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Sexta-feira

24 de Maio de 2019

Escolas terão novo currículo em 2020

Conselho Estadual de Educação deve dar aval ao modelo paulista até dia 31, prevê União dos Dirigentes Municipais de Educação de SP

Após muitos debates, aproxima-se o momento de a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) chegar – de fato – às salas de aula de Educação Infantil e Ensino Fundamental do País. Por lei, isso deve acontecer já a partir do ano que vem, com currículos desenhados à luz da BNCC. O Estado de São Paulo formatou o currículo paulista, documento que está em análise no Conselho Estadual de Educação. A expectativa é que o órgão dê aval até o dia 31.

O documento foi construído pela União dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) e pela Secretaria de Estado da Educação. “Em dezembro, entregamos o documento para o conselho estadual, que está trabalhando intensamente com a perspectiva de entregá-lo até o dia 31 deste mês”, explicou ontem o presidente da União dos Dirigentes Municipais de Ensino (Undime) São Paulo, Luiz Miguel Garcia, durante o 29º Fórum Estadual da Undime-SP.

Ele avalia que o documento foi fruto de um forte trabalho conjunto, pois teve participação de mais de 70% dos municípios paulistas. “Foram cerca de 80 seminários regionais e 40 mil técnicos participando. Pode ser que apareçam pontos a serem ajustados, mas foi um trabalho importante”, afirma o dirigente. Ele ressalta que este será o currículo paulista, e não de uma rede ou outra.

“Não é o currículo da rede municipal ou da rede estadual. As redes privadas, inclusive, foram convidadas e participaram em muitos momentos. Então, de fato, é um documento que conta com esta síntese. Os municípios, claro, podem construir seus currículos, mas, com certeza, este nosso documento será uma referência”, declara.

Formação

A questão da formação dos docentes, a partir dos novos currículos alinhados à base, foi um tema debatido no Fórum da Undime-SP. Para Julia Tami, da Fundação Lemann, os novos currículos exigirão formação diferente dos professores.

“Será preciso uma formação continuada, com metodologias ativas de ensino. Não podemos pensar apenas em tratar o conteúdo, mas em ensinar aos professores como passar esse conteúdo para os alunos”, salienta Julia.

A formação continuada com foco na prática dos professores em sala de aula também é um ponto crucial a ser pensado, na opinião de Anna Helena Altenfelder, do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec).

Segundo ela, os gestores precisam se perguntar como fazer com que palestras, encontros e dinâmicas capacitem o professor para as situações em classe. “Temos que vencer a dicotomia entre teoria e prática. Implantar a base e o currículo é, também, melhorar a formação do professor”, pondera.

“A disrupção (inovação) não acontece com mobiliário diferente ou colorido, mas dentro de nós. Se o professor continuar a assumir a atividade de detentor do conhecimento, nada mudará”, afirma Anna Penido, do Instituto Inspirare. Por isso, complementa, é importante que o professor tenha formação inicial e continuada de qualidade e boas condições de trabalho.