Audiência do caso Baccará ouvirá 25 testemunhas

Expectativa é que trabalhos avancem pela madrugada

Por: Eduardo Velozo Fuccia  -  05/12/18  -  23:53
Lucas foi espancado até entrar em coma, no dia 7 de julho
Lucas foi espancado até entrar em coma, no dia 7 de julho   Foto: Arquivo pessoal

Sob a presidência do juiz Alexandre Betini, da Vara do Júri de Santos, começou às 14 horas desta quarta-feira (5), a primeira audiência do Caso Baccará. Vinte e cinco testemunhas foram intimadas e todas compareceram. Porém, até 19 horas, apenas quatro haviam sido ouvidas e ainda começaria o depoimento da quinta: a delegada Edna Pacheco Fernandes Garcia, responsável pelo inquérito policial do caso.


Mais duas testemunhas, residentes fora da região, serão ouvidas, mas por meio de carta precatória. Na audiência também estavam programados os interrogatórios dos réus. No entanto, apenas dois serão ouvidos, porque estão presos. Outros dois permanecem foragidos e respondem ao processo à revelia. A expectativa é que os trabalhos avançassem a madrugada.


A ação penal apura a responsabilidade pela morte do universitário Lucas Martins de Paula, de 21 anos. Por causa de uma divergência no valor da conta da casa noturna Baccará, que funcionava na Rua Oswaldo Cochrane, no Embaré, o jovem foi agredido.


O estudante reclamou do lançamento indevido em sua comanda de uma cerveja long neck de R$ 15,00. Agredido em frente ao bar na madrugada do dia 7 de julho, Lucas morreu após ficar 22 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa de Santos.


Apontado como autor de uma sequência de 12 golpes contra a vítima, entre chutes e socos, o segurança Thiago Ozarias Souza, praticante de jiu-jítsu, é um dos acusados. Os demais réus são acusados de nada ter feito para impedir a violência e de impossibilitar que amigos de Lucas interviessem.


Aliás, dois jovens que acompanhavam Lucas foram agredidos, sofrendo lesões leves. Eles foram as primeiras testemunhas a depor ontem. Os outros réus são Sammy Barreto Callender, Anderson Luiz Pereira Brito e Vitor Alves Karam, respectivamente, segurança, chefe da segurança e dono do bar.


O promotor Fernando Reverendo Vidal Akaoui denunciou os quatro réus por homicídio triplamente qualificado e pediu as suas prisões preventivas. Thiago e Sammy se apresentaram à polícia, enquanto Vitor e Anderson fugiram e permanecem em local ignorado pelas autoridades.


Ao final da fase de produção de provas (depoimentos das testemunhas e interrogatórios dos réus), o magistrado decidirá se há indícios suficientes de autoria para submeter os acusados a júri popular. Das 27 testemunhas, cinco foram relacionadas pelo Ministério Público e uma é comum entre acusação e defesa. As restantes foram indicadas exclusivamente pelos advogados dos réus.


Pais da vítima pedem justiça


Advogado Armando de Mattos Júnior é o assistente de acusação no caso (Foto: Eduardo Velozo Fuccia/AT)


Vestidos com camisetas brancas ostentando a fotografia do rosto de Lucas na frente, os pais do universitário compareceram em frente ao Fórum de Santos para pedir “justiça” junto com amigos e familiares.


A expectativa do aposentado Isaías de Paula, de 52 anos, é a de que os acusados pela morte de seu filho sejam levados a júri e condenados a “pena máxima”. Segundo ele, “não é possível que os réus fiquem impunes, rindo de todos. Isso é um tapa na cara da sociedade”.


Mãe do estudante, que cursava o quarto ano de Engenharia Elétrica, Cláudia Cristina Martins de Paula, de 50 anos, acrescentou que, além dos réus, outras pessoas também deveriam responder pelo crime, porque presenciaram a agressão contra Lucas e nada fizeram.


Por recomendação do advogado Armando de Mattos Júnior, constituído para atuar no caso como assistente da acusação, os pais da vítima fatal não ingressaram no Fórum. O objetivo foi evitar que eles se deparassem com parentes de Vitor Karam, dono do Baccará.


O pai do empresário foragido compareceu ao Fórum. Ele chegou a registrar boletim de ocorrência sobre suposta ameaça que sofreu de Isaías, que nega tal episódio. “Não houve ameaça”, ratificou Mattos.


Do lado externo do Fórum, os pais do universitário se posicionaram ao lado do portão da garagem. Por lá ingressou a viatura da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), que trouxe Thiago e Sammy. Os réus foram recepcionados com gritos de “assassinos”.



Novo nome


Na última sexta-feira, o Baccará reabriu com o nome Moon Bar & Grill, que tem como sócios Bruna Rocha Lima e Vitor Karam. Embora funcionários afirmem que o local tem um novo proprietário, foi o irmão do foragido quem abriu as portas do comércio.


Por meio de nota, a Prefeitura de Santos informou que o estabelecimento está regular e que o seu alvará foi deferido após tramitar “em todas as fiscalizações, posturas, obras e Vigilância Sanitária”.


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