Primeiro Dia Mundial da Raia-Manta é celebrado nesta quinta-feira

Considerada a maior raia dos oceanos, o animal pode alcançar oito metros de envergadura e pesar até duas toneladas

O Dia Mundial da Raia-Manta é celebrado, pela primeira vez, nesta quinta-feira (17). Segundo especialistas, a data é um na luta pela conservação do animal, com a união de projetos de diversos países. A hashtag #WorldMantaDay foi usada nas redes sociais para aumentar a visibilidade da causa.

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Considerada a maior raia dos oceanos, o animal pode alcançar oito metros de envergadura e pesar até duas toneladas. Suas duas espécies ­– M. birostris, maior e de hábitos oceânicos, e M. alfredi, menor e de hábitos recifais – estão classificadas no estágio “vulnerável à extinção” na lista vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais.

Esses tipos de raias são conhecidos por não possuírem ferrão e se alimentarem de plâncton e pequenos peixes. A maior ameaça para a espécie tem sido o próprio ser humano. “Além de muitas vezes ficarem presas acidentalmente em redes, linhas e até cabos de barcos, suas brânquias são comercializadas em mercados asiáticos por supostos poderes medicinais. Some a isso que elas se reproduzem lentamente, com apenas um filhote a cada três anos, e você tem o cenário que leva à extinção”, lamenta Ana Paula Balboni Coelho, coordenadora do projeto Mantas do Brasil.

Apenas a M. birostris tem ocorrência comprovada em águas brasileiras. O projeto estuda a existência de uma terceira e nova espécie vivendo na costa do País. Animais com essas características já foram registrados em São Paulo, no Rio de Janeiro, no Espírito Santo, na Bahia, no Rio Grande do Norte e em Pernambuco, principalmente no arquipélago de Fernando de Noronha.

“É justamente esse nosso principal projeto de pesquisa. O Mantas do Brasil está em uma cooperação internacional de cientistas para decifrar a possibilidade de existência uma terceira espécie, latino-americana, que habitaria desde o Golfo do México até o sudeste brasileiro”, conta Ana Paula.

O trabalho tem avançado a passos largos desde que o projeto realizou uma necropsia – a primeira do Brasil – de uma raia-manta encontrada morta em Cananeia, no Litoral Sul, em abril do ano passado. Os pesquisadores também coletaram amostras de uma que foi pescada em Natal (RN), além de DNA de um animal vivo em Noronha. Ao que tudo indica, todas tratam-se da nova espécie.

“Elas são diferentes tanto da birostris, que costumamos encontrar na Laje de Santos e na Queimada Grande. Têm corpo menor, cara branca, ventre quase todo branco, com apenas algumas pintinhas. E isso não bate com as alfredi, que habitam a Indonésia, Tailândia e Havaí, por exemplo”, diz Paula Romano, coordenadora do projeto e monitora ambiental do Parque Estadual Marinho da Laje de Santos.

O Projeto Mantas do Brasil usa a metodologia do “cidadão cientista”: todos podem contribuir para a pesquisa, com fotos e vídeos dos animais. Os registros, coletados nos últimos 30 anos, podem ser acessados por qualquer pessoa, on-line, no Banco Brasileiro de Mantas. No site, também há um breve curso para os mergulhadores que queiram colaborar.

“As raias-mantas são gigantes gentis, majestosas, inteligentes e curiosas. Mergulhar com elas é um privilégio, um momento mágico. O mundo precisa se conscientizar de que elas valem muito mais vivas do que mortas”, conclui Ana Paula.

Saiba mais em: www.worldmantaday.com e www.mantasdobrasil.org.br.

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