Fontes diplomáticas ligadas à Casa Branca revelam que ao menos quatro outros ministros do STF estão sob avaliação (Reprodução/X) O clima tenso entre Brasil e Estados Unidos ganhou novos contornos nesta semana com a confirmação de que o governo de Donald Trump pretende ampliar as sanções aplicadas ao ministro Alexandre de Moraes e atingir outros membros do Supremo Tribunal Federal (STF). O plano faz parte de uma estratégia geopolítica agressiva que inclui, além das punições individuais, uma guerra tarifária com impacto direto nas exportações brasileiras. O Departamento do Tesouro norte-americano acusa Moraes de violar direitos civis, promover censura digital e conduzir um processo de perseguição política contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão foi embasada na Lei Global Magnitsky, dispositivo que permite aos EUA aplicar sanções a indivíduos estrangeiros envolvidos em corrupção ou abusos de direitos humanos. Como consequência imediata, Moraes teve bens bloqueados em solo americano, além da revogação do visto de entrada nos EUA. Outros ministros já estão no radar Fontes diplomáticas ligadas à Casa Branca revelam que ao menos quatro outros ministros do STF estão sob avaliação para sofrer o mesmo tipo de sanção. Embora os nomes não tenham sido confirmados oficialmente, há indícios de que os alvos incluem figuras-chave do tribunal, como o presidente da Corte, Luís Roberto Barroso. Além dele, Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin já tiveram vistos revogados em julho, e podem ser os próximos a serem oficialmente sancionados. A iniciativa busca aumentar a pressão internacional sobre o Judiciário brasileiro, em especial no contexto do julgamento de Jair Bolsonaro, acusado de arquitetar um plano para anular as eleições de 2022. De acordo com veículos internacionais como The Guardian, Reuters e Financial Times, o governo Trump teria dado sinal verde para essa escalada com o objetivo de favorecer um possível indulto ou anistia ao ex-presidente brasileiro. A medida teria sido articulada com apoio de aliados de Bolsonaro nos Estados Unidos e na Europa, que acusam o STF de extrapolar suas atribuições e perseguir politicamente adversários. Tarifas econômicas aprofundam tensão A ofensiva não se limita ao campo jurídico. O governo norte-americano anunciou um novo pacote de tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros, incluindo carnes, calçados e produtos industrializados. A medida, segundo especialistas, tem motivações políticas e visa desgastar o governo brasileiro em um momento de alta tensão institucional. Governo brasileiro reage e fala em "ataque à soberania" O Palácio do Planalto classificou a aplicação da Lei Magnitsky como inaceitável e violadora da soberania nacional. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil não aceitará interferência externa no funcionamento de suas instituições e que o Supremo Tribunal Federal continuará agindo de forma independente. Alexandre de Moraes, por sua vez, reagiu com firmeza, acusando o governo Trump de orquestrar uma tentativa traiçoeira de desestabilizar o sistema democrático brasileiro. O ministro garantiu que o julgamento de Bolsonaro continuará até o fim, independentemente de pressões externas. Setor financeiro entra em alerta A decisão de Washington acendeu um alerta vermelho entre instituições financeiras brasileiras. Grandes bancos como Itaú e Bradesco estão consultando especialistas em direito internacional para entender os riscos de eventuais bloqueios secundários em transações que passem por instituições americanas. Embora Moraes não possua ativos nos Estados Unidos, qualquer operação envolvendo redes como Visa e Mastercard pode ser afetada. Segundo reportagem da Reuters, os bancos já estão revendo protocolos de compliance e monitorando operações com clientes que tenham relação direta ou indireta com autoridades sancionadas. O temor é que futuras sanções possam atingir membros do Executivo ou do Congresso e comprometer a fluidez dos negócios internacionais.