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Terça-feira

15 de Outubro de 2019

Varejo mantém foco na expansão

O impacto da tecnologia no consumo centralizou discussões dos empresários e executivos de grandes grupos em evento de Guarujá

Este ano será igual ou melhor do que 2018 no varejo brasileiro, com mais contratações. A expectativa é de grandes grupos do setor que se encontraram ontem, no 7º Fórum Lide do Varejo, no Sofitel Jequitimar, em Guarujá. Para consolidar o planejado, a tendência é investir em pessoas: de funcionários à personalização de vendas e melhoria na experiência da compra.

O CEO da Pernambucanas, Sergio Borrielo, diz que 2018 foi um ano desafiador. Teve greve dos caminhoneiros, frio fora da estação, eleição desviando o foco do mercado e Copa do Mundo que não vendeu muitos televisores. Hoje, as expectativas são mais contidas, com planejamento para um período de alta.

“A expectativa de crescimento em 2018 era de 6% e crescemos em torno de 3,3%. Em 2019, a esperança é que o mercado cresça entre 5% e 6%. Houve sinal bom já em março”. 

O CEO da J. Macêdo, Walter Faria, conta que na alimentação o impacto não foi tão grande. O crescimento nominal em 2018 foi entre 6% e 7%, quando a expectativa era de 8% a 9% – o que deve se repetir, segundo o executivo.

A projeção é que os consumidores voltem a ter prazer em gastar. Para isso, o diretor executivo do Extra, Marcelo Bazzali, diz que é preciso entender o cliente. “No aplicativo, hoje a gente tem mais de 65% das nossas compras identificadas. Nós sabemos o perfil do consumidor e podemos atuar no aplicativo direcionando produtos para cada um”, afirma ele. 

Além da tecnologia aliada, de acordo com Faria, da J. Macêdo, o desafio, que já começa a ser resolvido, é adequar as indústrias para atender especificamente cada público. Um exemplo é a nova embalagem de farinha integral: “de 500 gramas, em embalagem a vácuo, que preserva vitaminas”, aponta. “O idoso, família pequena ou alguém que more sozinho não precisam guardar a sobra”. 

Borrielo, da Pernambucanas, diz que, apesar das tecnologias, os consumidores só deixarão de ir para as lojas físicas quando o ser humano deixar de ter o prazer de encontrar algo para si. 

Capacitação tecnológica

Conforme os executivos, a tarefa é investir em tecnologias, mas também em funcionários para interagir com elas e ensinar clientes a usá-las. 

“O desafio é que a loja seja extremamente agradável. Se for para apenas autoatendimento ou pegar tremenda fila, óbvio que a pessoa ficará em casa”, diz Borrielo. “A gente contratou no ano passado 600 pessoas e deve abrir 32 lojas em 2019. Precisaremos de mais 700”.