Wanderley Guanais Mineiro (à direita) foi encontrado morto em prédio de Praia Grande; eletricista, à esquerda, é suspeito de matar o corretor (Polícia Civil e Reprodução/ Redes sociais) A família do corretor de imóveis Wanderley Guanais Mineiro, de 63 anos, divulgou uma nota de repúdio contestando a versão apresentada pelo eletricista Cassius Maximiliano Brancatti, de 48 anos, suspeito de matá-lo em um prédio em construção na Vila Tupi, em Praia Grande, no litoral de São Paulo. O homem foi preso na terça-feira (11) após a Polícia Civil cumprir um mandado de prisão temporária em sua residência. Ele confessou o crime durante o depoimento e alegou ter mantido um relacionamento afetivo com Wanderley, versão que, segundo a família, é falsa e ofensiva. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com a investigação, Wanderley foi morto na manhã de domingo (9). Câmeras de segurança registraram o eletricista entrando no edifício após a chegada do corretor e deixando o local cerca de 20 minutos depois, levando a mochila de Wanderley. O corpo dele foi encontrado na segunda-feira (10) por um funcionário da obra, no banheiro do primeiro andar, com ferimentos de faca no pescoço. A defesa do suspeito afirma que o crime teria sido motivado por um desentendimento ligado a um suposto relacionamento amoroso entre os dois. Para a família, no entanto, essa narrativa não tem qualquer respaldo e configura uma tentativa de minimizar a responsabilidade do eletricista. “A versão apresentada pelo suspeito de que o assassinato teria sido motivado por um suposto ‘relacionamento amoroso’ é veementemente refutada por esta família e por todas as provas de vida de Wanderley”, diz o texto assinado pela advogada Ingridt Klaesener. Segundo a nota, a linha adotada pelo investigado é “uma estratégia processual desprovida de qualquer lastro fático, com o objetivo de desviar o foco da gravidade do ato criminoso e tentar a redução ou mitigação da pena”. Personalidade de Wanderley A família também destaca que Wanderley sempre manteve relacionamentos exclusivamente com mulheres e que jamais houve qualquer situação que pudesse sugerir ameaça, vergonha ou chantagem relacionada à sua vida pessoal. “Mesmo que, por hipótese, sua orientação fosse diversa, a família reitera que jamais existiria qualquer ‘ameaça’. Wanderley sempre teve o irrestrito apoio e amor dos familiares”, destaca a nota. O texto ainda contesta as circunstâncias descritas pelo suspeito, classificando a versão como incompatível com a personalidade de Wanderley. Para os familiares, é “ultrajante” sugerir que o corretor manteria relações sexuais em um banheiro de obra, às 8h de um domingo. “Wanderley era reconhecido por seu refinamento, hábitos de higiene e zelo por sua aparência. Era reservado e jamais se exporia a tal situação”, afirma a família. Na nota, a família pede respeito ao luto e reforça que tem sido obrigada a lidar não apenas com a morte violenta de Wanderley, mas também com o que chama de “difamação póstuma”. Eles exigem rigor na apuração e afirmam esperar que o sistema de justiça “ignore e rebata tais alegações mendazes”. O suspeito deve responder por homicídio doloso qualificado, cuja pena varia de 12 a 30 anos. O caso segue sob investigação da Polícia Civil.