Seringas, pinos de cocaína e marmitex poluem mangue de Cubatão, diz estudo de ONG

Mapeamento do lixo que se acumula nesses ecossistemas costeiros faz parte de estudo sobre poluição do plástico nos manguezais paulista

Apesar de diversos planos no passado de recuperação ambiental, o manguezal de Cubatão continua a ser um ponto de acúmulo e descarte de lixo doméstico e hospitalar. É o que aponta levantamento inicial feito pela ONG Ecologia em Movimento. Resíduos de material doméstico (como embalagens e plásticos) ainda são maioria, mas os pesquisadores também identificaram itens contaminantes e perigosos, como seringas e pinos de cocaína. 

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O mapeamento foi realizado no último sábado (24) na região de manguezal do Rio Cubatão, no trecho do bairro Casqueiro. O estudo sobre o tipo de lixo que se acumulam nesses ecossistemas costeiros faz parte de levantamento sobre poluição do plástico nos manguezais paulista. A iniciativa é uma parceria com o Ministério Público Estadual (MPE-SP) de forma colaborar com a preservação dos manguezais de São Paulo. 

De acordo com a coordenadora dos trabalhos, a bióloga Juliana Teixeira Gonçalves, material plástico de origem doméstica concentra a maioria dos resíduos acumulados naquele ponto. Trata-se de mais de 1,5 km de faixa de mangue afetada com os poluentes, comprometendo cerca de 90 tipos vegetação nativa e essencial ao ecossistema de transição (entre os ambientes terrestre e marinho).

A pesquisadora indica, contudo, alta concentração de materiais contaminantes e perigosos como seringas e pinos de cocaína. Juliana destaca que esses resíduos oferecem risco ao meio ambiente marinho por levar décadas para se decompor e também por haver risco de contaminação.

A bióloga cita ainda o acúmulo de embalagens metalizadas, como as de salgados processos e bolachas. Ela explica que se tratam de materiais “extremamente perigosos” por conter metal pesado, podendo afetar a vegetação e animais que procuram este local para se reproduzirem.  

Outras fontes de poluentes são as embalagens de marmitas (alumínio e isopor) em quase toda a extensão avaliada. Por serem de fácil fragmentação, esses materiais podem ser consumidos por animal marinho. Foram coletadas ainda seis lâmpadas fluorescentes.  

O presidente da Ecomov, Rodrigo Azambuja, destaca que o levantamento vai fornecer subsídios para uma petição sobre a origem destes materiais contaminantes. “Os objetos encontrados neste último sábado serão correlacionados com estudo do local, feito no ano passado, e faremos apresentação ao MPE-SP para que o município avance em presença e o manguezal”. 

Um estudo do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP) indica que os manguezais da Baixada Santista sofrem fortes pressões ambientais. Dados da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (CETESB) apontam que menos de 40% dos manguezais da região estavam em  bom estado de conservação. Cubatão é a cidade que tem os manguezais mais degradados. Apenas 17% dos 29 quilômetros quadrados de manguezais originais apresentavam estado saudável. 

 

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