O chef de Santos constrangeu a candidata à vaga de emprego no restaurante com perguntas de cunho sexual (FreePik/ Imagem ilustrativa) O chef de cozinha Alexandre Aparecido Fernandes foi condenado por assédio sexual após constranger uma candidata com perguntas íntimas durante entrevista de emprego em um restaurante no bairro da Ponta da Praia, em Santos, no litoral de São Paulo. A decisão não cabe mais recurso. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A Tribuna teve acesso à sentença que condenou o acusado em segunda instância. Alexandre Aparecido Fernandes recebeu pena de um ano de prisão em regime aberto, convertida em indenização equivalente a quatro salários-mínimos. A decisão foi publicada no dia 19 de dezembro de 2025. O caso ocorreu em 17 de fevereiro de 2021, em restaurante localizado atualmente na Avenida Rei Pelé. Conforme o documento obtido por A Tribuna, durante a entrevista, o chef perguntou à candidata: “Como uma moça bonita como você se satisfaz?” Em seguida, insistiu: “Como que uma moça tão bonita assim faz para gozar?” Na sentença, a Justiça destacou que o réu utilizou sua condição hierárquica para tentar obter vantagem de cunho sexual, ciente da necessidade da vítima de conseguir o emprego. Mesmo não tendo registros formais da entrevista, mensagens enviadas pelo chef à candidata reforçaram o relato apresentado por ela. Denúncia O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou o chef pelo crime de assédio sexual. De acordo com o processo, a candidata relatou que foi recebida por Alexandre, vestido com uniforme de chef, em uma sala reservada para a entrevista. Após perguntas iniciais sobre nome, idade, estado civil e filhos, ele passou a fazer questionamentos de natureza sexual. A mulher afirmou que protestou, ressaltando que estava ali para uma entrevista de trabalho, mas o réu insistiu, levando-a a encerrar a entrevista. Depois do ocorrido, a candidata recebeu uma proposta para atuar em outro setor do restaurante. Ela chegou a aceitar, mas pediu demissao após dois dias. Posteriormente, recebeu diversas mensagens de Alexandre Fernandes pelo WhatsApp, convidando a se encontrarem em um ‘local aconchegante’. Primeira decisão Na primeira instância, Alexandre foi condenado pelo Juizado Especial Criminal de Santos (Jecrim) à pena de um ano de prisão em regime aberto, que foi convetida por prestação pecuniária no valor de quatro salários-mínimos. A defesa recorreu, alegando fragilidade das provas e inocência. O réu não compareceu em juízo para apresentar sua versão, mas declarou na fase policial que agiu por interesse pessoal, negando intenção de constranger a candidata ou obter favores sexuais. Decisão em segunda instância A relatora do processo, Márcia Faria Mathey Loureiro, do Colégio Recursal dos Juizados Especiais, considerou que havia provas suficientes do assédio, destacando a firmeza do relato da vítima e as mensagens enviadas pelo acusado. “A tese defensiva de mero interesse pessoal não se sustenta diante da clara relação de poder e da vulnerabilidade da vítima, que buscava uma oportunidade de trabalho”, afirmou a magistrada. A Justiça manteve a condenação, que não cabe mais recurso. A Tribuna não conseguiu contato com a defesa do acusado, mas o espaço segue aberto para manifestações.