Moradores denunciam a criminalidade nos bairros Castelo e Areia Branca, na Zona Noroeste de Santos (Alexsander Ferraz/Arquivo AT) A sensação de medo tomou conta dos moradores dos bairros Castelo e Areia Branca, na Zona Noroeste de Santos, nos últimos meses. Em reportagem publicada por A Tribuna, eles relataram aumento nos assaltos — inclusive com o registro de um arrastão — e disseram que a presença das forças de segurança é insuficiente nos bairros. Segundo a população, em menos de uma semana, foram pelo menos 12 assaltos, muitos deles cometidos por ladrões de bicicleta, além de ataques a pontos de ônibus. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A capitã Fúlvia Guisini, comandante da 4ª Companhia da Polícia Militar — responsável por 16 bairros da Zona Noroeste —, concedeu entrevista exclusiva para A Tribuna detalhando as ações já em curso nos bairros, os desafios para o patrulhamento da região e fez um apelo para que a população colabore com as autoridades, denunciando e registrando boletins de ocorrência para que os crimes entrem nas estatísticas oficiais. “Nós entendemos a preocupação dos moradores e trabalhamos para melhorar cada vez mais. Mas é importante que todos registrem boletins (de ocorrência) e nos liguem no 190 quando algo acontecer. É com esses números oficiais que planejamos as operações e sabemos onde concentrar as viaturas”, explica. Patrulhamento reforçado e queda nos índices oficiais Apesar das queixas, a capitã afirma que os índices criminais oficiais na Areia Branca e no Castelo mostram uma queda nas ocorrências em comparação com o ano passado. Em junho, por exemplo, a 4ª Companhia registrou 22 roubos em toda a sua área, que cobre 16 bairros da Zona Noroeste — um número menor do que o de outras regiões da cidade. O número de roubos de veículos caiu de 10 em maio para 2 em junho. Capitã Guisini, comandante da 4ª Companhia da Polícia Militar — responsável por 16 bairros da Zona Noroeste —, concedeu entrevista detalhando as ações já em curso, os desafios para o patrulhamento da região e fez um apelo para que a população colabore com as autoridades (Alexsander Ferraz/ AT) Nos últimos três meses, a companhia prendeu 30 pessoas em flagrante por diversos crimes, e apreendeu mais de 20 bicicletas usadas por criminosos nos assaltos. “Sabemos que os assaltantes usam bicicletas para escapar por ruas estreitas e praças onde as viaturas não conseguem entrar. Por isso, começamos a fiscalizar e apreender bicicletas que não atendem às normas do Código de Trânsito”, destaca. Além das equipes regulares, a companhia recebe apoio da Força Tática, do Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep) e até da cavalaria para reforçar a presença nos pontos mais críticos. Uma viatura intermediária também foi designada para patrulhar os bairros Castelo e Areia Branca nos horários em que os crimes são mais frequentes. “Essa viatura não atende chamadas do 190, ela fica só para patrulhamento preventivo nesses dois bairros. Quando não está empenhada em uma ocorrência grave, ela se mantém rodando ali”, diz. O problema da Rua César Augusto de Castro Rios Uma das principais reclamações dos moradores é a situação da Rua César Augusto de Castro Rios, fechada com barras de ferro pela Prefeitura há mais de três anos. Segundo os moradores, o trecho virou esconderijo para usuários de drogas e rota de fuga para criminosos. A capitã confirma que o bloqueio da rua dificulta o trabalho da polícia. “Já entramos em contato com a Prefeitura pedindo a remoção das barreiras. Quando o ladrão foge por ali de bicicleta, a viatura precisa dar uma grande volta para alcançá-lo. Esse tipo de obstáculo atrapalha nosso patrulhamento e facilita a ação do criminoso”, explica. Em nota, a Prefeitura de Santos disse que a passagem de veículos pela via está "temporariamente suspensa devido ao escoramento da passarela do prédio do Centro Educacional da Zona Noroeste". Segundo o município, a medida preventiva "é uma orientação da Defesa Civil e será mantida até que a obra de reforço estrutural seja iniciada". A Prefeitura ressaltou que fez uma licitação no início do ano, mas que "resultou fracassada, pois nenhuma empresa concorrente apresentou capacidade técnica para executar o serviço, sendo necessária a abertura de um novo procedimento licitatório pela Secretaria de Obras e Edificações (Seobe), o qual está em andamento". A Administração Municipal também cita que o combate e a investigação de furtos, roubos e outros delitos são de responsabilidade das autoridades policiais. "A Guarda Civil Municipal (GCM) dá apoio às forças de segurança e faz rondas diuturnas em toda a Cidade, incluindo a região da Zona Noroeste. Quando a corporação flagra atitudes suspeitas, os autores são conduzidos ao distrito policial". A população pode acionar a GCM pelo telefone 153 (24h) e a PM pelo telefone 190. Desafios locais e desordem social Guisini aponta que os desafios vão além da atuação policial. A proximidade da divisa com São Vicente, ruas estreitas e áreas com moradias precárias favorecem a fuga dos bandidos e a reincidência dos crimes. “Há uma concentração de usuários de drogas e moradores em situação vulnerável que cometem pequenos furtos para sustentar o vício. Combatemos isso com operações de retirada de barricadas e apreensão de armas e drogas”, conta. Na última segunda-feira (30), por exemplo, a PM apreendeu drogas e armamentos no fundo do Rádio Clube — área próxima à Areia Branca e ao Castelo — e prendeu um suspeito envolvido na morte de um comerciante em São Vicente. A importância da denúncia A comandante reforça que muitos crimes sequer entram nos registros oficiais porque as vítimas não denunciam. “Se as pessoas não registram, a gente não sabe onde está acontecendo. Isso gera uma falsa impressão de que o índice está baixo, quando na realidade pode haver subnotificação”, explica. Ela orienta que a população ligue imediatamente para o 190 em caso de flagrante ou atitude suspeita e, depois, registre boletim de ocorrência, que pode ser feito pela internet ou na delegacia. “A partir do momento em que as pessoas registram, conseguimos identificar manchas criminais no mapa e alocar viaturas nos horários e locais certos”, diz. Falta de participação comunitária Outro problema apontado pela comandante é a falta de organização comunitária. A Zona Noroeste não tem, atualmente, um Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) ativo e conta com poucos núcleos do programa Vizinhança Solidária. “O Conseg é um canal fundamental para a comunidade levar demandas à polícia, à Prefeitura, à Guarda Municipal. Mas ninguém se candidatou para presidir a chapa quando a gestão terminou”, lamenta. Mesmo assim, ela destaca que a companhia mantém contato frequente com líderes comunitários e administradoras de condomínios para trocar informações e até buscar imagens de câmeras de segurança particulares para investigações. Mensagem à população A capitã Fúlvia Guisini pediu paciência e colaboração dos moradores para que o trabalho policial seja ainda mais efetivo. “Nós entendemos a angústia de quem sai cedo para trabalhar e volta tarde com medo de não chegar em casa. Eu também sou moradora de Santos. Mas saibam que a PM está trabalhando, reforçando o patrulhamento, apreendendo bicicletas, prendendo criminosos e mantendo a presença ostensiva. Só peço que nos ajudem registrando os crimes e denunciando no 190. Só assim vamos ter o cenário real da criminalidade e podemos agir de forma ainda mais eficaz”. Números da PM na Zona Noroeste: 16 bairros atendidos 22 roubos registrados em junho Queda de 70% nos roubos de veículos entre maio e junho 30 presos nos últimos 3 meses Mais de 20 bicicletas apreendidas