Queimadas no Pantanal podem ter criado nuvem rolo gigantesca na Baixada Santista

Especialistas apontam que formação de nuvem rolo, como a observada em Peruíbe, pode ter ligação com fumaça em mata fechada no Cerrado

Os dias de mormaço que ajudam a intensificar as queimadas no Pantanal já mudam as condições climáticas no litoral Sul paulista. As fumaças geradas pelo fogo incontrolado e que devasta estados do Centro-Oeste brasileiro são apontadas por especialistas como responsável pela formação de um raro fenômeno: o aparecimento de uma nuvem rolo. 

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A evento climático foi observado em Peruíbe na manhã deste terça-feira (15). E, conforme especialistas, a mancha de fumaça que se estende por mais de 3 mil quilômetros do território brasileiro pode ter contribuído a sua formação.  

Classificada como rara, a nuvem rolo chega a atingir mil quilômetros de comprimento por dois  quilômetros de largura. Ela tem a aparência de uma forma cilíndrica (daí o seu nome), podendo se deslocar por até 60 km/h. De grande extensão horizontal e pequena amplitude, ela aparece destacada do restante de nebulosidade, como a que marcou a manhã desta terça-feira (15). 

O climatologista Rodolfo Bonafim afirma que o efeito das queimadas, que devastam a vegetação e provocarm o êxodo de animais de seus habit, se dá de forma indireta aa formação do fenômeno visto em Peruíbe. Isso porque o sinistro na mata provoca o aumento das temperaturas, que ajuda a ampliar a instabilidade na área do litoral paulista. 

“A nuvem rolo é fenômeno causado em época de instabilidade, que não se verificou nos últimos dias. Acontece quando há uma massa de ar muito quente, que é comum no interior do Estado e intensificado pelas queimadas no Pantanal, se choca com um ar mais frio e que empurra essa umidade trazida pelos ventos (marítimos)”, explica. 

Já o biólogo e especialista em correntes de ar amazônicas Enzio Meixedo Chiarelli afirmou, ao G1, que as correntes de vento trazem as fumaças condensadas em água até o litoral paulista. “Se não fosse essas queimadas e a ação do homem, dificilmente observaríamos um resultado como essas nuvens. A solução é acabar imediatamente com essas queimadas e praticar um monitoramento ambiental rigoroso”. 

O meteorologista do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), Bruno Miranda, explica que o fenômeno pôde ter sido formado pelo contato desse material e massa de ar  oceânica.  Isso porque nuvens tendem a ser formar com o choque térmico, quando há o encontro de uma massa de ar quente com uma frente fria. 

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