[[legacy_image_204533]] O poeta Ferreira Gullar sentenciou que a arte existe porque a vida não basta. Aproveitando o raciocínio, as fronteiras também não bastam para o trabalho do artista. Até porque elas não existem. Parece difícil, mas é simples de explicar. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! “Quanto mais complexos e globais forem os nossos problemas, mais profundamente locais devem emergir as soluções”, sentencia o escritor e professor Flávio Viegas Amoreira. “Aqui ecoo o pensamento de glocalização. O global e o local”, explica. O neologismo é perfeito para dar vazão a uma linha de pensamento de que não existe mais arte ou artista regional. Não se trata de ausência de talentos, mas em razão da internet que ajuda a propagá-los. “É um termo que eu tenho ojeriza: o artista local. Hoje, o artista no seu claustro cibernético pode editar, criar, entreter para Xangai (na China) ou para a Cidade do México, passando por Santos, São Vicente, Guarujá ou Cubatão. São o global e o local convergindo”, explica o professor e escritor. Metropolização Jornalista e assessora técnica da Secretaria de Cultura de Santos, Raquel Pellegrini lembra que todo artista é plural, mas é uma realidade que acaba não sendo para todas as cidades, falando em termos de Baixada Santista e Vale do Ribeira na área do audiovisual, que ela domina. “Há questões muito próximas de todas as cidades da nossa região. Sabendo as peculiaridades de cada lugar, é fundamental para que a gente possa discutir o nosso futuro. Todos os eventos culturais são metropolitanos, mas organicamente, pelo menos na minha área, caso dos festivais de cinema”, afirma. “A gente tem produção cinematográfica, audiovisual no Litoral inteiro. Só que acaba não se tornando plural para algumas cidades”, emenda.