Um dos efeitos possíveis seria pequenas variações na duração dos dias ( Reprodução/NASA ) O núcleo interno da Terra, uma esfera sólida de ferro e níquel localizada a mais de 5 mil quilômetros de profundidade, pode ter parado de girar em relação ao manto terrestre e iniciado uma mudança gradual de direção. É o que aponta um estudo recente publicado na revista científica Nature Geoscience, assinado pelos geofísicos Yi Yang e Xiaodong Song, da Universidade de Pequim. De acordo com os pesquisadores, o núcleo interno parece ter desacelerado sua rotação ao longo da última década, após um período em que girava ligeiramente mais rápido que a superfície do planeta. Agora, há indícios de que ele esteja girando mais lentamente ou mesmo invertendo sua direção de rotação relativa, em um fenômeno que ocorre em ciclos de aproximadamente 60 a 70 anos. Como a descoberta foi feita O estudo foi baseado na análise de ondas sísmicas geradas por terremotos ocorridos nas últimas cinco décadas. Os dados mostram pequenas variações no tempo de propagação dessas ondas ao atravessar o núcleo interno, indicando mudanças na velocidade de rotação em relação ao manto terrestre. O núcleo interno da Terra não está diretamente acoplado à crosta, mas sua interação com o núcleo externo líquido e com o campo magnético terrestre causa variações mínimas que podem ser medidas por instrumentos sísmicos de alta precisão. Efeitos para os humanos Apesar dos títulos alarmistas que circularam recentemente em redes sociais e sites sensacionalistas, especialistas ressaltam que a mudança de rotação do núcleo interno não representa nenhum risco imediato para a humanidade. Segundo o sismólogo John Vidale, da Universidade do Sul da Califórnia, em entrevista à CNN, este é um processo natural que ocorre ao longo de décadas ou séculos, sem gerar terremotos ou alterações drásticas no campo gravitacional. Os efeitos possíveis incluem variações extremamente pequenas na duração dos dias, de milissegundos, além de possíveis influências de longo prazo no campo magnético terrestre, que já sofre mudanças contínuas por outros fatores. Explicação do núcleo interno O núcleo interno é uma esfera sólida com cerca de 1.200 quilômetros de raio, composta majoritariamente de ferro e pequena quantidade de níquel, responsável por grande parte da estabilidade do campo magnético do planeta. Ele é cercado por uma camada de núcleo externo líquido, responsável pelo movimento de convecção que gera o geodínamo, processo que cria e mantém o campo magnético terrestre. A hipótese de inversão de rotação relativa foi proposta pela primeira vez em 1996 e, desde então, novos estudos têm buscado entender seus ciclos e impactos. Para os geofísicos, compreender o comportamento do núcleo interno é essencial para modelar a evolução do campo magnético, da tectônica de placas e até da dinâmica climática em grandes escalas de tempo geológico. O que dizem os cientistas Os autores do estudo afirmam que a descoberta reforça a teoria de que o núcleo interno passa por oscilações de velocidade, ora girando mais rápido, ora mais devagar em relação ao manto. Não há previsão de consequências perceptíveis no cotidiano da população. Segundo Xiaodong Song, a rotação do núcleo interno influencia levemente a duração do dia, mas essas mudanças são inferiores a um milissegundo e podem ser compensadas por outros processos geofísicos que afetam a rotação da Terra. Conclusão do estudo Os cientistas destacam que novas pesquisas são necessárias para confirmar a periodicidade exata dessas inversões e compreender melhor a interação entre núcleo interno, núcleo externo e manto terrestre. O fenômeno, embora impressionante, faz parte da dinâmica natural do planeta e não apresenta riscos diretos para a vida na superfície.