Vendas mostram varejo ainda fraco no país; Baixada é exceção

IBGE apontou queda no comércio em dezembro, na comparação com novembro; consumidor voltou às compras, mas reduziu gastos

As vendas do varejo caíram 0,1% em dezembro, sobre novembro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na comparação com igual mês do ano passado, houve avanço de 2,6% e, na anual, crescimento de 1,8% em 2019, em relação a 2018.

Para 12 meses, 2019 foi o terceiro ano consecutivo em que o varejo teve alta. No entanto, apresentou percentual inferior aos de 2018 (2,3%) e 2017 (2,1%).

Em dezembro, sobre igual mês do ano passado, apenas os setores de móveis e eletrodomésticos e o de livros, jornais, revistas e papelaria tiveram alta respectivamente de 3,4% e 11,6%. A maior queda foi em equipamentos e materiais de escritório, informática e comunicação, de -10,9%.

Para a economista Karla Simionato, a queda não é significativa e representa uma opção do consumidor por produtos mais baratos. Mas houve queda do dinheiro circulando no comércio.

No caso dos hipermercados, a queda foi muito sentida. “Com a queda [do consumo] da carne, as pessoas fizeram o que normalmente orientamos, substituir por bens mais baratos. Então, deixa-se de comprar carne e compra-se frango, peixe, verdura, que são bem mais baratos. E há queda no valor vendido em supermercados e hipermercados”, afirma.

Segundo ela, a subida de móveis e eletrodomésticos era esperada, já que os trabalhadores aproveitaram o 13º salário e também o saque do FGTS para comprar itens para casa.

Material escolar

“Causa estranheza o aumento de livros, jornais, papelaria. Pode ser que as pessoas tenham usado esse dinheiro extra para adiantar materiais escolares”, diz.

O economista-chefe da Análise Econômica Consultoria, André Galhardo, percebe a venda de jornais, revistas e papelaria como dado chamativo, mas que segue as altas  um movimento bastante natural de final de ano. Quanto aos móveis e eletrodomésticos, analisa que seguiram os estímulos dos recursos extras das contas do FGTS e do 13º.

Comerciantes da região afirmam que não sentiram a queda de 0,1% no varejo em dezembro, sobre novembro. O mercado, inclusive, previa crescimento de 0,2% nesse período.

Vendas do Natal

Segundo os varejistas, a queda das vendas no Natal não foi sentida na região. “Mesmo que os resultados não tenham sido tão altos quanto o esperado, é visível que houve um aumento de visitas em lojas locais, movimentação em centros comerciais e, no geral, um engajamento maior entre consumidor e vendedor”, diz o presidente do Sindicato do Comércio Varejista da Baixada Santista (SincomércioBS), Omar Abdul Assaf. 

O presidente da Associação Comercial de São Vicente, Alcides Antonelli, também sentiu mais consumo do que recuos em relação às vendas de Natal. “Acredito que, no comércio, os números nacionais não refletem a realidade local”.

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