O reconhecimento facial está entre as soluções tecnológicas cada vez mais adotadas por condomínios nas portarias (Vanessa Rodrigues/AT) Portarias a distância, serviços de reconhecimento facial e sensores antiesmagamento nos portões. Com serviços como esses, a tecnologia está cada vez mais presente no cotidiano de condomínios, que buscam oferecer soluções para garantir segurança e conforto aos moradores, além de otimizar processos e gerar economia. Nesse cenário, startups especializadas, as chamadas condotechs, desenvolvem ferramentas para atender a crescente demanda por inovações neste segmento de mercado. Segundo o consultor de negócios do Sebrae-SP, Márcio Cruz, os condomínios têm buscado reduzir custos por meio da implementação de tecnologia, além de oferecer melhorias aos moradores. “Hoje, é possível tornar o ambiente muito mais seguro a um custo menor utilizando tecnologias como reconhecimento facial e monitoramento de áreas comuns”, afirma Cruz. Ele explica que muitas unidades já contam com sistemas de acesso automatizados que reconhecem veículos e moradores, geram relatórios de controle de entrada e saída e monitoram prestadores de serviços através de câmeras. As tecnologias não ficam restritas às questões de segurança dos condomínios, sendo também utilizadas para otimizar seus serviços internos. Um exemplo disso são os armários inteligentes para recebimento de mercadorias, utilizados especialmente em prédios sem porteiro. “Transportadoras e correios podem depositar encomendas nesses armários, permitindo que os moradores retirem seus pacotes com mais conveniência e segurança”, diz o consultor de negócios do Sebrae-SP. Além disso, Cruz destaca o uso de tecnologia para o monitoramento de equipamentos essenciais, como turbinas, exaustores, geradores e elevadores, bem como a crescente utilização de softwares de gestão condominial. O consultor acrescenta que as inovações têm se tornado cada vez mais acessíveis. “Hoje, há um barateamento significativo, pois a massificação dos sistemas reduziu os custos”. Cruz ressalta que, atualmente, há muitas empresas que oferecem soluções tecnológicas por meio de serviços de assinatura. “Assim, o condomínio não precisa investir na compra e operação dos equipamentos, apenas contrata a empresa responsável pela gestão da tecnologia”. Ainda segundo o consultor, “muitas construtoras já incorporam essas inovações em seus empreendimentos. Por isso, o mercado segue aquecido com startups desenvolvendo novas soluções para atender essa demanda”. A tendência é de que essas soluções tecnológicas se tornem cada vez mais indispensáveis aos condomínios. “Estamos em um período de transição e, no futuro, essas automações devem se tornar padrão na gestão condominial”, conclui Cruz. Realidade nos condomínios Muitos condomínios da região já usam a tecnologia como suporte no atendimento ao morador e, também, por questões de segurança, de acordo com Rodolfo Quaresma, diretor da Embraps. “É importante que possamos compreender a tecnologia como uma ferramenta que otimiza as atividades e permite ao profissional atuar com foco nas questões que realmente importam ao condomínio”. Segundo ele, recursos como identificação facial, tags (chaveiros de acesso) e biometria ajudam na entrada do morador, que não espera o atendimento a um prestador de serviço ou visitante. “Isso dá segurança em seu acesso e controle real ao porteiro, que atende a pessoa que é ‘estranha’ ao condomínio e acompanha a entrada rápida e segura do morador”. “Quando o porteiro pode se concentrar na segurança do acesso e nas suas funções principais, como o recebimento de um número cada vez maior de encomendas, o atendimento ao morador ganha em qualidade. E isso, na maioria das vezes, só é possível com o apoio da tecnologia”. Embora veja o uso da tecnologia como uma tendência, o diretor da Embraps considera fundamental que as inovações se aliem ao fator humano. “Em alguns condomínios que são nossos clientes, o fator tecnológico ainda é um desafio para moradores e, por esse motivo, a melhor solução é a junção do fator humano com a tecnologia, porque um recurso complementa o outro”. Sustentabilidade Segundo Roberto Luiz Barroso Filho, proprietário da construtora Engeplus, as inovações tecnológicas nos empreendimentos não dispensam a sustentabilidade, de modo que muitas soluções atendem a demandas ambientais. “Hoje, os prédios contam com fazendas solares e carregamento para carros elétricos, além de sistemas de reaproveitamento da água da chuva, que evitam o desperdício e ajudam a economizar, por exemplo, na limpeza da garagem e na irrigação dos jardins”, explica. A gerente de marketing da Silamar Construtora, Mayara Nogueira, acrescentou que, no empreendimento PW36, lançamento mais recente da empresa, há luzes de LED para reduzir o consumo de energia e o elevador produz sua própria energia quando está em movimento. O uso de soluções tecnológicas é presente desde a construção dos empreendimentos até o momento das vendas. “Desde o canteiro de obra com testes de capacidade de carga das estacas até as imagens de cada ambiente projetadas e modeladas com decorados virtuais em imagens 3D de alta qualidade”, exemplifica.