O aumento por mais que seja sútil tem um acúmulo significativo ao longo do tempo geológico (Divulgação) O Monte Everest, o pico mais imponente do planeta, não é um local estático. Pesquisas recentes, incluindo um estudo da University College London (UCL), revelam que a majestosa montanha continua a ganhar altura. Longe de ser um processo puramente tectônico, seu crescimento é impulsionado por uma complexa interação de forças geológicas e de captura fluvial. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Cientistas estimam que o Monte Everest cresça a uma taxa média de 0,2 a 0,5 milímetros por ano, com picos que podem atingir até 2 milímetros anuais quando fatores tectônicos e de isostasia se combinam. Outras pesquisas indicam variações, com alguns estudos apontando um crescimento de 0,5 a 0,8 milímetros por ano, e até 4 milímetros anuais em certas medições, reforçando a natureza dinâmica do Himalaia. Esse aumento, embora sutil anualmente, acumula-se significativamente ao longo do tempo geológico. Fenômeno antigo A elevação do Everest é, em parte, um reflexo de um evento geológico ocorrido há aproximadamente 89 mil anos. Nesse período, o rio Arun, ao norte do Everest, desviou seu curso e se uniu ao sistema fluvial do rio Kosi — um fenômeno conhecido como "drainage piracy". Essa captura de bacias hidrográficas intensificou a erosão na base da montanha. A remoção massiva de rochas e sedimentos resultante dessa erosão intensa gerou um "alívio" do peso sobre a crosta terrestre. Esse alívio, por sua vez, provocou um rebote isostático, um processo no qual a crosta terrestre, aliviada de uma carga, se eleva. Especialistas apontam que cerca de 10% do crescimento anual do Everest pode ser atribuído diretamente a esse rebote isostático impulsionado pelas alterações no sistema fluvial, conforme publicado pela Exame. Embora a colisão contínua da placa tectônica Indiana com a placa da Eurásia seja a força motriz principal por trás da formação e elevação do Himalaia, o estudo da UCL destaca a importância da isostasia. O movimento da placa indiana, que avança cerca de 5 centímetros por ano em direção à Eurásia, continua a empurrar e enrugar a crosta, levando ao crescimento das montanhas. Essa dinâmica não se restringe ao Everest. Montanhas vizinhas, como Lhotse e Makalu, também exibem crescimento devido a processos semelhantes, demonstrando uma resposta global da crosta terrestre à erosão e às forças tectônicas. Impacto histórico Para quantificar esse crescimento, os pesquisadores utilizaram dados de GPS e modelagem numérica, revelando a complexidade e a precisão necessárias para entender esses fenômenos geológicos. O impacto histórico é notável: estima-se que o Everest tenha crescido entre 15 e 50 metros desde o evento de pirataria de drenagem de 89 mil anos atrás, influenciado por essa dança contínua entre erosão e recuperação da crosta terrestre. A pesquisa reitera a natureza dinâmica e complexa da evolução dos picos mais altos do planeta. O trabalho conjunto de fatores tectônicos, erosivos e crustais continua a moldar a imponência do Everest, que segue em ascensão mesmo após milhões de anos de sua formação. Essa compreensão aprofundada não só revela os segredos do Everest, mas também contribui para um entendimento mais amplo sobre os processos que esculpem as paisagens montanhosas da Terra. Curiosidades Com 8.848 metros de altitude, o Monte Everest é a montanha mais alta da Terra. Localizado na Cordilheira do Himalaia, surgiu a partir do encontro de placas tectônicas, processo que ainda hoje molda sua estrutura. Apesar das condições extremas — como temperaturas congelantes, ventos violentos, avalanches e risco de terremotos —, o Everest atrai aventureiros do mundo todo e é um dos principais destinos turísticos do Nepal e do Tibete, já que fica exatamente na fronteira entre os dois territórios.