Mais do que uma curiosidade científica, a descoberta pode mudar os rumos da astronomia e da exploração espacial (Reprodução/Starwalk) Esqueça a ideia de vasculhar o espaço de forma aleatória. De acordo com um estudo da Universidade Penn State, nos Estados Unidos, e da NASA, os alinhamentos planetários podem ser a chave para finalmente encontrarmos sinais de vida extraterrestre. A hipótese é que, nesses momentos de sincronia cósmica, os sinais de rádio e transmissões das civilizações, inclusive da nossa, têm mais chances de serem detectados. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! O estudo que muda a rota da busca por alienígenas Pesquisadores analisaram duas décadas de registros da Deep Space Network (DSN), sistema que conecta a NASA a sondas e missões interplanetárias. O resultado chamou a atenção: quando a Terra e Marte estão alinhados com um ponto de observação externo, há 77% de probabilidade de nossos sinais “vazarem” pelo espaço. Isso significa que, caso existam civilizações próximas, elas teriam mais facilidade em perceber nossa presença. Como funciona esse “vazamento cósmico” Esses sinais não são enviados de propósito para outros mundos. Trata-se de transmissões comuns de comunicação espacial que, ao serem emitidas durante o alinhamento entre planetas, podem se espalhar em direções estratégicas do cosmos. O mesmo raciocínio pode ser aplicado a outras civilizações, caso elas também utilizem sistemas de comunicação semelhantes. E se os alienígenas fizerem o mesmo? A lógica por trás da pesquisa é simples: se nós, humanos, podemos “vazar” sinais durante os alinhamentos, é plausível imaginar que civilizações alienígenas também o façam. Por isso, em vez de olhar para qualquer ponto do céu, a recomendação é concentrar esforços nos momentos e locais onde esses alinhamentos acontecem. Assim, aumenta a chance de detectar o que os cientistas chamam de “technosignatures” — evidências de tecnologia extraterrestre. O alcance dos nossos sinais Segundo os pesquisadores, as transmissões da DSN podem viajar a até 23 anos-luz de distância, alcançando dezenas de sistemas estelares. Em escala astronômica, é pouco, mas já suficiente para atingir estrelas que têm exoplanetas potencialmente habitáveis. Mais eficiência na busca por vida A proposta representa um ganho de eficiência para projetos como o SETI (Search for Extraterrestrial Intelligence), que há décadas varre o universo em busca de sinais. “Não precisamos olhar para todos os lugares ao mesmo tempo. Se focarmos nos alinhamentos, temos muito mais chance de ouvir alguma coisa”, explicou um dos autores do estudo em comunicado divulgado pela Penn State. A sombra da Terra como aliada Além dos alinhamentos, outra técnica complementar vem sendo estudada: observar os céus a partir da sombra da Terra, quando nosso planeta bloqueia as próprias emissões de rádio. Isso cria uma espécie de “silêncio artificial” que facilita a detecção de sinais externos. Implicações para o futuro O estudo reacende o debate sobre a forma como buscamos vida inteligente no universo. Se a hipótese se confirmar, telescópios e radiotelescópios podem passar a priorizar observações em janelas específicas, quando planetas e estrelas entram em alinhamento. Mais do que uma curiosidade científica, a descoberta pode mudar os rumos da astronomia e da exploração espacial, trazendo a humanidade um passo mais perto de responder à pergunta que há séculos intriga cientistas e filósofos: “Estamos sozinhos no universo?”