Leandro Bossi , Guilherme Caramês e Marco Aurélio (Cedoc/RPC/ Reprodução / Arquivo pessoal) Milhares de famílias brasileiras vivem com a angústia de não saber o paradeiro de seus filhos. Entre os muitos desaparecimentos sem solução, alguns se tornaram emblemáticos: meninos cujos casos remontam às décadas de 1980 e 1990, ainda sem pistas concretas, resistem ao tempo. Nesta reportagem, relembramos três desses casos que intrigaram autoridades e famílias: Leandro Bossi — Guaratuba (PR), 1992 Leandro tinha 7 anos quando desapareceu em 15 de fevereiro de 1992, durante um evento na praia de Guaratuba, litoral do Paraná. Seus restos mortais só foram devidamente identificados 30 anos depois, em junho de 2022, após uma análise de DNA — embora ainda restem dúvidas sobre as circunstâncias exatas do desaparecimento e do que ocorreu com ele após a morte A demora na resolução do caso expôs falhas graves na coleta de provas e na preservação dos vestígios, segundo peritos . Guilherme Caramês — Curitiba (PR), 1991 O desaparecimento de Guilherme, de 8 anos, em 17 de junho de 1991, levou ao intenso engajamento da mãe, Arlete Caramês, que mais tarde se tornou vereadora e deputada estadual. Ela lutou por décadas por respostas — seus apelos levaram à criação do Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas do Paraná (SICRIDE) em 1995 Porém, mesmo após 30 anos, não há pistas concretas sobre o menino. Nenhuma bicicleta, vestígio humano ou teste de DNA trouxe esperança efetiva à família Portal de Periódicos UnB Marco Aurélio — Piquete (SP), 1985 Em 8 de junho de 1985, durante excursão de escoteiros ao Pico dos Marins (SP), Marco Aurélio, de apenas 15 anos, desapareceu misteriosamente. Foi considerada uma das maiores buscas da época, com equipes de resgate intensas, mas sem sucesso. Em 2021, o caso foi reaberto graças a investigações jornalísticas e uso de drones — embora, até o momento, não haja resolução definitiva Contexto e impactos Nos anos 1980 e 1990, o Paraná viveu uma onda de desaparecimentos que deixou 28 crianças desaparecidas — dessas, 13 ainda sem solução em 2017 Falhas nas investigações iniciais, ausência de tecnologia de coleta de DNA e dificuldade de acesso dos familiares à informações são fatores apontados como determinantes para a impunidade. Esses casos não envolvem apenas rostos: envolvem vítimas, famílias e comunidades que aguardam mais respostas e nenhuma pista concreta. O esforço dessas famílias contribuiu para importantes avanços em políticas públicas — mas sem garantia de que a justiça será alcançada. Por que ainda permanecem sem solução? Preservação de provas precária: vestígios foram perdidos, manuseados de forma inadequada ou destruídos com o passar do tempo insightinteligencia.com.br Falta de tecnologia e protocolos: a ocorrência sem identificação rápida de DNA dificultou a confirmação e rastreamento. Recursos limitados: delegacias locais e peritos atuavam sem recursos suficientes para investigações minuciosas ou reaberturas. Cultura de impunidade: alta rotatividade de policiais e desempoderamento das famílias — mesmo quando mobilizadas — mantiveram os casos estagnados.