Um ano depois, manchas de óleo ainda representam risco à saúde e meio ambiente

Ambientalistas defendem manutenção de estudos sobre os impactos e o desenvolvimento de tecnologia de monitoramento das águas como forma de se evitar novas tragédias ambientais no litoral brasileiro

Em setembro de 2019, há exatamente um ano, manchas de óleo invadiram o litoral brasileiro. Mais de três mil quilômetros de costa foram afetados com o acidente ambiental, cuja origem ainda não foi identificada. Apesar de parte do material poluente tenha sido retirado das águas e faixa de areia, especialistas afirmam que os riscos para os ecossistemas marinhos permanecem, podendo causar danos inclusive à saúde humana.  

Eles defendem a continuidade dos estudos de avaliação dos impactos e o desenvolvimento de tecnologia de monitoramento das águas. “Embora a imagem degradante das manchas aparentemente tenha sido resolvida, o óleo ainda está lá, gerando impactos pouco visíveis ao olhar comum”, alerta o membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN) e pesquisador do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP), Alexander Turra.  

Ele explica que parte do óleo que atingiu a costa brasileira se acumulou no fundo do mar e se misturou com os sedimentos. “Com isso, formou grumos pegajosos de poucos centímetros que, de tempos em tempos, são lançados nas praias por meio de tempestades e ressacas e seguem liberando compostos químicos no ambiente”. 

Turra destaca ainda que o óleo está presente nos tecidos de organismos marinhos afetados, “podendo representar risco para o ambiente e para a saúde humana. Por isso, a continuidade dos estudos é necessária”, alerta. 

Tragédia ambiental 

No início de setembro de 2019, manchas de óleo tomaram boa parte do litoral brasileiro, naquele que se tornou o maior acidente ambiental da história do país. Em junho de 2020, nove meses após o evento, o material poluente ressurgiu na costa de estados como Bahia, Alagoas, Rio Grande do Norte e Pernambuco.  

A investigação conduzida pela Marinha do Brasil levantou hipóteses de derramamento acidental de um navio petroleiro. Contudo, a origem do óleo até hoje segue desconhecida. O inquérito, já concluído, apontou que o derramamento ocorreu a 700 quilômetros da costa e viajou submerso por 40 dias.  

Segundo o ecólogo e coordenador de Ciência e Conservação da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, Robson Capretz, isso realça a necessidade de monitoramento das águas, considerando a importância do oceano para a manutenção da vida no planeta. 

“O oceano é responsável pela estabilidade do clima, pela produção de alimentos e estocagem de carbono; além de movimentar a economia, envolvendo setores como transporte, recursos minerais, energia e turismo. Os ambientes marinhos também são fonte de renda e berço de culturas e tradições de populações tradicionais”, destaca. 

Os ambientalistas reforçam que acidentes precisam de respostas imediatas das autoridades para reduzir prejuízos. “É preciso que seja desenvolvida tecnologia para identificar e monitorar em tempo real manchas que se aproximam da costa pela superfície ou abaixo dela e todos os navios que passem ao longo da costa brasileira – em especial os navios-tanque. Também é preciso definir procedimentos e indicadores prévios de alerta, como o desligamento do transponder de um navio ou padrão suspeito de navegação, de forma a permitir ação rápida da Marinha”, aponta Turra.

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