A Bolívia realiza o segundo turno das eleições presidenciais, após nenhum candidato alcançar a maioria necessária no primeiro turno, realizado em 17 de agosto (Reprodução/X) Neste domingo (19), a Bolívia realiza o segundo turno das eleições presidenciais, após nenhum candidato alcançar a maioria necessária no primeiro turno, realizado em 17 de agosto. A disputa representa um momento crítico para o país sul-americano, que enfrenta sua pior crise econômica em décadas, com inflação elevada, escassez de combustíveis e queda nas exportações de gás natural. O novo presidente tomará posse em 8 de novembro, encerrando quase 20 anos de hegemonia do partido Movimento ao Socialismo (MAS). Fim de uma era e novos desafios econômicos O segundo turno coloca frente a frente o senador de centro Rodrigo Paz e o ex-presidente conservador Jorge “Tuto” Quiroga, em uma eleição que promete redefinir o modelo econômico estatal boliviano. Ambos os candidatos propõem reformas que distanciam o país das políticas socialistas do MAS, embora com abordagens diferentes quanto à intensidade das mudanças. Além disso, ambos sinalizaram intenções de reforçar a cooperação com os Estados Unidos, depois de governos que priorizaram alianças com Rússia, China e Irã. Como será o processo eleitoral A eleição boliviana deste ano ocorre sob um novo sistema implementado pelo Tribunal Eleitoral, criado para aumentar a transparência e evitar fraudes, após os problemas observados na eleição de 2019. Cada seção eleitoral fotografará as folhas de apuração, enviando-as diretamente para os centros de contagem. Observadores internacionais da União Europeia e da Organização dos Estados Americanos acompanharão o processo. Cerca de 80% dos resultados preliminares devem ser divulgados na noite da votação, com a confirmação oficial dos resultados prevista em até sete dias. Perfis dos candidatos e propostas políticas Jorge Quiroga, 65 anos, ex-presidente e candidato conservador, apresenta uma plataforma voltada ao livre comércio, corte de gastos públicos e proteção da propriedade privada. Seu vice, Juan Pablo Velasco, é executivo de tecnologia, reforçando a imagem pró-negócios do partido. Rodrigo Paz, 58 anos, candidato de centro e filho de um ex-presidente, aposta na descentralização administrativa e na expansão do setor privado, mantendo programas sociais essenciais. Seu vice, Edman Lara, ex-capitão de polícia e influenciador digital, buscou engajar eleitores mais jovens. No primeiro turno, Paz liderou com 32% dos votos, enquanto Quiroga obteve 27%. Impacto no setor de lítio e investimentos estratégicos A Bolívia possui os maiores depósitos de lítio do mundo, concentrados nas vastas salinas do país, um recurso essencial para baterias de veículos elétricos. Apesar do potencial, a produção comercial permanece limitada devido a barreiras regulatórias e disputas políticas internas. Empresas russas e chinesas foram algumas das poucas a tentar explorar essas reservas, mas projetos têm enfrentado bloqueios no Legislativo. Investidores esperam que a eleição permita flexibilizações, estimulando o desenvolvimento da indústria de lítio e atraindo capital estrangeiro. O segundo turno boliviano é visto como decisivo para determinar a direção política e econômica do país. Eleitores estão particularmente preocupados com a recuperação econômica, estabilidade do abastecimento de combustíveis e políticas sociais que protejam os mais vulneráveis. Independentemente do vencedor, a eleição representa uma oportunidade de renovação, com potencial para transformar a relação da Bolívia com mercados internacionais e investidores, especialmente no setor estratégico de recursos naturais.