Nova rodada de conciliação será realizada na segunda-feira em Istambul (Serviço de Emergência da Ucrânia/Divulgação) Às vésperas de uma nova tentativa de negociação entre Rússia e Ucrânia, o conflito registrou um dos seus episódios mais violentos com ataques em larga escala envolvendo drones, explosões em infraestrutura civil e ofensivas aéreas em regiões distantes da linha de frente. Enquanto os líderes se preparam para a segunda rodada de conversas diretas em Istambul, o campo de batalha revela um cenário de intensificação militar e incerteza diplomática. No domingo, a força aérea ucraniana informou que enfrentou o maior ataque com drones desde o início da guerra: 472 drones lançados pela Rússia em apenas uma noite, além de sete mísseis. No mesmo período, bombardeiros russos de longo alcance foram alvos de uma ofensiva inédita na Sibéria, a mais de 4.300 km da linha de frente, segundo fontes da inteligência ucraniana. Em outro episódio que chocou a população local, uma ponte rodoviária na região de Bryansk, na Rússia, explodiu no momento em que um trem de passageiros com quase 400 pessoas a bordo passava pelo local. O incidente deixou ao menos sete mortos e dezenas de feridos. Nenhum grupo assumiu a autoria até o momento. Apesar dos confrontos, as negociações de paz continuam na agenda internacional. O presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy confirmou que o ministro da Defesa, Rustem Umerov, representará Kiev nas reuniões com diplomatas russos em Istambul. O encontro, mediado pela Turquia, é parte de uma tentativa de encontrar uma solução diplomática após mais de três anos de conflito. No campo militar, a Rússia anunciou avanços na região de Sumy, norte da Ucrânia. Informações de inteligência de fonte aberta indicam que os russos tomaram cerca de 450 km² em maio, marcando o maior avanço territorial mensal desde o segundo semestre do ano anterior. Enquanto isso, os Estados Unidos sinalizam mudanças em sua abordagem. O ex-presidente Donald Trump, agora uma das principais vozes da política americana, afirmou que exigirá um acordo de paz entre Rússia e Ucrânia, sob pena de reduzir o apoio norte-americano — o que pressionaria as nações europeias a assumirem maior protagonismo, mesmo com recursos militares mais limitados. Em Istambul, as delegações apresentarão documentos com propostas para os termos de paz. A Ucrânia defende, entre outros pontos, que não haja limitações ao seu poder militar após o acordo, a não aceitação da soberania russa sobre áreas ocupadas e o pagamento de reparações. Já a Rússia exige que Kiev abandone sua tentativa de adesão à OTAN e retire suas tropas das quatro regiões ucranianas ocupadas por Moscou. Desde a invasão em fevereiro de 2022, estima-se que mais de 1,2 milhão de pessoas tenham sido mortas ou feridas no conflito, segundo dados divulgados por autoridades americanas. A guerra teve início após anos de tensão no leste ucraniano, onde separatistas apoiados por Moscou enfrentavam as forças ucranianas. Para especialistas, apesar das dificuldades, uma solução política ainda é possível, mas exigirá concessões e mediação internacional. A expectativa é que os encontros em Istambul ajudem a traçar um esboço de paz, mesmo que os lados ainda estejam distantes de um consenso.