo FalaBR, plataforma de ouvidoria e acesso à informação da Controladoria-Geral da União (CGU). Octanagem De acordo com a Polícia Civil, os postos estavam registrados em nome de Himad Mourad, primo de Mohamad e um dos principais “laranjas” do esquema de sonegação fiscal, adulteração de combustíveis e lavagem de dinheiro do PCC. Alguns desses postos tiveram as bombas lacradas — em alguns casos, de forma total, e em outros, parcial. A Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) informou que a operação constatou adulterações e fraudes volumétricas em postos, com lacração de bombas e apreensão de máquinas de cartão, computadores e documentos financeiros. Também foram identificados indícios de uso de empresas de fachada para ocultar os reais proprietários. Um posto no bairro do Macuco, em Santos, foi autuado por lacres rompidos e quatro bicos reprovados por dígitos ilegíveis. Já no Auto Posto Quasar, na Vila Caiçara, em Praia Grande, foram encontradas fraudes volumétricas e adulteração no combustível, com 90% de etanol misturado à gasolina. O Auto Posto Platinum, na Vila Mirim, também em Praia Grande, teve bomba lacrada por fraude volumétrica. A Operação Octanagem é conduzida pela Polícia Civil com apoio da ANP, do Instituto de Pesos e Medidas do Estado de São Paulo (Ipem-SP) e da Secretaria da Fazenda. O objetivo é atingir o braço “varejista” do PCC, que segue operando mesmo após a Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto para investigar 15 alvos apontados como sócios de 251 postos de combustíveis em diversos estados, sendo 33 na Baixada Santista. “Estamos analisando esses postos para verificar se estão em condições adequadas de consumo, se há sonegação fiscal e para identificar os sócios ocultos envolvidos nesse esquema criminoso”, afirmou o delegado Tiago Fernando Correia, responsável pela operação, à TV Tribuna. Carbono Oculto Deflagrada em agosto, a Operação Carbono Oculto mirou mais de 350 pessoas e empresas suspeitas de auxiliar o PCC na lavagem de dinheiro. Segundo decisão judicial, 15 alvos têm ligação direta com o esquema. O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) não informou se os 251 postos estão formalmente sob investigação, alegando sigilo. Já a Receita Federal afirmou que mais de mil estabelecimentos foram usados pela facção criminosa, sem divulgar a lista. Conforme divulgado pelo g1, no Estado de São Paulo há 233 postos ligados ao esquema, sendo 33 na Baixada Santista.