O MEC e as secretarias estaduais e municipais precisam começar a pensar em planos de contingência e reformas estruturai (Carlos Nogueira / AT) As mudanças climáticas não estão impactando apenas o meio ambiente e a economia. Elas também começam a afetar o ano letivo de milhões de estudantes em todo o Brasil. Com o aumento das ondas de calor, enchentes e estiagens severas, algumas redes de ensino já registraram interrupções nas aulas e estudam ajustes no calendário escolar como forma de adaptação. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Em estados como o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Amazonas, eventos climáticos extremos já causaram semanas de paralisação em escolas públicas e particulares. No litoral paulista, especialmente em cidades como Peruíbe, Santos e Cubatão, as fortes chuvas de verão e alagamentos também impactam a rotina escolar, com episódios pontuais de suspensão de atividades nos últimos anos. Um novo desafio para a educação De acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), a frequência de eventos extremos deve aumentar nos próximos anos. Esse cenário levanta uma nova discussão no Brasil: o modelo tradicional do calendário escolar — que segue o ano civil — ainda faz sentido em um país cada vez mais vulnerável ao clima? Especialistas em educação e clima defendem que o Ministério da Educação (MEC) e as secretarias estaduais e municipais precisam começar a pensar em planos de contingência e reformas estruturais no calendário letivo, sobretudo em áreas consideradas mais vulneráveis. Aulas suspensas e prejuízo na aprendizagem Segundo levantamento da Unicef, a perda de dias letivos por desastres climáticos já afeta o desempenho escolar em países da América Latina. No Brasil, embora ainda não haja um levantamento nacional consolidado, estados como o RS enfrentaram mais de 20 dias sem aulas em 2023 e 2024, durante enchentes e deslizamentos. Em 2025, episódios de calor extremo com sensação térmica acima dos 50 °C também levaram escolas do Norte e Centro-Oeste a encurtar horários ou liberar estudantes mais cedo, por falta de estrutura adequada e riscos à saúde. Como o calendário pode mudar? A proposta debatida por educadores e pesquisadores prevê que o calendário escolar seja regionalizado e flexível, levando em conta: Períodos historicamente marcados por enchentes ou estiagens; Temperaturas extremas que afetem o bem-estar dos alunos; Calendários alternativos, com reforço de ensino híbrido em períodos críticos; Estrutura de emergência com aulas online e apoio psicopedagógico. Baixada Santista também deve se preparar Na Baixada Santista, os efeitos das mudanças climáticas já são sentidos nas escolas, principalmente durante o verão. Em cidades como São Vicente e Praia Grande, chuvas torrenciais e alagamentos dificultam o acesso às unidades escolares. A Defesa Civil de Santos alerta que o município está entre os que devem manter monitoramento constante e planos de evacuação escolar, principalmente em áreas de risco.