Ann foi atingida na cidade de Sylacauga, no Alabama, nos Estados Unidose (Reprodução/University of Alabama) Em um dos registros mais extraordinários da história, Ann Elizabeth Fowler Hodges, na época com 34 anos, tornou-se a primeira e única pessoa conhecida a ser atingida por um meteorito e sobreviver ao impacto. O caso, que chocou o mundo, continua a fascinar cientistas e curiosos até hoje. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! O episódio inacreditável Na tarde de 30 de novembro de 1954, enquanto cochilava em seu sofá coberta por mantas, Ann foi abruptamente despertada por um estrondo: um fragmento do meteorito de Sylacauga, estimado em cerca de 3,8 kg, atravessou o teto, ricocheteou em um rádio de gabinete e a atingiu na coxa e na mão, deixando um hematoma visível. O meteoro havia sido visto como uma bola de fogo cruzando o céu por moradores do Alabama, Geórgia e Mississippi, acompanhado de um estrondo ensurdecedor. Por que esse caso é tão raro? Especialistas destacam que as chances de um ser humano ser atingido são extremamente baixas. O astrônomo Michael Reynolds comparou: “Você tem mais chance de ser atingido por um tornado, um raio e um furacão ao mesmo tempo do que por um meteoro". Além disso, o meteorito fragmentou-se ao entrar na atmosfera — um pedaço atingiu Ann, outro caiu a quilômetros de distância e foi recolhido por um fazendeiro local. Repercussão, disputas e consequências O feito trouxe notoriedade indesejada a Ann. A imprensa estampou sua foto com o hematoma – apelidado de “bruiser cosmic” – em revistas como Life. Além disso, houve uma disputa judicial: como ela era inquilina da casa, a proprietária alegou a propriedade legal do meteorito. Depois de um acordo, Ann pagou US\$ 500 e, eventualmente, doou o fragmento ao Museu de História Natural da Universidade do Alabama. O episódio afetou profundamente sua vida pessoal e emocional. Ann faleceu em 1972, aos 52 anos, após enfrentar problemas de saúde e o desgaste de sua experiência com o impacto e a fama repentina. Outros incidentes e a raridade do fenômeno Embora seu caso seja o único confirmado, outros episódios envolveram meteoritos e estruturas humanas: casas, carros e solo foram atingidos , mas raramente pessoas. Em 2009, um adolescente na Alemanha foi atingido na mão, mas teve sorte. O famoso meteoro de Chelyabinsk, em 2013, causou danos e ferimentos, mas nenhuma vítima direta humana foi atingida por fragmentos.