EDIÇÃO DIGITAL

Sexta-feira

7 de Agosto de 2020

Agente funerário furta cartão bancário de defunto e realiza 18 transações

Entre compras, saques e transferências, acusado causou prejuízo de R$ 18.817,55. Ele disse que agiu em “momento de fraqueza”

Um agente funerário foi indiciado em inquérito policial por furto porque pegou o cartão bancário de um defunto e o utilizou para realizar 18 transações, entre compras, saques e transferências. As operações totalizam R$ 18.817,55.

A vítima é um educador de 74 anos. O idoso residia em um edifício em Itariri, no Vale do Ribeira, e o seu corpo foi encontrado em seu apartamento no último dia 8. Após vizinhos sentirem forte odor exalando do imóvel, policiais militares foram chamados ao prédio.

A porta estava trancada por dentro e um chaveiro foi acionado para abri-la. O apartamento estava em ordem e o idoso foi achado morto em sua cama. Não havia sinais visíveis de violência no corpo, que já apresentava estado de decomposição.

Funerária

A Funerária São Paulo (Funesp), com sede em Peruíbe, mas que também atende os municípios de Itariri e Pedro de Toledo, foi chamada para realizar a remoção do cadáver ao Instituto Médico-Legal (IML).

Quatro dias depois (12 de junho), um aposentado de 79 anos, irmão da vítima, registrou boletim de ocorrência para comunicar a realização de movimentações na conta do educador, na Caixa Econômica Federal (CEF), após a sua morte.

Por meio de ofício dirigido à agência da CEF de Peruíbe, o delegado Arilson Veras Brandão, da Delegacia de Itariri, requereu o extrato da vítima. O documento registra 18 transações na conta do idoso entre os dias 8 e 12 de junho.

Rastreio

A checagem das movimentações fez os policiais civis chegarem a Fábio Batista de Souza, funcionário da Funesp. Ele foi beneficiário de transferência de R$ 3 mil que saíram da conta da vítima no dia 12 de junho.

Procurado na funerária, Fábio negou inicialmente o furto. Porém, diante das provas já obtidas pelos investigadores, ele confessou que pegou o cartão da vítima quando se dirigia à delegacia para registrar boletim de ocorrência sobre o encontro do cadáver.

O acusado alegou que praticou o delito em um “momento de fraqueza”. Ele disse que a senha bancária estava junto com o cartão e explicou tê-lo recebido junto com outros pertences da vítima ainda no apartamento para repassá-los a parentes dela.

Mais transações

Fábio foi conduzido à delegacia para ser ouvido e optou por permanecer calado após um advogado da Funesp orientá-lo a ficar em silêncio. Antes, porém, disse que a maioria das compras se refere a materiais de construção para a reforma de sua casa.

Em outra transação, Fábio pagou antecipadamente R$ 2 mil por um tratamento dentário que agendou em um consultório de Peruíbe. Também é investigada uma mulher em cuja conta foram feitas duas transferências nos valores de R$ 3 mil e R$ 4 mil.

Advertido e afastado

A Tribuna entrou em contato com a Funesp para saber quais medidas adotou em relação ao funcionário e se a funerária ressarcirá a família da vítima pelo crime cometido pelo colaborador no exercício da função.

Alexkessander Veiga Mingroni é advogado da Funesp. Ele classificou o caso de “triste episódio” e disse que “a empresa foi tomada de surpresa pela notícia do ocorrido, pois não tinha conhecimento dos fatos”. Acrescentou que Fábio foi “advertido e afastado”.

Sobre a indicação de um advogado para acompanhar o agente à delegacia, Mingroni esclareceu que, naquela ocasião, era desconhecida a acusação contra o funcionário. Segundo ele, o departamento jurídico da funerária não atua na defesa do colaborador.

O advogado destacou que a Funesp não é conivente com atos ilícitos de seus funcionários. No caso de Fábio, Mingroni disse que “a empresa espera o final das investigações para adotar as medidas cabíveis, não cabendo se antecipar ao julgamento”.

Tudo sobre: