O caso aconteceu na Escola Estadual Professor Primo Ferreira (Divulgação) Um adolescente de 16 anos alega ter sido empurrado com força e xingado de ‘merdinha’ pelo professor de Informática após ter sido repreendido por usar celular em sala de aula. O caso aconteceu dentro da Escola Estadual Professor Primo Ferreira, no bairro Vila Belmiro, em Santos. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Depois do ocorrido, a mãe do adolescente registrou um boletim de ocorrência. O documento narra que o estudante se esqueceu da lei que proíbe o uso de celulares durante as aulas e pegou o aparelho para conferir o horário. Nesse momento, o professor flagrou o uso do celular e, de maneira ríspida, mandou que o aluno descesse para falar com a diretora. Enquanto o estudante arrumava os materiais, segundo o boletim, o professor começou a falar que ele deveria obedecer o que estava mandando e reforçou que desceria com o menor de idade. Fora da sala, no corredor da escola, de acordo com o estudante, ele pediu para o professor ficar calmo e questionou o motivo de tamanho estresse. O docente teria respondido: "Eu falo do jeito que eu quiser, seu merdinha" (sic). Em seguida, o estudante teria questionado o xingamento e o professor supostamente lhe retrucou dizendo: "Se quiser, chamo de novo, seu merda" (sic), enquanto apontava o dedo na cara do adolescente. O aluno teria dito que, se o docente fosse ‘para cima’ dele, os dois iriam se desentender. Na sequência, a mãe do estudante registrou que o professor deu um ‘empurrão’ com as duas mãos contra o peitoral do adolescente. Dois homens que estavam trabalhando na reforma da escola e outro estudante tiveram que separar os dois, que foram à direção para escrever um relato de punho sobre o ocorrido. Mãe de adolescente pretende entrar na Justiça A mãe do estudante, uma mulher de 43 anos, relatou que o caso aconteceu na manhã de 20 de março, uma quinta-feira. O aluno teria ficado com uma marca vermelha no peito por conta do ‘empurrão’ do professor. A mãe contou para A Tribuna que o filho possui diagnóstico de Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e toma medicamento para conseguir prestar atenção nas aulas. Na data do ocorrido, o remédio havia acabado. O aluno relatou o ocorrido ao chegar em casa e a escola entrou em contato solicitando sua presença no dia seguinte. “No dia, tinha acabado a medicação dele (estudante), mas o remédio não tem nada a ver com o que aconteceu, porque ele não sai agredindo ninguém. Mas a medicação ajuda (o aluno) a se concentrar mais e não ficar tão ansioso”, conta a mãe. Acompanhada do marido, ela foi até a escola para tentar resolver a situação. Mas, ao chegar ao local, os responsáveis pelo colégio não deixaram os pais conversarem com o professor. “Falaram que o professor também tinha hiperatividade e naquele dia estava alterado. Não justifica, ele tem que manter o controle porque ele é professor”. “Fiquei decepcionada. Porque eu cobro do meu filho para respeitar os professores. Aí vem um professor alterado e faz isso. Eu acho que ele deveria ter paciência, porque essa lei do celular é recente. Eu falei para o meu filho que, da próxima vez que tiver alguma reclamação dele com o celular na sala, não vai mais levar na bolsa”, conclui. Agora, a mãe estuda como buscará legalmente pela Justiça. O boletim de ocorrência foi registrado e a matriarca possui um prazo legal para representação criminal. O que diz o estado? Procurada pela reportagem de A Tribuna, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) informou que a Diretoria de Ensino de Santos lamenta o ocorrido e reforça que é contra qualquer tipo de violência, seja ela dentro ou fora do ambiente escolar. Segundo a pasta, assim que ficou ciente do episódio, a gestão escolar acolheu aluno e professor para orientações. Em seguida, os responsáveis foram chamados e o Conselho Tutelar notificado. A direção destacou que colabora com investigações da Polícia Civil, já que foi aberto um boletim de ocorrência pelos responsáveis do estudante. O caso foi inserido na plataforma do Programa de Melhoria da Convivência e Proteção Escolar (Conviva SP). A equipe regional do programa também está acompanhando o caso e trabalha em ações para conscientização sobre a cultura de paz na unidade de ensino. De acordo com a Seduc, um psicólogo do programa Psicólogos nas Escolas foi colocado à disposição para atender o estudante, mediante autorização dos responsáveis. "A DE Santos e a unidade escolar permanecem à disposição dos responsáveis para esclarecimentos", concluiu. A Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) informou, em nota, que o caso foi registrado como injúria e vias de fato no 2º Distrito Policial (DP) de Santos, após um desentendimento entre o professor e o aluno dentro da escola de Ensino Médio, no bairro Vila Belmiro.