Dezenas de animais marinhos foram recolhidos mortos das praias do litoral de SP em agosto

Biólogo alerta para consequências do descarte incorreto de resíduos e o reflexo na Baixada Santista

Dezenas de animais marinhos foram encontrados mortos nas praias da Baixada Santista no mês de agosto. Baleias, golfinhos, lobos-marinhos, entre outros, foram retirados sem vida das areias da região. Para o biólogo marinho Eric Comin, há uma relação direta com a quantidade de lixo presente no mar, além de equipamentos usados na pesca. 

Entre os resíduos, Comin alerta para os prejuízos causados pelo plástico. Além de ingeri-lo, as espécies marinhas também podem ficar presas neste tipo de lixo, que pode demorar 200 anos para se decompor.

“Grande parte desse lixo, principalmente o flutuante, é de plástico, que sofre ações com sol, ondas, e acaba se transformando em microplástico”, explica Comin. "Existem estudos que apontam que o plástico afeta até a questão hormonal das espécies. Sendo isso, você tem uma problemática na reprodução. A ingestão desse plástico afeta o sistema digestório", explica.

O biólogo também alerta para as redes usadas na pesca.  “Alguns animais se enroscam nessas redes. Além da consequência grande do lixo que é jogado no mar”. 

Na última quarta-feira (2), uma baleia da espécie jubarte foi encontrada em Boraceia, São Sebastião, em avançado estado de decomposição. Em agosto, um golfinho foi encontrado morto em Praia Grande. Ele estava com uma câmara de pneu de bicicleta presa à cauda. 

Segundo dados do Instituto Gremar, que realiza monitoramento nas praias de Santos, São Vicente, Guarujá e Bertioga, foram recolhidos 34 animais marinhos mortos no mês de agosto. A média é de mais de um animal por dia.

Com o período de inverno, a chegada de frentes frias e ressacas, há a consequência de os animais marinhos ficarem mais debilitados. No caso das baleias jubartes, elas têm a região da Baixada Santista como parte da rota migratória, que começa no Sul do país e vai até a Bahia. Já os lobos-marinhos e pinguins aparecem conforme as correntes marítimas, enquanto os golfinhos são típicos da região. 

Para Cormin, a redução no uso de plástico e o descarte correto é um caminho que pode diminuir as mortes de animais marinhos. Ele destaca que o ideal é encaminhar este tipo de material para reciclagem.

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