A presença da caravela-portuguesa não é novidade para os frequentadores do litoral paulista (Vanessa Rodrigues/AT) Turistas e moradores do litoral da França foram surpreendidos nos últimos dias pelo aparecimento de um visitante perigoso — e familiar para os brasileiros. Diversas praias na costa atlântica do país foram interditadas após o avistamento de caravelas-portuguesas, um animal marinho com tentáculos urticantes capaz de causar queimaduras intensas. O que chama atenção é que o mesmo organismo já é bem conhecido no litoral de São Paulo, especialmente durante o verão, quando sua presença se torna mais comum. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O que está acontecendo nas praias da França? As autoridades francesas emitiram alerta de risco nas praias da região da Nova Aquitânia, no sudoeste do país, por causa da chegada de caravelas-portuguesas ao litoral. O fenômeno levou ao fechamento temporário de diversos trechos de areia, principalmente nos arredores de La Rochelle, Île de Ré, Cap Ferret e Biscarrosse. Segundo os serviços de resgate e proteção costeira da França, a medida visa evitar acidentes com banhistas, já que o contato com os tentáculos da caravela-portuguesa pode provocar reações que vão de queimaduras leves a choques anafiláticos. “São organismos marinhos extremamente perigosos, muitas vezes confundidos com sacos plásticos boiando. A recomendação é clara: não tocar e alertar as autoridades ao avistar um exemplar”, informou o serviço de segurança da prefeitura de La Rochelle. O que é a caravela-portuguesa? As caravelas portuguesas costumam aparecer no litoral de São Paulo no verão (Rogério Soares/Arquivo AT) Apesar da aparência semelhante a uma água-viva, a caravela-portuguesa (Physalia physalis) é um organismo colonial, formado por vários seres interdependentes que funcionam como um só. Ela tem um flutuador azulado em forma de bolha, que permanece na superfície da água, e tentáculos que podem ultrapassar 10 metros de comprimento. Esses tentáculos contêm cnidócitos, células urticantes que injetam toxinas na pele ao menor contato. Efeitos em humanos incluem: Dor intensa e imediata Vermelhidão e inchaço Náuseas e vômitos Quadro alérgico ou choque anafilático (em casos graves) Relação com o litoral de São Paulo A presença da caravela-portuguesa não é novidade para os frequentadores do litoral paulista. Todos os anos, especialmente no verão, há registros do animal em praias de cidades como Guarujá, Santos, Praia Grande, Mongaguá, Ilhabela e Bertioga. Nesses períodos, guarda-vidas e equipes do Corpo de Bombeiros emitem alertas visuais nas praias, principalmente quando há correntes marítimas quentes e ventos vindos do sul, que facilitam a aproximação das caravelas à costa. “Embora seja um animal fascinante, é importante reforçar os riscos. O simples toque pode causar queimaduras que precisam de atendimento médico”, afirma o biólogo marinho Leonardo Barbosa, especialista em fauna costeira. Por que a França está enfrentando o problema agora? O aumento de avistamentos na França está ligado a mudanças climáticas e alterações nas correntes oceânicas, segundo cientistas locais. Os ventos fortes e o aquecimento das águas do Atlântico Norte estão favorecendo o deslocamento das caravelas para regiões onde antes não eram tão comuns. O fenômeno não é exclusivo da França. Já houve registros em praias da Espanha, Portugal, Reino Unido e até regiões do Mediterrâneo nos últimos anos. O que fazer em caso de contato com o animal? Caso alguém seja atingido por uma caravela-portuguesa, especialistas recomendam: O que fazer: Lavar com água salgada Remover tentáculos visíveis com luvas ou pinça Aplicar compressas quentes por até 20 minutos (ajuda a aliviar a dor) Procurar atendimento médico imediato em casos de dor intensa ou reação alérgica O que não fazer: Não esfregar a pele com toalha, areia ou mãos Não usar água doce ou álcool no local da queimadura Não urinar sobre a área (prática popular totalmente incorreta)