Ataques de bandidos vão da praia às ruas do bairro (Alexsander Ferraz / AT) Em plena luz do dia, uma mulher de 29 anos foi vítima de uma tentativa de assalto e presenciou outro na manhã desta segunda-feira (28) nas areias da Ponta da Praia, em Santos, litoral de São Paulo. Moradora do bairro, a vítima contou que há uma sensação de insegurança em todo o entorno, que vai além da faixa de areia, devido a ataques de homens em bicicletas. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com o relato da mulher para A Tribuna, que teve a identidade preservada por questão de segurança, o crime aconteceu por volta das 10h. Ela praticava atividades físicas com sua bicicleta, e fez ‘uma pausa’ na faixa de areia da Ponta da Praia para descansar. Em seguida, começou a usar o celular de cabeça baixa e não notou a movimentação estranha perto dela. “Eles estavam vindo da areia e me abordaram vindo para cima de mim. Nesse momento, minha única reação foi pedir: 'Pelo amor de Deus, não me assalta, por favor'. Quando eu levantei, eles já estavam em cima de mim”, comenta. Esses dois homens estavam em bicicletas e a vítima relatou que um deles disse que não iria lhe assaltar, pois já havia conseguido roubar outra pessoa. Por conta disso, a mulher foi embora. No caminho, comentou ter escutado uma outra pessoa gritando: “Ladrão, pega ladrão”. A vítima contou que se sentiu totalmente vulnerável, porque estava sozinha. “Não consegui ter paz. Tenho certeza de que eles iriam me assaltar, eles só não me assaltaram porque viram minha reação na hora. Se eu continuasse de cabeça baixa, eles tomariam o celular da minha mão”. Moradora da Ponta da Praia, a vítima comentou que saiu tremendo da situação e ficou mal até o momento que chegou em casa. Porém, não registrou o caso. “É muito assustador pensar que está cada vez pior. E aqui está ficando muito difícil. A gente sai para caminhar com a cachorra, sempre tem alguém de bicicleta passando em volta dos carros e cercando as pessoas”. Essa insegurança ficou cada vez mais forte, chegando ao ponto de considerar se mudar do bairro. Segundo a moradora, a única época que consegue se sentir mais segura é durante a alta temporada, em que acontece a Operação Verão e há um reforço no patrulhamento da Polícia Militar (PM) na Baixada Santista. “A gente vai fazer uma caminhada um pouco mais longa, a gente não vê polícia e nem guarda. E a gente vê muito menino estranho andando nas pracinhas. Está muito difícil. Dá vontade de não sair mais de casa, porque é muito estranho você ficar com uma sensação de que não consegue descer para ir no mercado sem correr o risco de ser assaltada”, conclui. Sensação de insegurança se amplia Outro morador, próximo da vítima, que também teve a identidade preservada por questão de segurança, relata vários outros casos que estão acontecendo com frequência no bairro. O homem de 25 anos enfatiza que regularmente encontra "pessoas suspeitas caçando vítimas" pelas ruas. O morador citou que, em 16 de abril, um ladrão de bicicleta tentou assaltar um idoso na porta de um mercado. Porém, a vítima reagiu. Os dois discutiram e o criminoso ameaçou agredir o idoso. Entretanto, o bandido saiu correndo quando pessoas começaram a se juntar ao redor. “Na praça do Aquário Municipal, estava levando minha cachorra para passear e três (criminosos) de bicicleta começaram a me cercar. Acelerei o passo no sentido oposto ao que eu estava e os despistei. A sensação de abandono é muito grande. Duas semanas atrás, fui perseguido por duas quadras com a minha namorada por um jovem de bicicleta”, comenta. Para ele, falta patrulhamento nas ruas da Ponta da Praia. Diante disso, cogita mudar-se futuramente. Estado citou dados de segurança A Secretaria da Segurança Pública (SSP) do Estado de São Paulo destacou seu compromisso no combate à criminalidade em Santos. A pasta citou que a Polícia Militar (PM) direciona suas operações com base na análise dos índices criminais e das denúncias da população, intensificando o patrulhamento nos chamados ‘hot spots’ — que são áreas com maior incidência de delitos. Paralelamente, a SSP explicou que a Polícia Civil reforça as investigações e o trabalho de inteligência para prender criminosos e recuperar os bens subtraídos. A pasta reforçou a importância do registro do boletim de ocorrência para que os casos sejam devidamente investigados e os criminosos presos. “As forças de segurança seguem atuando de forma intensa no combate à criminalidade em todas as regiões do Estado. Como resultado, os furtos em geral registraram queda de 2,59% na região do 3º DP de Santos, nos primeiros dois meses de 2025, em comparação ao mesmo período de 2024. Além disso, no município, 332 infratores foram presos ou apreendidos”, ressaltou. Guarda Civil Municipal presta apoio A Prefeitura de Santos informou, em nota, que o combate e a investigação de furtos, roubos e outros delitos são responsabilidades do Estado, que tem total apoio do efetivo da Guarda Civil Municipal (GCM) e do videomonitoramento com mais de 2.900 câmeras espalhadas por todas as áreas da Cidade, incluindo a Ponta da Praia. Essas câmeras são interligadas ao Centro de Controle Operacional (CCO) do Município, onde a Polícia Militar também atua (24h), conforme a Administração Municipal. “A GCM segue fazendo rondas diuturnas em toda a Cidade e, quando flagra atitudes suspeitas, os autores são conduzidos às autoridades policiais e/ou judiciais”, informou. Desde outubro de 2023, a Prefeitura enfatizou que a GCM de Santos realiza a Operação Zona de Segurança Máxima na orla, em parceria com as polícias Civil e Militar, intensificando o patrulhamento em áreas de grande circulação de moradores e turistas. “A atuação da GCM de Santos entre julho de 2024 e abril de 2025 apresentou avanços significativos no enfrentamento à criminalidade e no apoio à população. O período foi marcado por maior eficiência nas ações operacionais e estratégicas, com resultados expressivos em diversas frentes. (...) Os dados revelam uma queda importante, no período (julho/24 a abril/25), no registro de atendimentos da GCM de crimes como furto, de 93 para 82 (-11,83%); desacato, 16 para 12 (-25%); e dano ao patrimônio público, de 17 para 11 (-35,29%). Isso evidencia o impacto positivo da atuação do policiamento preventivo, aliado à presença constante da GCM em pontos estratégicos da Cidade, como a orla da praia”, divulgou.