Administradora 'some do mapa' após ser acusada de golpes contra edifícios de Santos e Praia Grande

Caio Luiz Silva dos Santos Scatena teria falsificado atas e feito movimentações indevidas de contas bancárias dos prédios. Valores das atividades ilegais devem somar mais de R$ 300 mil

Síndicos de cinco edifícios de Santos e um de Praia Grande acusam o sócio de uma administradora de condomínios de lesar os prédios mediante a falsificação de atas e a movimentação indevida de contas bancárias dos residenciais. A suspeita é a de que o número de vítimas seja maior. Ao saber das acusações, a empresa teria encerrado suas atividades para não levantar suspeitas. Valores dos golpes devem ultrapassar os R$ 300 mil.

O acusado é o contador Caio Luiz Silva dos Santos Scatena, de 29 anos. Ele não foi encontrado na manhã de quinta-feira (13) na Silva & Jardim, administradora de condomínios e bens que possui escritório na Rua Amador Bueno, 152, no Centro de Santos.

Porém, na sede da empresa estava um funcionário, irmão de Caio. Ele autorizou os síndicos a retirarem as pastas com documentações de seus prédios. Logo em seguida, chegou outro sócio da Silva & Jardim, que alegou não ter a administradora responsabilidade pelos supostos golpes.

Os documentos são checados pelos síndicos para o levantamento dos respectivos prejuízos. Eles também poderão servir de provas materiais dos golpes.

Sede da administradora no Centro de Santos (Foto: ATribuna.com.br)

ATribuna.com.br apurou que um grupo de moradores de uns dos edifícios foi até o escritório da Silva & Jardim, no Centro, acompanhados, também, de um dos síndicos. Segundo eles, a empresa estava prestes a 'sumir do mapa'. Na quarta-feira (12), um outro endereço referente ao segundo escritório, na Rua Arnaldo de Carvalho, no Campo Grande, encerrou suas atividades. Nesta mesma data, houve as primeiras denúncias contra Caio e a empresa.

Após saírem da administradora, os representantes dos edifícios compareceram ao 1º DP de Santos.

O delegado titular Max Pilotto registrou o caso como estelionato. O crime é punível com reclusão de um a cinco anos. Na véspera, o representante do Condomínio Jardim Tropical, localizado na Avenida Washington Luiz, 437, no Boqueirão, já havia noticiado o golpe no 7º DP de Santos.

Viaturas da Polícia Militar foram acionadas até o escritório da Silva & Jardim, no Centro de Santos (Foto: ATribuna.com.br)

Assembleia fantasma

No caso específico do Jardim Tropical, até empréstimo indevido de R$ 70 mil chegou a ser realizado. O síndico apenas soube da transação quando recebeu telefonema da financeira, situada na Capital, para cobrar o pagamento de parcela vencida.

Surpreso com a cobrança, o representante do prédio foi informado pela financeira que o empréstimo foi contraído por Caio. Para isso, ainda conforme o síndico, o sócio da administradora forjou uma ata de assembleia condominial supostamente realizada no último dia 1º de julho.

Tal reunião nunca existiu e as assinaturas dos condôminos que dela teriam participado foram falsificadas. Na assembleia fictícia foram autorizados reparos no telhado e o consequente empréstimo.

O síndico revelou que o acusado, na qualidade de administrador do condomínio, possuía “acesso máster” à conta bancária do edifício. Desse modo, Caio podia movimentar valores do prédio depositados na instituição financeira sem a necessidade de autorização prévia.

Levantamento preliminar junto ao banco feito pelo síndico apurou que restaram na conta do edifício pouco mais de R$ 2 mil, embora nela houvesse cerca de R$ 100 mil de fundo de reserva, além dos R$ 70 mil referentes ao empréstimo.

Além do Jardim Tropical, os demais edifícios lesados são: Povoense (Av. Bernardino de Campos, 322, Campo Grande), Rio Grande do Sul (Praça Miguel Couto, 63, Aparecida), New York (R. Liberdade, 140, Embaré), Piratini II (Av. Bernardino de Campos, 433, Campo Grande) e Costa do Sol (R. Caetés, 168, Tupi, em Praia Grande).

Segundo levantamento feito com os demais prédios, o valor dos empréstimos ilegais chegariam próximos a uma quantia de cerca de R$ 300 mil. De acordo com os síndicos, a movimentação financeira poderia ultrapassar esses valores. Isso só será possível se confirmar até eles terem acesso a extratos e saldo em conta corrente que era de responsabilidade da Silva & Jardim, portanto, somente Caio tinha acesso às contas referidas.

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