Rua próxima à balada no Centro de Santos fica lotada e causa transtornos a moradores, comerciantes e frequentadores (Arquivo pessoal / Reprodução) Uma casa noturna localizada na Rua Itororó, no Centro de Santos, no litoral de São Paulo, tem sido alvo de constantes reclamações por parte de moradores e comerciantes da região. Segundo relatos coletados pela reportagem de A Tribuna, os problemas começaram no início do ano e se intensificaram principalmente nas noites de sexta e sábado, quando o público é maior. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Som alto, uso de entorpecentes, tráfico de drogas e uma sequência de furtos têm feito com que muitas pessoas evitem o local durante o horário de funcionamento da balada. Frequentadores também afirmam que a movimentação nas ruas transforma o entorno em “um cenário de caos”. Um comerciante que mora na mesma rua do estabelecimento e preferiu não ser identificado relatou que o impacto é direto no cotidiano: “Não é só barulho, é insegurança total. Há assalto, briga, venda de drogas, ambulantes acumulando sujeira. Até um frei que morava aqui na rua teve que ir embora nos fins de semana, porque não consegue dormir”, afirma. O comerciante destaca que a presença de policiamento não tem sido suficiente: “Tem viatura parada na frente da casa noturna, mas não adianta”. Uma moradora da Zona Noroeste que esteve apenas uma vez na balada disse que não pretende retornar: “A casa é bonita, mas lá fora é outra história. Tem muita gente mal-intencionada, uma molecada que fica esperando pra roubar quem sai sozinho. Fumaça de maconha, xixi na rua, som estourando. Então, prefiro ir numa balada perto de casa”. Outro frequentador, que foi ao local nas primeiras semanas de funcionamento, descreve o entorno como “um fluxo de quebrada”: “Quando está lotado, os funcionários não dão conta, e lá fora vira confusão. Já vi arrastões, ‘falso Uber’ abordando quem tá vulnerável. Não volto mais". Segundo comerciantes e moradores, já houve contato com a Polícia Militar, Guarda Civil Municipal (GCM) e a Prefeitura de Santos, mas sem resultados práticos até o momento. Posicionamentos Em nota, a Secretaria Municipal de Segurança de Santos (Seseg) informou que não houve registro de furtos ou uso de entorpecentes na Rua Itororó, especialmente nos arredores da casa noturna. Mesmo assim, destacou que a Guarda Civil Municipal (GCM) realizou operações no local, ao longo deste ano, com o objetivo de verificar o cumprimento da lei do silêncio, a regularidade de alvarás de funcionamento de estabelecimentos comerciais e casas noturnas, documentação de ambulantes, além de coibir a perturbação do sossego, aglomeração de pessoas, bloqueio de via pública e veículos estacionados irregularmente. A secretaria ressaltou que, nessas operações, a GCM atua em conjunto com a Polícia Militar (PM), a Vigilância Sanitária e demais órgãos da Prefeitura de Santos para fiscalizar estabelecimentos comerciais em geral, o que inclui casas noturnas e bares. O município cita ainda que a população e os frequentadores podem acionar diretamente a GCM, pelo 153, e outros órgãos em caso de insegurança ou flagrante de irregularidade. Os munícipes também podem fazer denúncias à Ouvidoria Municipal, pelo telefone 162, pela internet ou presencialmente, no térreo do Paço Municipal (Praça Mauá, s/nº, Centro). "Ainda é fundamental reforçar que o combate e a investigação de furtos, roubos e outros delitos são de responsabilidade das autoridades policiais. Contudo, a GCM dá apoio às forças de segurança, inclusive com forças-tarefas contínuas para coibir a perturbação do sossego, aglomerações e outras irregularidades. Vale lembrar, por fim, que Santos conta com mais de 3 mil câmeras para videomonitoramento interligadas ao Centro de Controle Operacional (CCO) do Município, cujas imagens são disponibilizadas em tempo real, 24 horas por dia, para que órgãos como as polícias Civil e Militar e Corpo de Bombeiros possam ampliar a sua atuação". A Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) afirmou que o combate à poluição sonora é uma de suas prioridades, com mais de 705 mil chamadas atendidas neste ano. A pasta reforçou que utiliza inteligência para prevenir grandes aglomerações e orientar fiscalizações. A SSP acrescentou que denúncias podem ser feitas pelo 190, Disque-Denúncia 181 ou Delegacia Eletrônica — canais que garantem anonimato. A casa noturna Em nota, a casa noturna explicou que "o bairro central de Santos, especialmente nas imediações da Rua General Câmara, era historicamente uma área com baixo fluxo noturno, o que naturalmente acabava por atrair usuários de drogas e ocasionar pequenos furtos no entorno, situação anterior à instalação do estabelecimento. Infelizmente, tais ocorrências estão relacionadas ao contexto urbano da região central, e não a qualquer atividade promovida pela casa". A balada acrescentou que "cumpre integralmente as normas previstas na Lei do Happy Centro, além de investir constantemente em controle de acesso. Nosso compromisso é oferecer um ambiente seguro, cultural e acolhedor para o público que frequenta o espaço". Quanto às ocorrências externas, a casa noturna ressaltou que "não há registros de incidentes dentro da casa, tampouco relatos formais de frequentadores que indiquem risco interno. Ainda assim, visando colaborar com o ordenamento urbano, já foram elaborados ofícios à Polícia Militar, Guarda Municipal e CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), solicitando reforço no patrulhamento, apoio operacional e orientação no trânsito". A balada afirmou que está à disposição das autoridades e da comunidade para colaborar no que for necessário para a melhoria contínua da região central, "contribuindo para o desenvolvimento cultural e econômico da cidade". Veja novo posicionamento da casa noturna